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Espera por refúgio incerto nos EUA lota abrigos no México

TIJUANA

OMAR MARTINEZ - DPA

Agências de Notícias - publicado em 17/07/19

A maioria é composta de centro-americanos que fogem da violência em seus países

Quase 50 barracas se espremem uma ao lado da outra para caberem em um galpão escuro e quente na cidade mexicana de Tijuana, onde dezenas de migrantes esperam impacientes para resolver seus cada vez mais incertos processos de pedido de refúgio nos Estados Unidos.

O riso dos garotos que correm pelo local quebra a letargia que paira no ar. Quem não está ajudando na cozinha, ou varrendo o chão, está sentado olhando para o nada, sem muito o que fazer. Seus dias se resumem, basicamente, a esperar.

A maioria é composta de centro-americanos que fogem da violência em seus países e esperam conseguir que os Estados Unidos lhes concedam o status de refugiado.

Por ordem do presidente americano, Donald Trump, eles têm de esperar no México por uma resposta a sua solicitação, e não ao norte da fronteira, como era antes.

“Isso faz os lugares de atenção nas zonas fronteiriças ficarem cheios”, disse à AFP José María García, que dirige este abrigo, o Juventude 2000, que acolhe 150 migrantes e fica a poucos passos da barreira de cobre que divide ambos os países.

“Chega gente de toda a parte e, depois, quem consegue entrar é devolvido para o México. Isso está causando uma superlotação”, completou.

À já existente incerteza quanto aos pedidos de refúgio, somam-se as constantes iniciativas do governo Trump para complicar o processo.

A última foi divulgada nesta segunda-feira (15) e tem como objetivo rejeitar refúgio aos estrangeiros que entrarem nos Estados Unidos pelo México e não tenham solicitado previamente o status de refugiado – sem sucesso – em algum dos territórios pelos quais atravessaram.

O Instituto Madre Asunta, outro abrigo dirigido por freiras a cerca de 5 quilômetros do Juventude 2000, reduziu três vezes sua capacidade em meio ao êxodo em massa de centro-americanos iniciado entre 2015 e 2016.

Pensado originalmente para 44 pessoas, a instituição conta hoje com 130 ocupantes, que se arrumam como podem para ninguém ficar de fora.

Os administradores desses abrigos temem que, se Trump cumprir seu plano de fazer deportações em massa, ou devolver todos os solicitantes que estão reclusos em centros de detenção, o quadro pode se agravar.

Do outro lado da fronteira, a situação é distinta.

O Protocolo de Proteção de Migrantes – mais conhecido como “Permanência no México” e que obriga o solicitante a esperar fora dos Estados Unidos – reduziu o fluxo de pessoas que buscam um teto nos abrigos da zona de San Diego, algumas vezes cheios e que agora “estão ficando vazios”, segundo Hugo Castro, da organização Border Angels.

“São varridos como lixo para o México”, lamenta o ativista, que teme que a situação piore para Tijuana e outras cidades fronteiriças.

A irmã Salomé Limas, de 38 anos, do Instituto Madre Asunta, está em tudo: supervisiona a ampliação de um salão de jogos, que servirá de dormitório à noite, enquanto acaricia a cabeça de uma criança que passa ao seu lado.

Em outro cômodo, voluntários do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) distribuem pinturas, marcadores e papel para crianças.

Brian, de 7 anos, desenha com capricho uma casa que se parece com um abrigo. Ele esclarece e explica que é sua casa em Honduras.

No pátio central deste casarão de paredes azul-claro, mulheres usam o corrimão de uma escada de madeira como varal para a roupa recém-lavada. Muitos recebem roupas como doação, porque chegam ali praticamente sem nada.

Foi o caso de María, que terminou no lugar errado, na hora errada, e presenciou “um massacre” da sanguinária gangue MS-13, em um mercado em Honduras.

Ela trabalhava na limpeza e se escondeu, ao ouvir os disparos. María acabou sendo identificada pelos criminosos, que ameaçaram matá-la e estuprar suas filhas adolescentes.

Com a ajuda da irmã, fugiu como pôde e, após três meses de um difícil e penoso trajeto, chegou a Tijuana.

“Nunca considerei ir para os Estados Unidos, mas se eu voltar, me matam”, disse María, identificada por um pseudônimo por questões de segurança.

María ainda espera por uma “ficha”, um número distribuído diariamente pelos voluntários aos solicitantes de refúgio para ter uma ordem no número limitado de casos que os Estados Unidos atendem a cada dia.

(AFP)

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Refugiados
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