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Como eu comecei a acreditar que a Eucaristia é realmente Jesus

George Martell BostonCatholic | CC BY-ND 2.0

Tom Hoopes - publicado em 05/07/19

Na verdade, foi Bob Dylan que me alertou...

Quando amigos me disseram na faculdade que eles acreditavam que a Eucaristia não é mais pão, mas realmente Jesus Cristo, verdadeiramente presente, eu não compreendi.

“Quer dizer que você acredita que o pão faz memória de Cristo em sua Última Ceia, certo?”, eu questionei.

“Não”, eles disseram.

Eles não acreditavam que houvesse pão algum depois da consagração. Apenas Jesus. Ele só parecia hóstia.

Depois que entendi o que eles estavam dizendo, achei que eram fanáticos. Em todos os meus anos frequentando a Igreja Católica, nunca aprendera nada tão radical, daquela maneira.

Então, primeiro, eles tiveram de me convencer de que a Igreja realmente acredita nisso.

Hoje, o Catecismo torna essa doutrina muito clara. Mas não havia Catecismo naquela época – e, portanto, não havia maneira simples de descobrir se você estava ouvindo a doutrina real da Igreja ou as ideias peculiares de alguém.

Acho que eles procuraram no livro de Ludwig Ott para provar isso para mim. Uma vez convencido de que a Presença Real era uma doutrina verdadeira, no entanto, ainda achava que era loucura. Por que Deus gostaria assumir a aparência de pão? Por que ele iria querer ser comido?

Bob Dylan me ajudou a entender.

Depois de perder minha fé no ensino médio, eu só me tornei aberto ao cristianismo novamente por causa de Bob Dylan. Eu tinha comprado todos os seus álbuns e amava todos eles – até os cristãos.

Na música-título de seu álbum Saved, Dylan resumiu suas crenças protestantes da seguinte maneira:

Eu estava cego pelo diabo,

Nascido já em ruínas,

Morto de pedra

Quando saí do útero.

Por Sua graça eu fui tocado,

Por Sua palavra fui curado,

Por Seu lado eu fui entregue,

Por Seu Espírito fui selado.

Eu fui salvo

Pelo sangue do Cordeiro

E então ele repete: “salvos pelo sangue do Cordeiro”.

Eu passei a entender o que ele dizia – até certo ponto. Vi como Dylan poderia “nascer já arruinado”. Estamos todos ligados por sangue a Adão e ao pecado.

Mas como poderia o sangue de Jesus brotar na Palestina, dois milênios atrás, para vir salvar Bob Dylan, e a mim, hoje?

Isso acontece espiritualmente, os protestantes acreditam. Mas eu não podia acreditar nisso. Se Deus quisesse que o sangue de Jesus revertesse o que eu havia herdado do sangue de Adão, Seu sangue tinha que estar em mim.

Foi quando eu entendi.

“Se não comerdes a carne do Filho do Homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós mesmos”, disse Jesus, porque “pois a minha carne é verdadeiramente uma comida e o meu sangue, verdadeiramente uma bebida”.

Ele assustou as pessoas com essa fala, relata João, mas Ele quis dizer isso mesmo.

Os apóstolos devem ter ficado aliviados quando perceberam o papel que o pão e o vinho desempenhariam nisso. São Paulo descreveu algumas décadas depois da Última Ceia, por volta do ano 53 (I Coríntios, 11).

É isso. Você foi salvo pelo sangue de Jesus diretamente – não espiritualmente. Até mesmo Bob Dylan pareceu reconhecer isso mais tarde em sua carreira, quando, depois de deixar sua seita cristã, ele cantou: “Eu nunca pude aprender a beber esse sangue e chamá-lo de vinho”.

Muitas leituras bíblicas de repente ganham vida nova,= quando você vê que Deus está preparando o caminho para a Eucaristia: o pão e o vinho de Melquisedeque, o Maná no deserto, o Cordeiro da Páscoa e a multiplicação dos pães.

Mas uma delas fez mais sentido para mim pela primeira vez: a ceia de Emaús. Na passagem, Jesus encontra dois dos seus discípulos após a sua morte. Eles não o reconhecem até ele partir o pão – e então Ele desaparece.

Isso nunca pareceu real para mim. Mais uma vez, eu não gosto de espiritualizar Jesus. Ele fez milagres terrestres, com água e saliva e lama. Ele não fazia truques de mágicos como desaparecer no ar.

Mas eu estava disposto a admitir que ele faria algo estranho assim se estivesse tentando comunicar algo terreno. Mas o que ele estava tentando comunicar?

A Eucaristia deixa claro: não estou mais com você nesta forma (meu corpo), mas nesta forma (hóstia).

E então eu acreditei.

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