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Religião

Burkina Faso: bispos alertam para tentativa de criação de conflito inter-religioso

HARLEM,NEW YORK,BURKINA FASO,CORPUS CHRISTI

Jeffrey Bruno

Fundação AIS - publicado em 02/09/19

Os grupos jihadistas “foram-se instalando” dentro do país, “atacando o exército, as estruturas civis e a população”

Um ataque jihadista em Koutougou, no norte do Burkina Faso, no passado dia 19 de Agosto, provocou 24 mortos entre um grupo de soldados, sendo que cinco militares foram dados como desaparecidos e outros sete ficaram feridos.

Este novo ataque veio ampliar os receios, por parte da Igreja Católica, de que se poderá estar perante uma ofensiva terrorista com o propósito de criação na região de um conflito inter-religioso.

No início do mês de Agosto, recorde-se, o presidente da Conferência Episcopal do Burkina Faso e do Níger, o bispo de Dori, D. Laurent Birfuoré Dabiré, havia denunciado já os massacres de cristãos por parte de grupos jihadistas que actuam no país com apoio do exterior e que, segundo ele, “estão melhor armados e equipados” do que os elementos do exército nacional. “Se o mundo continuar a não fazer nada, o resultado será a eliminação da presença cristã”, alertou o presidente da Conferência Episcopal.

Os grupos jihadistas – afirmou o prelado – “foram-se instalando” dentro do país, “atacando o exército, as estruturas civis e a população”. Agora – acrescentou o presidente da Conferência Episcopal – “o alvo principal parece ser os cristãos. Eu acredito que eles estão a tentar desencadear um conflito inter-religioso”.

Já em Julho, o Bispo alertava para o risco da “eliminação” da comunidade cristã, após o assassinato de quatro fiéis em Bani, uma localidade situada também no norte do Burkina Faso.

“Se isto continuar assim sem ninguém intervir, o resultado será a eliminação da presença cristã nesta região e, no futuro, talvez também em todo o país”, dizia então o Bispo de Dori em declarações exclusivas à Fundação AIS após o assassinato de quatro cristãos em Bani, uma localidade situada no norte do Burkina Faso.

No referido incidente, ocorrido a 27 de Junho, os habitantes da aldeia foram identificados segundo as suas crenças religiosas, com os terroristas à procura de sinais identificadores dos cristãos, como cruzes, medalhas ou outros símbolos. Em resultado deste ataque selectivo, quatro cristãos foram assassinados, dois dos quais eram irmãos. Ambos traziam um crucifixo ao pescoço.

Segundo D. Laurent Dabiré, após o ataque os extremistas ameaçaram os outros habitantes de que, “se não se convertessem ao islamismo”, também seriam mortos.

Dori, Kaya e Ouahigouya são as dioceses mais atingidas pela violência. O Bispo de Dori revelou ainda que se está a registar uma maior violência desde o ano de 2015. “Anteriormente – disse o prelado –, os terroristas só actuavam na região fronteiriça com o Mali e o Níger, mas a pouco e pouco foram penetrando para o interior”, com ataques a forças do exército e as populações civis.

Perante o avolumar dos incidentes, há um crescente sentimento de insegurança entre a população cristã. Nas declarações à Fundação AIS, D. Laurent recordou o caso do padre da sua diocese, Joël Yougbaré, sequestrado em 17 de Março e sobre o qual nunca mais houve qualquer notícia.

“Até hoje não ouvimos nada sobre ele”, disse o Bispo, acrescentando que “o nível de insegurança está a aumentar constantemente”, a ponto de ser necessário “reduzir a actividade pastoral”. Exemplo disso, D. Laurent confessou à AIS ter sido forçado a encerrar as actividades de duas paróquias para proteger crentes, sacerdotes e religiosos.

O Bispo de Dori lançou, através da Fundação AIS, um apelo à comunidade internacional para agir em favor dos cristãos do Burkina Faso, deixando uma interrogação sobre a origem deste movimento terrorista e de quem o suporta. “As armas que eles usam não são fabricadas em África. Eles têm espingardas, metralhadoras e muitas munições, mais do que o próprio exército de Burkina Faso. Quem fornece esses recursos? Se eles não recebessem apoio do exterior”, afirma o prelado, “seriam forçados a parar. “É por isso que estou a dirigir-me às autoridades internacionais. Quem tiver esse poder, que acabe com esta violência.”

(Departamento de Informação da Fundação AIS)

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