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Eritreia: onda de repressão em igrejas e expulsão de religiosas

HARLEM,NEW YORK,BURKINA FASO,CORPUS CHRISTI
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Diversas organizações de defesa dos direitos humanos denunciaram no final da semana passada esta situação

Depois de ter ordenado o encerramento de diversos centros de saúde, as autoridades da Eritreia parecem querer prosseguir uma onda de repressão face à Igreja Católica.

Os episódios mais recentes assinalam a expulsão de diversas irmãs que trabalhavam e viviam em centros de saúde, deixando-as no mais completo abandono.

Diversas organizações de defesa dos direitos humanos denunciaram no final da semana passada esta situação, documentando a expulsão das irmãs com fotografias colocadas nas redes sociais.

Além desta situação, há a registar também o facto, agora conhecido, de diversos agentes de segurança terem entrado e detido alguns fiéis que se encontravam numa igreja na cidade de Keren, a segunda mais importante do país.

Entre os detidos estarão mulheres grávidas e algumas crianças. Esta intervenção das autoridades, no dia 23 de Junho, ocorreu seis dias apenas depois do encerramento de 21 unidades hospitalares administradas pela Igreja Católica, e fazem temer a possibilidade de se estar efectivamente perante uma onda de repressão contra a comunidade cristã na Eritreia.

O encerramento das estruturas hospitalares deixa cerca de 170 mil pessoas sem atendimento e motivou um forte protesto por parte da hierarquia da Igreja Católica.

Numa carta enviada entretanto ao ministro da Saúde da Eritreia, Amna Nurhusein, os quatro bispos da Eritreia referem que o encerramento dessas unidades de saúde, algumas com mais de 70 anos de actividade – é um acto “profundamente injusto”.Soldados do governo, recorde-se, confiscaram os centros de atendimento médico administrados pela Igreja Católica e forçaram os pacientes a levantar as suas camas e a deixarem as unidades de saúde. No conjunto o governo interditou 3 hospitais, dois centros de saúde e 16 clínicas.

Segundo uma fonte da Igreja Católica contactada pela Fundação AIS, em consequência desta acção repressiva por parte das autoridades eritreias, “as pessoas correm risco de morte caso os serviços não sejam retomados rapidamente”, havendo relatos de casos em que pacientes tiveram de percorrer até 25 quilómetros para terem acesso a outras clínicas de forma a prosseguirem com os respectivos tratamentos médicos.

Na referida carta enviada às autoridades, os quatro bispos da Eritreia afirmam que “privar a Igreja de cuidar dessas instituições é minar a sua própria existência e expor os seus trabalhadores à perseguição religiosa”, declarando que a Igreja Católica não entregará as instalações nem os respectivos equipamentos “de livre e espontânea vontade”.

Fonte da Igreja contactada pela Fundação AIS afirma que o governo da Eritreia fechou estas unidades de saúde porque quer ser o único prestador de assistência médica no país.

Estes incidentes voltam a colocar a Eritreia – conhecida como a Coreia do Norte de África, por ser um regime particularmente repressivo – no centro das preocupações no que diz respeito à liberdade religiosa.

Recorde-se que, em Janeiro de 2018, o Departamento de Estado Norte-Americano colocou a Eritreia na lista dos “Países de Especial Preocupação” por causa precisamente das graves violações da liberdade religiosa, ocorridas no país.

(Departamento de Informação da Fundação AIS)

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