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Ataques de pânico: o que são e como lidar com eles

Silvia Lucchetti - publicado em 16/05/19

Os sintomas parecem assustadores, mas compreendê-los pode te ajudar a superá-los

Todos nós já ouvimos falar de ataques de pânico. Talvez um amigo ou membro da família os tenha tido, ou talvez você se pergunte se já teve. Mas o que é um ataque de pânico? Como você pode lidar com ele ou ajudar alguém que você ama a lidar com isso?

Francesco Vincelli – psicólogo, psicoterapeuta e professor italiano – oferece uma resposta em um artigo recente publicado em uma revista italiana, BenEssere, la salute con l’anima. Aqui estão algumas das principais ideias e sugestões.

O que é um ataque de pânico?

Entre a ampla gama de transtornos de ansiedade, os ataques de pânico se distinguem pelo seu início repentino e pela dissonância emocional generalizada que criam. Consistem no súbito aparecimento de medo intenso que atinge seu pico em apenas alguns instantes, durante os quais você sofre uma combinação particular de sintomas físicos e cognitivos, que variam um pouco de pessoa para pessoa.

Sintomas físicos

Entre os sintomas mais comuns estão palpitações cardíacas, transpiração, dores no peito e sensação de sufocamento, que muitas vezes levam as pessoas a procurar assistência médica de emergência, porque esses sintomas podem fazer com que as pessoas pensem que estão tendo um ataque cardíaco. Outros sintomas comuns incluem desconforto abdominal, vertigem e formigamento generalizado, sensação de formigamento, calafrios ou ondas de calor (semelhantes às que ocorrem em mulheres na menopausa).

Sintomas psicológicos

Os sintomas psicológicos de um ataque de pânico incluem um medo esmagador de perder o controle ou de “enlouquecer”, e um medo de morte iminente. Sofredores de um ataque de pânico também podem experimentar um sentimento de irrealidade ou desapego, o que os faz sentir como se as pessoas e coisas ao seu redor fossem irreais, estranhas ou deformadas, como se estivessem em um sonho; elas também podem ter uma autopercepção alterada, como se elas próprias – ou a totalidade ou parte de seu corpo – fossem irreais ou desligadas de sua consciência. Os nomes técnicos para esses sentimentos são “desrealização” e “despersonalização”.

Um ataque de pânico pode seguir um estado de tranquilidade emocional ou de ansiedade, e quando o ataque termina, a pessoa pode retornar a qualquer estado. A maioria das pessoas que tiveram um ataque de pânico descrevem o primeiro como sendo um relâmpago em um céu azul, acontecendo sem qualquer aviso. No entanto, quando olham para as semanas ou meses anteriores, muitas vezes podem identificar algum evento estressante em sua vida ou ambiente, muitas vezes relacionado a problemas interpessoais (no trabalho, na família ou no relacionamento amoroso) ou a doenças ou luto. Algumas pessoas só têm um ataque de pânico; outros os experimentam ocasionalmente ou com frequência.

O medo do medo

Neste último caso, o sistema natural de “alerta” de tais pessoas torna-se permanentemente ativo, criando um “medo do medo”; eles estão constantemente aterrorizados com a possibilidade de outro ataque de pânico. Essa condição em si os predispõe fortemente a outras manifestações de intensa ansiedade, criando um ciclo de feedback negativo.

Agorafobia

A experiência de um ataque de pânico é muitas vezes complicada, segundo Vincelli, pelo aparecimento da agorafobia, um distúrbio que leva o nome da palavra grega “agora”, um espaço público aberto.

A agorafobia consiste em um grande medo ou ansiedade relacionada a estar em certos lugares ou situações, como andar em transporte particular ou público; estar em espaços abertos ou fechados; esperar em uma fila; estar em uma multidão; ou apenas sair de casa sozinho. As pessoas que tiveram ataques de pânico evitam situações em que pode ser difícil para elas escaparem ou onde não teriam acesso para ter ajuda se tivessem outro ataque de pânico ou algum outro problema que pudesse fazê-las sentirem vergonha, como vomitando ou sendo incontinente.

A agorafobia, em suas formas mais intensas, pode limitar significativamente a vida social e profissional de uma pessoa; algumas pessoas acabam ficando em casa, ou tendo uma necessidade absoluta de um companheiro para enfrentar o mundo exterior – o chamado “companheiro de fobia” – sem as quais se sentiriam perdidas e incapazes de enfrentar as situações que desencadeiam sua fobia.

Conselhos para aqueles que sofrem de ataques de pânico

Que conselho o autor dá àqueles que sofrem de ataques de pânico? Acima de tudo, explica Vincelli, é importante tornar-se mais consciente dos estressores que põem em risco nosso equilíbrio psicológico, sejam esses estressores passados ​​ou presentes. Ele então aponta que os ataques de pânico são situações temporárias que geralmente duram cerca de 10 minutos, e durante os quais os sintomas físicos não são o resultado de uma doença biológica, mas são canais para descarregar a tensão psicológica acumulada. Entender a natureza e a origem do que está acontecendo pode ajudar a reduzir o estresse, a ansiedade e o medo.

Pessoas que sofrem de um ataque de pânico podem se beneficiar de um esforço para respirar mais lenta e profundamente, porque a respiração curta e superficial comum durante um ataque de pânico piora os sintomas físicos, o que aumenta a ansiedade. Também pode ser útil desviar sua atenção do próprio corpo e concentrar-se no ambiente externo, de modo a deter a espiral descendente de ansiedade que se alimenta dos sintomas físicos.

Ao lidar com ataques de pânico, especialmente se você os tiver frequentemente, é vitalmente importante procurar ajuda profissional. Um psicoterapeuta pode fornecer a medicação apropriada e a psicoterapia necessária para ajudar o paciente a entender os mecanismos da ansiedade e ensiná-los técnicas comportamentais para ajudá-los a enfrentar a ansiedade com mais sucesso.

Sofrer ataques de pânico não é inevitável, nem eles têm que durar para sempre. Um ataque de pânico é um estado psicológico transitório, composto de pensamentos e comportamentos irracionais que, com a devida ajuda, podemos aprender a superar.


KOBIETA W OKNIE

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Tags:
Bem estarPsicologiaSaúde
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