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As crianças-cadáveres escravizadas nas minas de coltan do Congo

Junior D. Kannah / AFP

Reportagem local - publicado em 08/08/19

"Os nossos celulares estão manchados com o sangue das 'crianças-cadáveres'", afirma o padre que resgata crianças do inferno da escravidão

O site da diocese espanhola de Málaga publicou em agosto de 2019 uma impactante entrevista com o pe. Willy Milayi, missionário da Imaculada Conceição que resgata crianças de rua no Congo, seu país natal, e lhes fornece abrigo e educação a fim de livrá-las do inferno das minas de coltan, onde trabalham de modo forçado e em situação de escravidão.

(Atualização em 15 de julho de 2020: Infelizmente, a situação não é datada: apesar de ser uma reportagem de quase um ano atrás, a situação permanece muito preocupante. Aliás, as coisas têm piorado no Congo, que enfrenta simultaneamente a pandemia de covid-19, uma nova epidemia de ebola e o pior surto de sarampo da sua história).


CONGO PROTEST

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O sacerdote congolês explica que esse mineral, resultante da mistura de columbita e tantalita, é usado na fabricação de dispositivos eletrônicos como celulares. Por ser escasso, tem muito valor econômico, fato que explica por que a exploração das minas na República Democrática do Congo está nas mãos de guerrilhas.

O pe. Willy contou o caso de um menino que percorreu mais de 6.000 quilômetros para fugir da escravidão a que era submetido.

“Vocês podem imaginar as condições de miséria em que ele chegou. Mas só estava procurando alguém que o escutasse. Ele chegou destruído de dor. Depois que lhe demos comida, ele contou sobre a vida dele. Os milicianos tinha expulsado a família dele de casa, mãe, pai, irmãs e ele próprio, e levaram todos para a selva com duas propostas: morrer ou trabalhar para eles tirando coltan das minas das 6 da manhã até as 7 da noite. Trabalhavam a 200 metros de profundidade para tirar 15 sacos de coltan por dia. E ganhavam 2 dólares por mês”.

Quando explodiram revoltas contra as guerrilhas, os milicianos reagiram com ainda mais brutalidade:

“Estupraram e mataram a mãe daquele menino na frente dele. Depois fizeram a mesma coisa com as irmãs de 17 e 13 anos e mataram o pai dele. Ele conseguiu fugir, mas me dizia chorando: ‘Eu não tenho medo da morte. Eu sou um cadáver. E um cadáver não tem medo da morte’”.

O pe. Willy acrescenta:

“Nossos celulares estão manchados com o sangue das ‘crianças-cadáveres'”.

Há mais de 20 mil crianças de rua só na capital congolesa, Kinshasa. É para elas que os missionários da Imaculada Conceição fundaram um centro educacional, sobre o qual o pe. Willy comenta:

“É um lar onde eles podem aprender um ofício que garanta um futuro fora das minas e que eles nunca mais voltem para a rua. Não podemos resolver todos os problemas, mas damos graças a Deus por cada crianças que podemos resgatar. É um verdadeiro milagre, que as pessoas de boa vontade tornam possível”.

As crianças também aprendem a cuidar umas das outras:

“Já ouvimos vários dizerem: ‘O pe. Willy nos ensinou que temos que ajudar quando crescermos’. Acho que isso é um passo importante. Temos que defender a dignidade da pessoa, imagem de Deus, nossos irmãos. Em nosso mundo essa concepção foi perdida e colocamos os bens materiais acima das pessoas. O que nos mata hoje é a indiferença. Não queremos saber nada dos problemas dos outros e só falamos dos nossos. Mais preocupante que a pobreza material é a pobreza espiritual”.
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