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Redação da Aleteia

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É mais fácil emagrecer do que trabalhar em casa

WORKING MOM
Shutterstock
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Na prática, desenvolver uma atividade remunerada no aconchego do lar exige muito mais que disciplina e concentração

Trabalhar em “esquema home office” se tornou algo cada vez mais frequente de uns 10 anos pra cá. Até pouco tempo, sempre que escutava isso de alguém, logo vinha à minha mente uma rotina que parecia ser a dos sonhos: poder acordar uma hora mais tarde, tomar o café recém-preparado em sua xícara favorita e ler as notícias do dia sem pressa, afinal, você não tem um estressante trânsito para enfrentar antes de chegar ao escritório.

Quem não gostaria de trabalhar o dia todo de pijama ouvindo suas músicas favoritas (sem precisar de fones de ouvido) na tranquilidade do lar, tirar a sesta sem se preocupar em perder a hora e voltar atrasado do horário do almoço e, até mesmo, comer uma grande fatia de bolo na mesa do trabalho? Ah, como tudo parecia perfeito!

Pois bem, por mais que adorasse a convivência com os colegas do escritório, a maternidade, aos poucos, acabou por me levar a trabalhar cada vez mais de casa e, consequentemente, a lidar com algo que não imaginava que seria tão difícil: a autodisciplina.

Mas, partindo do começo, achei que seria fácil, pois quando acabou minha licença-maternidade, eu retomei o trabalho em escala de meio período. Chegava ao escritório por volta das 8h30, iniciava as tarefas do dia e, frequentemente, surgia algo novo para ser feito perto do horário em que meu expediente supostamente deveria se encerrar. Eu, então, trabalhava um pouco mais – o que me fazia, por exemplo, atrasar o horário do almoço do meu bebê –, ou levava trabalho pra casa.

Como eu quase sempre optava por levar o trabalho comigo, conseguia responder e-mails e dar andamento às minhas tarefas enquanto meu bebê dormia. Esse esquema funcionou por cerca de quatro, cinco meses. Porém, à medida que a rotina de sono, alimentação e atividades do meu filho foi se alterando, tudo se degringolou.

Naquela época, meu filho dormia de 2h30 a 3h na parte da tarde e, como sua comida ainda não era 100% sólida, eu servia seu jantar por volta das 18h30, dava banho, amamentava e, por volta das 20h30, ele já estava dormindo. Quando ele acordava perto da meia-noite para mais uma mamada, eu já tinha trabalhado por quase três horas ininterruptas e estava me preparando para dormir.

Dessa maneira, quando meu chefe me ofereceu a oportunidade de trabalhar em casa full time não pensei duas vezes antes de aceitar. Porém, isso coincidiu com o aniversário de um ano de meu filho, e, nessa fase, as coisas se complicaram, principalmente depois que ele passou a compartilhar de nossa comida. 

Como eu passei a me preocupar mais com a qualidade das refeições, comecei a preparar o almoço e incrementar o jantar. Com isso, ao cozinhar e consequentemente ter de limpar a louça, gastava, em média, de duas a três horas na cozinha diariamente.

Outro fato que mudou drasticamente foi o horário do meu filho ir para a cama. Atualmente ele dorme por volta das 22h, um horário terrível, mas se mudar, ele acabará não vendo o pai nos dias em que ele chega mais tarde do trabalho. Com isso, já não consigo mais trabalhar à noite.

Ao longo dos três meses, essas mudanças passaram a impactar na minha produtividade. Com a ajuda de meu marido, comecei a comprometer meus finais de semana trabalhando exaustivamente para cumprir os prazos. Mas a sensação de estar com as tarefas sempre pendentes me fazia mal. Desligar-me da empresa foi algo inevitável, porém me sinto aliviada por ter tentado e esgotado todas as possibilidades.

Ter passado por essa experiência me ajudou a enxergar todas as limitações – e desafios – que envolvem o tal do home office. Hoje atuo como redatora; meu trabalho se baseia essencialmente em escrever e isso exige certa disciplina, pois, sem ela eu dificilmente conseguiria alcançar algumas preciosas horas de concentração.

Raramente tenho de cumprir prazos, mas tento determinar algumas metas de produtividade e, quando consigo alcançar ao menos metade das coisas as quais me propus fazer, já comemoro. Isso porque eu sei que escrever não é algo automático, pois além de muita concentração, preciso também de algumas horas de reflexão e inspiração.

Na maioria dos dias, levanto-me às 7h, tomo meu café na frente do computador para ganhar tempo. Leio notícias, confiro a caixa de e-mails e inicio o editor de texto para começar a esboçar um texto. Porém, se me deixo distrair por algo – como responder uma mensagem recebida no celular ou checar as atualizações dos amigos nas redes sociais – facilmente perco de 30 minutos a uma hora.

Como é importante ter foco, me tornei um pouco “antissocial” no meio digital, mas não me importo. Começo o texto e, muitas vezes, quando estou no meio de uma importante linha de raciocínio, ouço um choro ao longe ou uma voz de criança chamando “Mamãe!”.

Pronto, lá se foi o trabalho matinal! Depois que meu filho acorda, terminar de escrever uma frase vira algo impossível, então desisto e só retomo meu trabalho à tarde, depois que o deixo na escola. Isso quando uma visita não aparece de surpresa, o marido está de folga ou é o dia em que a faxineira vem dar uma geral na casa e precisa de orientações. 

Pois é, como estou sempre em casa, as pessoas esquecem que, na maioria do tempo, estou trabalhando e TENTANDO desenvolver uma atividade intelectual. Foi refletindo sobre tudo isso que dias atrás acabei chegando a conclusão de que é mais fácil emagrecer do que trabalhar em casa, pois, se você é disciplinado, a dieta realmente funcionará. 

Já o home office exige, além de muito foco e disciplina, paciência para lidar com todas as demandas domésticas que eu não tinha quando estava no escritório – ou, se as tinha, lidava com as mesmas no horário em que estava em casa.

Mas não me estresso, pois quando intercorrências assim acontecem eu simplesmente respiro fundo, relaxo e me lembro de uma passagem da Epístola de Tiago que li há pouco tempo e que fiz questão de decorar:

“Deixem que a perseverança complete a sua obra, para que vocês sejam completos e sãos em todos os sentidos, sem lhes faltar nada (Tiago 1,4).”

E assim não desanimo, pois sei que amanhã será outro dia e eu hei de terminar meu texto. Por hora, sigo forte e resistente no meu home office instalado na bancada da cozinha. Esse é o ônus de querer acompanhar de perto essa fase do meu filho. Pode ser que um dia eu mude de ideia mas, por enquanto, quero curtir meu bebezão acordando com preguiça e dizendo “Te amo, mamãe” todas as manhãs.

 

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