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Os clérigos e a política

POLSCY BISKUPI, PEDOFILIA
Damian Klamka/EAST NEWS
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A hierarquia deve se pronunciar sempre que estiverem em jogo a fé e a moral

Alguns perguntam como a hierarquia da Igreja – em especial, Bispos e Sacerdotes – deve se portar em relação à vida política de uma nação. Eis a resposta.

A hierarquia da Igreja não deve se envolver em política, no que diz respeito a emitir juízos sobre qual seria a melhor forma de governo (monarquia, presidencialismo, parlamentarismo) ou preferir determinados partidos políticos (de direita, de centro ou de esquerda). Aos clérigos cabe, pois, a missão de rezar com o povo e pelo povo de Deus, administrar os sacramentos, ouvir, conversar, orientar, sempre visando à salvação eterna de todos os que são a eles confiados em suas paróquias ou dioceses.

Aos leigos, sim, compete fazer política no sentido profissional da palavra. Cabe-lhes o direito de, à luz do Evangelho, não de ideologias (cf. Papa Francisco. Audiência de 04/03/19. L’Osservatore Romano, 12/03/19, p. 8/9), transformar a realidade sociocultural deste mundo visando o benefício de todos. Bem formados por seus pastores, esses leigos darão testemunho de Jesus Cristo, Nosso Senhor, ao mundo, por meio de suas ações políticas, com plena responsabilidade e liberdade, ou seja, atuando como adultos na fé, por sua conta e risco.

A hierarquia, contudo, deve se pronunciar sempre que estiverem em jogo a fé e a moral. Sim, pois, se é lícito (e é) ao fiel católico filiar-se, votar ou apoiar partidos políticos diversos, ou ainda defender diferentes sistemas de governo, nunca é lícito contrariar a fé e a moral da Igreja. Daí, escrever, de modo esclarecedor, o Pe. J. M. I. Langlois: “A Igreja afirmou sempre que a ordem social faz parte da ordem moral, em que se joga o destino último e sobrenatural do homem sobre a terra. Ela tem, pois, o direito e o dever de fazer ouvir a sua voz quando a sociedade se afasta da reta ordem natural. O Concílio Vaticano II declara que ‘é de justiça que a Igreja possa dar em qualquer momento e em toda parte o seu juízo moral, mesmo sobre matérias relativas à ordem política, quando assim o exijam os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas, utilizando todos e somente aqueles meios que sejam conformes ao Evangelho e ao bem de todos, segundo a diversidade de tempos e situações’ (Gaudium et Spes, n. 76).”

“Os juízos do Magistério eclesiástico sobre matérias políticas e sociais devem basear-se em verdades reveladas, isto é, devem referir-se ao fim sobrenatural do homem. Partindo desta condição, a Igreja tem pleno direito de intervir, mesmo fazendo uso da sua autoridade – dando critérios de ação uniformes aos católicos –, sempre que estejam em jogo os direitos de Deus ou da Igreja, bem como a salvação das almas. Deve rejeitar-se, portanto, o critério laicista de uma pretensa abstenção da Hierarquia em tais matérias, o que reduziria o seu âmbito ao puro e especificamente religioso, como se a religião pudesse separar-se geometricamente das demais dimensões que constituem o homem integral” (Igreja e política. São Paulo: Quadrante, 1987, p. 31).

Um fato oportuno conclui este artigo: no século XII, o rei João Sem Terra (1199-1216), da Inglaterra, pediu ao Papa Inocêncio III (1198-1216) que fosse juiz de uma questão entre ele, João, vassalo, e o rei Filipe, da Espanha, senhor feudal, a propósito de algumas posses de terras da Inglaterra, portanto, de João, no continente. O Papa respondeu que não julgaria a questão, pois, de si mesma, era um assunto temporal; só faria o julgamento se no caso entrasse um fundo moral ou em razão de pecado (ratione peccati).

Aqui, sim, é o campo específico da Igreja (cf. Inocêncio III. Epistolae VII 42, Patrologia Latina 215,326; cf. também: Bonifácio VIII. Bula Unam Sanctam, de 1302, em Denzinger-Schönmetzer n. 875 [469]).

A Igreja, portanto, não diz em quem votar, mas pode (e até deve) dizer em quem não votar: nos partidos defensores do aborto, da ideologia de gênero, do laicismo etc. Afinal, o fiel católico que apoia (ou não denuncia), conscientemente, essas ideologias anticristãs está, de modo objetivo, em pecado grave. Em razão do pecado, Dom Thomas Paprocki, Bispo de Springfield (EUA), em conformidade com o cânon 915 do Código de Direito Canônico, proibiu políticos defensores do aborto de comungarem em sua Diocese (cf. Religión en libertad, 07/06/19).

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