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Eleições na Argentina: Alberto Fernández afirma que promoverá o aborto no país

Alberto Fernández

Wikimedia Commons

Aleteia Brasil - publicado em 19/08/19

"Podemos dar um primeiro passo despenalizando-o imediatamente", diz candidato, apontado como provável vencedor das eleições de 27 de outubro

Candidato à presidência da Argentina pela Frente de Todos, Alberto Fernández declarou enfaticamente a sua decisão política de despenalizar e posteriormente legalizar o aborto no país.

A posição do candidato, apontado como o mais provável vencedor das eleições gerais de 27 de outubro, foi explicitada em entrevista do último dia 12 de agosto ao programa “Corea del Centro“, um dia depois que Fernández venceu as eleições primárias contra o atual presidente Mauricio Macri. As eleições primárias na Argentina servem para definir os partidos e candidatos habilitados a participar das eleições gerais, além de serem consideradas um “termômetro” do pleito decisivo.

O candidato, cuja vice é a ex-presidente Cristina Fernández de Kirchner, apelou para a narrativa ideológica segundo a qual legalizar o aborto seria uma “necessidade” para se garantir o bem-estar das gestantes, falácia já desmentida com fatos e estatísticas em muitas outras ocasiões, como durante a audiência do Supremo Tribunal Federal brasileiro sobre a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 442, que discutiu a descriminalização do aborto no Brasil até a 12ª semana da gravidez:


Discursos CNBB pro vida contra aborto

Leia também:
Pela vida, contra o aborto: a íntegra dos 2 discursos da CNBB na audiência do STF

Alberto Fernández declarou:

“Eu tenho a decisão política. Eu tenho a decisão política porque não quero mais que nenhuma mulher morra”.

O candidato diz enxergar duas etapas estratégicas para legalizar o aborto na Argentina:

“Há uma etapa muito fácil que praticamente ninguém deveria discordar, que é a fase de despenalização. Sabe com o que ela acaba? Com a clandestinidade do aborto. Com a despenalização, o aborto deixa de ser clandestino e as mulheres têm muito mais mecanismos para preservarem a saúde. O que não podemos é nos omitir diante do que está acontecendo, e, definitivamente, acho que tem que ser legalizado. Mas acho que podemos dar um primeiro passo despenalizando-o imediatamente e, assim, conseguiremos que o aborto deixe de ser clandestino”.

Essa defesa do aborto pelo candidato da Frente de Todos foi feita menos de uma semana após o Dia Internacional de Ação pelas Duas Vidas, campanha nacional pela preservação da vida da mãe e do bebê que obteve na Argentina uma grande vitória em 8 de agosto de 2018, quando o Senado rejeitou o projeto que visava despenalizar o aborto no país. A assim chamada Onda Celeste, em favor da gestante e do nascituro, se espalhou em seguida para outros países da América Latina.

Foi desse movimento pró-vida que surgiu a Frente NOS, defensora dos valores da família e que também concorre à presidência da Argentina com o candidato Juan José Gómez Centurión, ex-diretor do Banco Nacional. Sua candidata à vice-presidência é Cynthia Hotton, do partido Valores para Meu País.

Caos nos mercados marcaram resultados das primárias

A vitória de Alberto Fernández nas primárias de 11 de agosto, com o consequente aceno à volta do peronismo ao poder na Argentina, lançou os mercados financeiros do país ao caos já na manhã seguinte, com o dólar disparando mais de 15% em relação ao peso, a bolsa caindo 37,93% e a taxa de juros que são pagos pelo Banco Central do país pelas notas do Tesouro de sete dias sendo elevada a 74%.

Embora não sejam a única razão, dadas as incertezas econômicas que afetam todo o planeta, os resultados eleitorais na Argentina exerceram parte da pressão que fez o dólar também subir com força em relação à moeda brasileira, ultrapassando os R$ 4,00 na semana passada. Brasil e Argentina mantêm forte relação comercial, de modo que os altos e baixos na economia de um sempre respingam na do outro.

Tags:
AbortoEconomiaIdeologiaPolítica
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