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Padre-bombeiro dá detalhes de como salvou a coroa de espinhos do incêndio de Notre-Dame

Agnes Pinard legry | Agnes Pinard legry
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“Ao entrarmos na Catedral, tínhamos uma espécie de visão daquilo que poderia ser o inferno”, revela o sacerdote

Em entrevista ao canal KTOTV, o Padre Fournier, capelão principal dos bombeiros de Paris conta que estava de plantão no trágico 14 de abril de 2019, dia em que a Catedral de Notre-Dame ardeu em chamas.

Foi ele que conseguiu entrar na catedral e salvar um dos maiores tesouros do cristianismo que lá estava. Os detalhes da ação corajosa do padre foram debatidos durante aula ao vivo do Padre Paulo Ricardo nas redes sociais. O sacerdote traduziu a entrevista do seu colega francês: 

pastedGraphic.png“Eu sou Padre Fournier, capelão principal da Brigada de Bombeiros de

Paris. E eu era o capelão plantão, neste 15 de abril, quando aconteceu um

incêndio enorme na Catedral Notre Dame de Paris.

Eu fui imediatamente convocado. E, logo de início, ao chegar, me pareceu

que duas coisas essenciais precisavam ser feitas. A primeira era salvar o

tesouro inestimável da coroa de espinhos e em seguida, é claro, Jesus

presente no Santíssimo Sacramento.

Ao entrarmos na Catedral, ela estava um pouco tomada pela fumaça. Ainda não

havia calor. À nossa frente tínhamos uma espécie de visão daquilo que

poderia ser o inferno. Ou seja, uma cascata de fogo que caia justamente

das aberturas causadas, seja pela queda da [torre] “flecha”, como também

por várias aberturas no coro dos monges.

Acompanhado por um oficial superior, a dificuldade para nós foi

encontrar a pessoa que possuía o código que permitia abrir a caixa-forte

na qual a santa relíquia era guardada. Isto custou-nos um certo tempo. E

durante esta busca, esta espécie de caça ao código, uma equipe de

bombeiros já estava trabalhando a fim de preservar as relíquias. Ou seja,

tiveram de golpear o cofre das relíquias que, infelizmente foi

estraçalhado. Quando então encontramos as chaves, chegamos às santas

relíquias, de forma mais ou menos simultânea. Elas foram retiradas e

guardadas no mesmo espaço das operações, mas debaixo da proteção das

forças da ordem, ou seja, de funcionários do departamento de polícia.

Então todos sabemos que a Santa Coroa é uma relíquia absolutamente

única e extraordinária e que o Santíssimo Sacramento é Nosso Senhor

realmente presente no seu corpo, sua alma, sua divindade, sua

humanidade.

Vocês compreendem então que é bem delicado ver alguém a quem

amamos perecer nas chamas. Assim, tendo sempre que acompanhar os

bombeiros, nós vemos com frequência pessoas vítimas de incêndios e, por

isso, conhecemos bem as consequências. É por isso que eu quis preservar

incólume a presença real de Nosso Senhor Jesus Cristo.

(…)

Quando o fogo começou a atingir a torre norte, e tivemos medo de perdê-la, foi no momento exato em que eu peguei o Santíssimo. Assim, eu não

quis somente retirar Jesus, eu aproveitei para dar uma Bênção do

Santíssimo. Então eu estava sozinho na Catedral, com este ambiente de

chamas, de fogo e de coisas incandescentes que caiam do teto, e com esta

bênção eu provoquei Jesus e pedi que nos ajudasse a preserva sua casa.

Devemos crer que ele nos ouviu! E a manobra do general foi tão brilhante!

As duas coisas provavelmente. Aconteceu então que não somente o fogo

foi bloqueado, mas salvou-se a torre norte e com ela também a torre sul

foi salva.”

 

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