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Nigéria: sacerdote denuncia ataque seletivo contra comunidades católicas

CHRZEŚCIJANIE W NIGERII

AFP/EAST NEWS

Fundação AIS - publicado em 05/06/19

Violência contra as comunidades cristãs por parte de elementos das chamadas tribos Fulani

A Nigéria tem vivido, desde 2009, uma onda de violência imparável por parte de um dos mais temíveis grupos terroristas da atualidade: o Boko Haram. Este grupo terrorista de inspiração jihadista – que procura a instauração de um ‘califado’ na região norte do país – tem protagonizado inúmeros ataques contra a comunidade cristã, com atentados em igrejas e capelas, mas também em marcados, instalações militares, escolas e edifícios da administração pública. O balanço desta onda de violência é dramático: quase 30 mil mortos e cerca de 2 milhões de deslocados.

Recentemente, o Padre Policarpo Lamma, da Diocese de Jalingo, situada no nordeste da Nigéria, participou numa iniciativa da Fundação AIS em Malta e denunciou a existência de uma outra realidade, igualmente dramática mas muito menos conhecida no Ocidente: a violência contra as comunidades cristãs por parte de elementos das chamadas tribos Fulani.

Nesse encontro em Malta, o Padre Policarpo referiu inúmeros exemplos de ataques levados a cabo por estes pastores nómadas contra aldeias cristãs provocando um número incontável de vítimas.

“Desde 2014 até hoje, quase mil pessoas” foram mortas pelos Fulani, afirmou o Padre Policarpo Lamma neste encontro da Fundação AIS que decorreu no passado mês de Abril em Malta. “Vi muitos cadáveres e feridos que foram atacados à machadada pelos Fulani. Houve enterros em massa.”

Desde sua ordenação em 2007, o Padre Policarpo tem vindo a trabalhar em áreas atingidas pela violência contra a comunidade cristã, procurando acompanhar os fiéis que vivem em aldeias rurais na região nordeste da Nigéria.

Há precisamente um ano, no dia 5 de Junho de 2018, a própria casa paroquial do Padre Policarpo foi atacada por pastores Fulani, tendo sido incendiada e destruída, assim como praticamente toda a sua aldeia. “Foi no dia do meu aniversário que os Fulani vieram e nos atacaram…” O Padre Policarpo Lamma escondeu-se debaixo de um monte de lixo durante a noite e conseguiu escapar ao ataque.

“Eles invadem as nossas terras e matam o nosso povo. Se forem agora a qualquer local, como a minha diocese, a minha própria paróquia, não verão qualquer igreja nas aldeias. Os edifícios foram todos destruídos por eles…”

Para o Padre Policarpo, por trás da violência dos pastores muçulmanos Fulani está um propósito evidente de se atingir especificamente a comunidade cristã na Nigéria. “Quando eles vêm, costumam usar as palavras ‘Allahu Akbar’, ‘Deus é grande’. Então, se é para lutar contra um determinado grupo, porquê usar estas palavras? Isto implica que eles lutam contra os Cristãos. Portanto, eles destroem as casas dos Cristãos e as igrejas.”

A prova de que se está perante uma violência organizada contra uma comunidade religiosa é, para o Padre Policarpo Lamma, o facto de se poderem “ver as mesquitas por todo lado, intactas”. Ao contrário das igrejas e capelas que são alvo de atentados e de ataques. “Isto demonstra ser especificamente um ataque selectivo contra os Cristãos”, acrescenta o sacerdote que aproveitou este encontro no coração da Europa para deixar um apelo “à comunidade internacional para olhar para o nosso problema”.

Um apelo que se estende também à generosidade dos cristãos para com as instituições que no terreno têm vindo a providenciar ajuda concreta às comunidades cristãs vítimas de perseguição, como é o caso da Nigéria. “Peço às pessoas para que também ajudem a Fundação AIS, a fim de que o seu apoio possa chegar àqueles que realmente precisam, como nós, sobretudo na Nigéria”.

(Departamento de Informação da Fundação AIS)

Tags:
PerseguiçãoViolência
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