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Drama dos refugiados: 70 milhões de pessoas em fuga no mundo

REFUGEE
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Em 2018, apenas 92.400 refugiados foram reassentados, menos de 7% dos que aguardavam reassentamento

70,8 milhões de pessoas em fuga, um número que ultrapassa o dobro do número de vinte anos atrás, destaca o ACNUR a agência da ONU para os refugiados no relatório Global Trends, porque a crise na Venezuela, em particular, só se reflete neste número por suposição. Refugiados, requerentes de asilo e pessoas deslocadas internamente, os três principais grupos. Em 2018, uma em cada 108 pessoas era refugiada, de acordo com o relatório, e uma em cada duas era menor de idade. Em particular, Uganda registou 2.800 crianças refugiadas com menos de 5 anos de idade, sozinhas ou separadas das suas famílias. Os países mais pobres recebem um terço de todos os refugiados em todo o mundo, enquanto 80% dos refugiados vive em países limítrofes dos seus países de origem.

Em 2018, apenas 92.400 refugiados foram reassentados, menos de 7% dos que aguardavam reassentamento. Cerca de 593.800 refugiados puderam regressar ao seu país, enquanto 62.600 adquiriram nova cidadania através da naturalização. Em 2018, foram apresentados 1,7 milhões de novos pedidos de asilo em todo o mundo. Os Estados Unidos da América foram o país que recebeu o maior número de novos pedidos individuais (254.300), seguido do Peru (192.500), Alemanha (161.900), França (114.500) e Turquia (83.800).

“Enquanto a linguagem muitas vezes usada para falar de refugiados e migrantes tende a dividir, ao mesmo tempo estamos testemunhando manifestações de generosidade e solidariedade, especialmente por parte das mesmas comunidades que recebem um grande número de refugiados. Estamos também assistindo a um envolvimento sem precedentes de novos atores, incluindo aqueles que estão comprometidos no desenvolvimento, as empresas privadas e indivíduos, que não só reflete, mas também põe em prática o espírito do Pacto Global para os Refugiados”, afirmou Filippo Grandi, Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados.

Conflitos e pobreza

“O número de refugiados é muito alto e isso se deve a conflitos e crises humanitárias que, infelizmente, não acenam a encontrar uma solução – diz Federico Fossi, um dos porta-vozes do ACNUR aos microfones da Rádio Vaticano Itália -, o aumento desses números foi registrado no início de 2011 com a crise síria, mas infelizmente se somam novos conflitos, como o do Iêmen, Sudão do Sul e conflitos que parecem não encontrar uma solução, como no Afeganistão, República Democrática do Congo e muitos outros. É um número elevado que infelizmente continua a crescer – continua Fossi -, também porque o regresso dos refugiados às suas casas está diminuindo, precisamente porque as condições de segurança nos seus países não permitem um retorno seguro”.

O relatório do ACNUR foi publicado na véspera do Dia Mundial do Refugiado para comemorar a aprovação, em 1951, da Convenção sobre os Refugiados pela Assembléia Geral da ONU. Uma recorrência, disse o Papa no domingo passado na cidade de Camerino, que “convida todos à solidariedade com homens, mulheres e crianças que fogem de guerras, perseguições e violações dos direitos fundamentais”.

O Papa tem sido realmente um farol na comunicação e adoção de políticas em favor dos refugiados”, disse Andrea Pecoraro, representante do ACNUR no encontro “Migrantes e refugiados. Contribuições e desafios do presente”, que teve lugar manhã desta quarta-feira na sede da Rádio Vaticano. “O tema dos refugiados no seu pontificado está sempre no centro da sua ação”, explica Pecoraro, a atenção aos migrantes forçados… A sua primeira visita a Lampedusa para nós foi um sinal muito claro das suas acções. O Papa, nas suas ações, nas suas palavras e nos seus gestos quotidianos, lembra-nos de nos concentrarmos na proteção dos refugiados”.

(Vatican News)

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