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Filme "Tolkien" fornece breve retrato da vida do famoso autor católico

Tolkien

Fox Searchlight

Philip Kosloski - publicado em 05/05/19

Recorte da vida de Tolkien deixa o espectador com desejo de aprofundar sobre o criador da Terra Média

Dirigido por Dome Karukoski e encarando Nicholas Hoult e Lily Collins, o filme “Tolkien” segue os primeiros anos do autor católico J.R.R. Tolkien e as muitas influências que moldaram a criação de seu famoso “O Senhor dos Anéis”.

O foco principal do filme é narrar como Tolkien se tornou parte de um grupo infantil de amigos que formaram um clube literário. Eles se encontravam frequentemente enquanto Tolkien crescia, até o início da Primeira Guerra Mundial. O filme enfoca a amizade baseada no amor pela literatura, a música e as artes.

Outra parte principal do filme é o relacionamento romântico de Tolkien com Edith Bratt, a mulher que acabaria se tornando sua esposa. Uma relação que foi quase completamente cortada quando o guardião legal de Tolkien, pe. Francis Morgan, interveio e proibiu Tolkien de vê-la até completar 21 anos. O filme toma alguma liberdade com o cronograma de seu relacionamento, mas no geral é uma história de amor envolvente (e casta) que é bem interpretada pelos atores Nicholas Hoult e Lily Collins.

Uma das escolhas mais peculiares feitas por Karukoski foi espalhar cenas do serviço de Tolkien na Primeira Guerra Mundial durante todo o filme. Às vezes pode parecer confuso e servir ao propósito de quebrar a narrativa para mostrar os horrores da guerra. De fato, a guerra certamente foi uma grande influência nas obras literárias de Tolkien e o afetou pelo resto de sua vida, mas o filme coloca uma forte ênfase na guerra e chega a mostrar cenas das linhas de frente a cada 10 ou 15 minutos.

A fé católica de J.R.R. Tolkien está presente no filme, mas desempenha um papel secundário em sua vida. Pe. Francis Morgan, interpretado habilmente pelo ator Colm Meaney, aparece apenas algumas vezes. Morgan é retratado de forma positiva, entretendo Tolkien quando criança e consolando-o com a perda de seus amigos durante a Primeira Guerra Mundial. No entanto, sua proibição de namorar Edith provoca uma discussão acalorada que faz Tolkien insultar seu tutor. Isso é exagerado na narrativa.

O filme também retrata brevemente a conversão da mãe de Tolkien ao catolicismo. Na vida real, Mabel Tolkien sofreu muito e foi intensamente perseguida por sua própria família por sua decisão de se tornar católica. Tolkien via sua mãe como uma “mártir” e acreditava que essa perseguição levou a sua morte prematura aos 34 anos. No entanto, seu “sacrifício” nunca é explicitamente mencionado no filme e um espectador casual ficaria confuso sobre o porquê da família de Tolkien teve de fazer as malas e se mudar para a cidade. O evento de mudança de vida desempenha um papel silencioso no filme, que só é entendido por aqueles que já estão familiarizados com a vida de Tolkien.

Não surpreendentemente, os filhos de Tolkien divulgaram uma declaração conjunta antes do lançamento do filme dizendo: “a família de Tolkien deseja deixar claro que não aprovou, autorizou nem participou da realização deste filme. (…) Não endossamos nem seu conteúdo de forma alguma.” No entanto, no momento da divulgação dessa nota, a família não tinha visto o filme. Foi uma maneira de se distanciar do projeto e de qualquer influência sobre o filme.

No entanto, apesar de suas muitas deficiências, “Tolkien” certamente encantará o espectador. É uma história divertida e oferece uma visão única do início da vida de J.R.R. Tolkien. Já os verdadeiros fãs de Tolkien provavelmente ficarão um tanto desapontados.

De qualquer forma, aqueles que virem “Tolkien” vão querer aprender mais sobre o autor.

Para aqueles que querem ter uma vantagem inicial e mergulhar mais fundo na vida do autor católico, indica-se ler a única biografia autorizada, feita pelo escritor Humphrey Carpenter. É a única biografia que dá uma visão interna da vida de Tolkien por alguém que recebeu acesso irrestrito a sua família e amigos. Outra biografia dirigida a crianças, mas que também merece ser lida quando adultos, é John Ronald’s Dragons: The Story of J. R. R. Tolkien, de Caroline McAlister e Eliza Wheeler. É uma delícia ler e oferece um vislumbre preciso da vida do amado autor, de uma maneira ilustrada.

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