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Campanha mundial de Pentecostes: Nova meditação do padre Cantalamessa

OWOCE DUCHA ŚWIĘTEGO

Fr Lawrence Lew OP/Flickr

Raniero Cantalamessa - publicado em 29/05/19

Uma proposta do novo serviço unificado da Renovação Carismática Católica

Publicamos a segunda meditação composta pelo padre Raniero Cantalamessa O.F.M Cap., pregador da Casa Pontifícia, em preparação do grande encontro que o Papa Francisco presidirá no dia 9 de junho, no Vaticano, com ocasião de Pentecostes (www.charis.international).

A meditação integra a campanha de oração pela Igreja lançada pelo novo serviço unificado da Renovação Carismática Católica, criado pela Santa Sé, com o nome de Charis, em preparação de Pentecostes.

A primeira meditação do padre Cantalamessa, que também é assistente eclesiástico de Charis, está disponível aqui: https://pt.aleteia.org/2019/05/06/oracao-para-receber-o-espirito-santo/

* * *

Em nossa jornada de preparação espiritual para o Pentecostes de 2019, já refletimos sobre a importância da oração para receber o Espírito Santo. Nesta segunda reflexão, meditaremos sobre a importância da conversão.

No Evangelho a palavra conversão se apresenta em dois contextos diferentes e é dirigida a duas categorias diversas de ouvintes. A primeira é dirigida a todos, a segunda àqueles que já haviam aceito o convite à conversão e estavam neste processo por algum tempo. Vamos mencionar a primeira apenas para entender melhor a segunda que é mais interessante para nós, neste momento pelo qual passa a Renovação Carismática Católica. A pregação de Jesus começa com as palavras programáticas:

“Completou -se o tempo e o reino de Deus está próximo: fazei penitência e crede no Evangelho” (Mc 1,15).

Antes de Jesus, a conversão sempre significava um ‘retorno’ (a palavra hebraica, shub, significa reverter o curso, refazendo os passos de alguém). Indica o ato de alguém que, em um certo momento da vida, percebe que está ‘fora do caminho’. Então ele pára, reflete e decide retornar à observância da lei e retomar a aliança com Deus, fazendo uma verdadeira ‘inversão de direção’. A conversão, neste caso, tem um significado fundamentalmente moral e sugere a ideia de algo doloroso para realizar: mudar os costumes.

Este é o significado usual de conversão nos lábios dos profetas, até e incluindo João Batista. Mas nos lábios de Jesus esse significado muda. Não porque ele gosta de mudar os significados das palavras, mas porque, com a sua vinda, as coisas mudaram. ‘Completou-se o tempo e o Reino de Deus chegou!’ A conversão não significa voltar àantiga aliança, à observância da lei, mas significa, sobretudo, dar um passo adiante e entrar no reino, agarrando-se à salvação dada aos homens gratuitamente por livre e soberana iniciativa de Deus.

Conversão e salvação invertem de posição. Não mais primeiramente a conversão e depois, como conseqüência, a salvação mas, o contrário: primeiro a salvação, e depois como exigência desta, a conversão. Não mais: convertei-vos e o Reino estará entre vós, o Messias virá, como os últimos profetas haviam dito, mas: arrependei-vos porque o reino veio, está entre vós! Converter é tomar a decisão que salva, a ‘decisão da hora’, como as parábolas do reino a descrevem.

‘Arrepender-se e acreditar’ não significa, portanto, duas coisas diferentes e sucessivas,mas a mesma ação fundamental: convertei-vos, isto é, crede! Convertei-vos, crendo! Tudo isso requer uma verdadeira ‘conversão’, uma profunda mudança na maneira de entender o nosso relacionamento com Deus. Ele pede para passar da idéia de um Deus que pede, ordena, ameaça, para a ideia de um Deus que vem com as mãos cheias para nos dar tudo. É a conversão da ‘lei’ para a ‘graça’ que era tão cara a São Paulo.

Vamos agora ler o segundo contexto no Evangelho, no qual se fala de conversão:

‘Neste momento os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram-lhe: Quem é o maior no reino dos céus? Jesus chamou uma criancinha, colocou-a no meio deles e disse: em verdade vos declaro: se não vos transformardes e vos tornardes como criancinhas não entrareis no reino dos céus’ (Mt 18, 1-4)

Desta vez, sim, essa conversão significa voltar, olhar para trás quando se era criança! O verbo usado, strefo, indica reversão. Esta é a conversão daqueles que já entraram no Reino, que já acreditam no Evangelho, que há muito tempo estão a serviço de Cristo. É a nossa conversão, de nós que temos participado durante anos, talvez desde o começo, da Renovação Carismática!

O que aconteceu com os apóstolos? O que a discussão sobre quem é o maior sugere? Que a maior preocupação não é mais o reino, mas o lugar que nele o eu ocupa. Cada um deles tinha algum título para aspirar ser o maior: Pedro recebera a promessa da primazia, Judas cuidava do dinheiro, Mateus podia dizer que havia deixado mais coisas que os outros, André que tinha sido o primeiro a segui-lo, Tiago e João que haviam estado com Ele no Tabor… Os frutos dessa situação são óbvios: rivalidade, suspeita, confronto, frustração.

Voltarem a ser como crianças para os apóstolos, significava retornar ao que eles eram no momento do chamado nas margens do lago ou na mesa coletando impostos: despretensiosos, sem títulos, sem comparações entre eles, sem inveja, sem rivalidades. Ricos apenas de uma promessa (‘Eu farei de vós pescadores de homens’) e de uma presença, a de Jesus, voltando ao tempo em que eles ainda eram companheiros de aventura, não competidores em busca do melhor posto. Para nós também, o sermos como crianças significa retornar ao momento em que, pela primeira vez, fizemos uma experiência pessoal com o Espírito Santo e descobrimos o que significa viver sob o senhorio de Cristo. Quando dizíamos: Jesus nos basta!’ E nós acreditávamos nisso.

Fico impressionado com o exemplo do apóstolo Paulo descrito em Filipenses 3. Após fazer a experiência de Jesus como seu Senhor, ele considerou todo o seu passado glorioso como perda, lixo, a fim de ganhar a Cristo e exercer a justiça derivada da fé nele. Mas, um pouco mais adiante, ele sai com esta afirmação: ‘Consciente de não tê-la aindaconquistado, só procuro isto: prescindindo do passado e atirando -me ao que resta para frente’ (Fp 3, 13). Que passado? Não mais de fariseu, mas de apóstolo. Percebeu operigo de se ver com um novo ‘eleito’, possuidor de uma ‘justiça’ própria, derivada do que ele fizera a serviço de Cristo. Ele redefine tudo com essa decisão: ‘Eu prescindo dopassado, e me atiro para o futuro’.

Como não podemos ver em tudo isto uma lição preciosa para nós da Renovação Carismática Católica? Um dos muitos slogans que circularam nos primeiros anos da Renovação – uma espécie de grito de guerra – era: ‘Restituindo o poder a Deus!’ Talvez ele tenha sido inspirado no verso do Salmo 67, 35 ‘Reconhecei o poder de Deus!’, que na Vulgata foi traduzido como ‘Restituir (reddite) a Deus o seu poder’. Durante muito tempo, considerei essas palavras como a melhor maneira de descrever a novidade da Renovação Carismática. A diferença é que antes eu pensava que este clamor era dirigido ao resto da Igreja e nós éramos aqueles que estavam encarregados de fazê-lo ressoar; agora penso que se dirige a nós que, talvez sem perceber, nos apropriamos em parte do poder que pertence a Deus.

Em vista de um novo recomeço desta corrente de graça chamada Renovação Carismática, é necessário ‘esvaziar os bolsos’, redefinir-se, repetir com profunda convicção as palavras sugeridas pelo próprio Jesus: ‘Somos servos inúteis. Fizemos oque tínhamos que fazer ‘(Lc 17,10). Faça o propósito do Apóstolo: ‘Eu prescindo do passado, e me lanço para o futuro’. Vamos imitar os ‘vinte e quatro anciãos’ doApocalipse que ‘depunham suas coroas diante do trono’ e proclamavam: ‘Tu és digno, óSenhor nosso Deus, de receber glória, honra e poder’ (Ap 4, 10-11).

A palavra de Deus dirigida a Isaías é sempre atual: ‘Eis que faço obra nova: a qual jásurge, não a vedes?’ (Is 43, 19). Bem-aventurados somos nós se permitirmos que Deusfaça a obra nova que ele tem em mente agora para nós e para a Igreja.

Minha sugestão para este tempo de oração: repetir várias vezes durante o dia uma das invocações dirigidas ao Espírito Santo na Seqüência de Pentecostes, aquela que corresponde a sua maior necessidade:

Ao sujo, lavai.

Ao seco, regai,

curai o doente.

Dobrai o que é duro,

guiai no escuro,

o frio aquecei.

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