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Fariseus, saduceus, essênios e zelotes: quem eram esses grupos do tempo de Jesus?

Jesus fariseus saduceus
James Tissot / Domínio Público
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Entenda as principais características desses importantes grupos que viviam na sociedade judaica do primeiro século

Os Evangelhos nos contam diversos episódios da vida de Jesus em que Ele entra em contato com membros de diferentes grupos que existiam na sociedade judaica do século I.

Esses grupos se diferenciavam de diversas maneiras, mas o ponto-chave da sua identidade era a sua forma de interpretar e viver a religião do povo de Israel.

Fariseus

Jesus na casa do fariseu (Jacopo_Tintoretto / Domínio Público)

Em hebraico, eram chamados de “perushim”, palavra que quer dizer “segregados”. Eles davam ampla importância às formalidades externas na vivência da religião, em particular no tocante às leis de pureza ritual, dentro e fora do templo. Essas normas de pureza, estabelecidas prioritariamente para o culto religioso, foram se transformando para eles num ideal de vida em todas as dimensões do dia-a-dia. Com isso, as ações banais do cotidiano se tornaram quase ritualizadas para eles. Além da Torá, ou Pentateuco, que eram os livros sagrados originais do judaísmo, os fariseus foram recopilando também uma longa série de tradições e detalhes formais relativos ao cumprimento minucioso das prescrições religiosas. Esse conjunto de regras chegou a ser visto praticamente como uma complementação da Torá, e, portanto, como lei atribuída a Deus e dotada da mesma força vinculante das Escrituras.

Zelotes

James Tissot / Domínio Público

Uma parte dos fariseus também atribuía importância religiosa à situação política do seu povo, no sentido de que nenhum poder estrangeiro deveria ser imposto à soberania do Deus de Israel. Por essa razão, eles consideravam a independência nacional uma questão fundamental a ser defendida. Esses fariseus nacionalistas e politicamente engajados contra a dominação romana eram chamados de zelotes, um termo provavelmente cunhado por eles próprios em alusão ao zelo por Deus e pela lei judaica. Na visão dos zelotes, Deus solicitava a colaboração humana para conceder ao povo eleito a salvação: essa colaboração começava pelo âmbito religioso, exigindo grande zelo no cumprimento estrito da lei, mas também abrangia o âmbito militar, justificando o uso da força e da violência caso fosse necessário para garantir a independência. Nesse contexto, os verdadeiros zelotes não deviam ter medo de morrer em combate, porque essa morte era entendida como martírio em nome de Deus.

Saduceus

Saduceu representado em ilustração do século XV (Crônicas de Nuremberg)

Diferentemente dos fariseus e zelotes, os saduceus eram membros da alta sociedade judaica: não apenas eram ricos e cultos, como, além disso, muitos deles eram membros de famílias sacerdotais, ou seja, ligados aos sumos sacerdotes, que, na época, representavam politicamente os judeus diante do poder imperial romano. Esse poder tanto religioso quanto político os tornava altamente influentes na sociedade, mas não lhes garantia popularidade nem apreço: eram mais temidos do que respeitados. É significativo observar que, embora representassem o alto clero judaico, os saduceus não acreditavam na vida após a morte e, portanto, não compartilhavam das esperanças religiosas alimentadas pelos fariseus e pelos zelotes. Além disso, os saduceus cultivavam uma interpretação mais flexível da Torá, deixando de lado as numerosas questões casuísticas às quais os fariseus davam gigantesca importância.

Essênios

Ruínas de Qumran (Wikipédia / CC)

O historiador Flávio Josefo nos legou relevantes dados sobre o estilo de vida e as crenças desse grupo de ascetas, mas a fonte mais importante de informação a seu respeito são os assim chamados Manuscritos do Mar Morto, um conjunto de documentos em papiro e pergaminho encontrados na região de Qumran, onde a comunidade essênia tinha se estabelecido. Os essênios repudiavam a forma de culto praticada no templo de Jerusalém porque a consideravam degradada. Em consequência dessa visão, eles se afastaram dessas práticas e se transferiram para o deserto, visando separar-se da contaminação de quem tinha, a seu ver, pervertido a pureza da religião. Seu propósito, com isto, era restaurar a santidade do povo eleito a partir do âmbito da sua própria comunidade, renunciando ao contato com o restante da sociedade – inclusive e principalmente com o templo e com o culto oficial de Jerusalém. A comunidade essênia se considerava um templo imaterial, substituindo provisoriamente o templo físico de Jerusalém até que ele fosse purificado dos cultos indignos que, segundo os essênios, eram lá realizados.

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