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China: bispo a quem autoridades proibiram funeral público foi "gigante na fé"

Antoine Mekary | Aleteia | i.Media

Fundação AIS - publicado em 26/06/19

A vida de D. Esteban Li Side foi exemplar pelo compromisso de lealdade para com o Santo Padre e o Vaticano

As autoridades chinesas proibiram o funeral público e o enterro num cemitério católico ao Bispo de Tianjin, D. Stefano Li Side, falecido a 8 de Junho com 92 anos de idade. Sempre fiel ao Vaticano e ao Papa, este prelado pertencia à chamada Igreja Clandestina tendo passado quase duas décadas em campos de trabalhos forçados e encontrava-se, desde 1992, em prisão domiciliária.

Agora, após o seu falecimento, a Associação Patriótica Católica, o organismo criado pelo governo chinês para o controlo da Igreja no país e à qual o Bispo de Tianjin sempre recusou pertencer, proibiu o enterro do prelado num cemitério católico e condicionou fortemente as cerimónias fúnebres.

O Padre Ricardo Teixeira, que conheceu pessoalmente D. Esteban Li Side, afirma, em declarações à Fundação AIS, que este Bispo da Igreja Clandestina “foi um gigante na fé”, e lembra que “o seu coadjutor, que ainda está vivo, está em prisão domiciliária”.

O sacerdote português, dehoniano, de 39 anos de idade, viveu durante cerca de 4 anos na República Popular da China, entre 2013 e 2017. Durante esse período, o Padre Ricardo contactou com a chamada Igreja Clandestina, fiel ao Papa, e que tem vindo a ser alvo de uma forte política repressiva por parte das autoridades comunistas.

Entre os contactos estabelecidos, o Padre Ricardo acabou por conhecer D. Esteban Li Side, falecido a 8 de Junho. “Ele estava preso, em casa”, tal como o seu coadjutor, o que transforma esta diocese num caso evidente de perseguição por parte das autoridades chinesas. “É uma diocese com os dois bispos presos”, afirma o sacerdote português que fala da comunidade católica local como um exemplo “absolutamente extraordinário” de coragem e fidelidade.

O Padre Ricardo Teixeira esteve essencialmente em Pequim durante os quatro anos de trabalho na China, mas chegou a participar em missas na diocese de Tianjin, a que pertencia o Bispo agora falecido. “Eu cheguei a celebrar – de Tianjin a Pequim são trinta minutos de comboio – lá, era relativamente fácil ir lá para celebrar.”

A vida de D. Esteban Li Side foi exemplar pelo compromisso de lealdade para com o Santo Padre e o Vaticano. Segundo a Agência Católica de Informações, D. Esteban nasceu em 3 de Outubro de 1927, em Zunhua (Hebei), no seio de uma família tradicional católica, tendo sido ordenado sacerdote a 10 de Julho de 1955 após ter estudado em diversos seminários, entre os quais o de Wen Sheng, em Pequim.

Com a instituição em 1958 da Associação Patriótica pelo governo chinês como forma de controlar a vida da Igreja Católica, o padre Li foi preso e esteve em cativeiro até Fevereiro de 1962, retomando então o serviço na Catedral de São José, em Tianjin. “Foi preso novamente em 1963 e, até 1980, cumpriu uma sentença em campos de trabalhos forçados. Em 15 de junho de 1982, foi ordenado em segredo como Bispo de Tianjin, mas não foi reconhecido pelo governo comunista. Em 1989, foi preso pela terceira vez depois de participar da Assembleia da Conferência Episcopal Chinesa que reivindicou ao regime maior liberdade religiosa. Em 1991, foi libertado e retornou à Catedral de São José em Tianjin.”

Em 1992, as autoridades obrigaram-no a ir viver para a aldeia de Liang Zhuang Zi, numa região montanhosa, “onde permaneceu em prisão domiciliar até à sua morte”. A agência católica de informações esclarece ainda que, desde 2007, “a maioria dos sacerdotes da Igreja oficial expressou a sua obediência a D. Li Side.”

Para o Padre Ricardo Teixeira é incompreensível a proibição do funeral público do Bispo de Tianjin, até porque “já tinha morrido, já não ia falar mal, se é que ele alguma vez falou mal” do governo ou das autoridades. “Era um homem de um amor enorme à Igreja e o amor dele pelo país – não pelo governo, mas pelo país – não era menor. E também pela cultura. Posso dizer que amava muito a Igreja e amava muito a China…”

O Padre Ricardo conheceu pessoalmente D. Stefano Li Side, que tinha uma saúde debilitada especialmente após ter sofrido um AVC. No entanto, nunca falou diretamente com ele sobre a amargura de viver clandestinamente o mandato episcopal.

“Ele nunca falou disso, nem eu puxei a conversa já que não devia ser um tópico muito agradável”, explicou o sacerdote português. No entanto, o Padre Ricardo sabia da sua experiência de 17 anos de prisão “em campos de concentração, campos de trabalho forçado, campos de reeducação, como agora se ouve de vez em quando falar”, mas também dos tempos em que foi “bispo passando a maior parte da sua vida encarcerado, mesmo que tenha sido em prisão domiciliária”, experiência que representou igualmente um enorme sacrifício, até pela privação de contactos com os fiéis e pela impossibilidade de acesso a cuidados médicos.

Actualmente, a Diocese de Tianjin tem cerca de 100 mil fiéis que são atendidos, assegura a agência de notícias ACI, “por 40 sacerdotes oficiais e 20 não oficiais ou subterrâneos”, pertencentes, portanto, à chamada Igreja Clandestina.

Para o padre dehoniano português, não há qualquer dúvida de que D. Stefano Li Side “foi um gigante na fé, ele e o seu coadjutor que ainda está vivo e que está em prisão domiciliária”. Trata-se de D. Melchor Shi Hongzhen, de 92 anos, que está detido em casa numa cidade montanhosa na região. “Com ele – explica o Padre Ricardo Teixeira – tem sido impossível o contacto.”

(Departamento de Informação da Fundação AIS)

Tags:
MundoPerseguição
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