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Espiritualidade

“Reze para que eu seja santo”

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Vanderlei de Lima - publicado em 27/08/19

Se Deus nos chama a essa meta tão alta: sermos santos como o Pai celeste é santo, é para que nunca paremos de progredir

Encheu-me de alegria essa solicitação a mim dirigida por um seminarista: “Reze para que eu seja santo”.

Além de me fazer ainda mais comprometido com a missão de oferecer minhas orações por esse jovem, o pedido levou-me a refletir sobre a santidade, meta de todo fiel católico consciente da fé que professa.

Desse modo, começo recordando que a Sagrada Escritura traz, em Levíticos 19,2 a exortação do próprio Deus a Israel, seu povo: “Sede santos, porque Eu sou santo”. Exortação que o Senhor Jesus reafirma, em Mateus 5,48, ao recomendar: “Sede santos como o Pai celeste é santo”.

Portanto, devemos, como recomendava, frequentemente, Dom Estevão Bettencourt, OSB († 2008), sacudir a mediocridade e avançar para as águas mais profundas (cf. Lc 5,4) em busca da vida santa em Deus.

Para isso, é preciso, como ensina São Leão Magno († 461), que nós cristãos reconheçamos a nossa dignidade. Realmente, só o pensar que merecemos o sangue redentor de Cristo quando ainda éramos pecadores (cf. Rm 5,6) já é suficiente para renovarmos a cada dia o propósito de, com a graça de Deus, nos esforçar continuamente rumo à santidade.

Se Deus nos chama a essa meta tão alta: sermos santos como o Pai celeste é santo, é para que nunca paremos de progredir. Quem para sucumbe, entregue ao cansaço ou ao desânimo mesquinho. Aquele que é vigilante, porém, merecerá gozar das núpcias do Noivo que chega fora de hora (cf. Mt 25,6-13).

As exortações à vida santa, contudo, não param por aí. Diante do pedido feito pelo seminarista, desejo lembrar ainda que a Lumen Gentium, do Concílio Vaticano II (1962-65), assegura: Todos os fiéis cristãos são, pois, convidados e obrigados a procurar a santidade e a perfeição do próprio estado (cf. n. 40-41).

Essa afirmação conciliar é importante: Todos somos convocados à santidade na vocação que Deus nos deu: bispos, sacerdotes, leigos casados e os consagrados na vida religiosa ou leiga. Ninguém está, portanto, excluído desse apelo do Pai amoroso que nos quer junto d’Ele na Jerusalém celeste para sempre.

Importa, portanto, levarmos uma vida digna da vocação a que fomos chamados (cf. Ef 4,1), pois só assim atingiremos, com a graça divina, a meta sublime da santidade.

É certo, porém, que o alicerce da santidade é a humildade. Só aquele que se reconhece como realmente é (com suas virtudes e defeitos) tem chances de dar passos largos no caminho da própria santificação. O orgulhoso, arrogante, prepotente está longe disso. Ele é tão cheio de si que não passa na porta estreita (cf. Mt 7,13).

Aqui, alguém poderia perguntar: Afinal, como se pode definir um santo? – Respondemos que santo(a) é o (a) pecador(a) que reconhece a sua fraqueza e, por isso, humildemente, pede o perdão de Deus e o auxílio da graça. “Errar é comum a todos os homens, mas pedir perdão é próprio dos santos”, diz Santo Ambrósio de Milão (†397), Bispo e Doutor da Igreja.

Para finalizar, é preciso considerar a seguinte objeção: Não será orgulho do seminarista pedir que outros rezem para que ele seja santo? – De modo algum, pois ele sabe que ninguém é santo para si mesmo, mas para os outros. Foi isso que bem expressou Santa Elizabeth da Trindade, citada por São João Paulo II, na Exortação Apostólica Reconciliação e Penitência, n. 16, ao escrever que “uma alma que se eleva, eleva o mundo inteiro”.

Daí ser importante pedirmos sempre, como ensina o Cardeal Merry del Vall, secretário e amigo do Papa São Pio X, na ladainha da humildade: “Que os outros possam ser mais santos do que eu, contanto que eu pelo menos me torne santo como puder – Ó Jesus, concedei-me a graça de desejá-lo!”.

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