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Existe este negócio de filho favorito?

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Reportagem local - Sempre Família - publicado em 10/09/19

Embora os pais não admitam, estudos científicos dizem que sim, sempre tem o filho “queridinho” deles

Em famílias grandes, os filhos sempre dizem que um dos irmãos é o “queridinho” dos pais. E, para eles, isso fica claro quando acontecem as brigas ou discussões familiares.

Os pais, por outro lado, não admitem; dizem que amam os filhos da mesma forma, que cuidam deles igualmente e que não existe um favorito.

Mas, agora, a ciência diz que a ideia do “queridinho” da família pode ter um fundo de verdade, o que tem incomodado muitos pais. O site Sempre Família traduziu e publicou um artigo de autoria de Sheri Madigan* e Jennifer Jenkins** que discorrem sobre o assunto.

No estudo científico, os pesquisadores perguntaram a adultos se suas mães tinham um filho preferido quando eles eram pequenos. Cerca de 85% dos entrevistados disseram que percebiam esse comportamento quando todos moravam sob o mesmo teto.

Outra descoberta foi que o incômodo favoritismo quando percebido por uma criança parece ser duradouro e é provável que, na idade adulta, nos preocupemos com o motivo pelo qual um irmão tinha uma melhor relação com os pais do que nós.

Por outro lado, um dos resultados tranquilizadores desses estudos é que, quando as diferenças na forma como os irmãos são tratados pelos pais são pequenas, isso tem pouca ou nenhuma consequência na história da pessoa.

Por outro lado, quando as diferenças são muito grandes é que se percebem ligações entre a atenção recebida na infância e problemas comportamentais na vida adulta.

De acordo com esses estudos, embora a maioria dos pais ame e cuide dos filhos igualmente, eles, inevitavelmente, descobrirão que têm mais sintonia com um filho do que com outro. Um filho é, talvez, um pouco mais social; outro tem um temperamento mais propício para se enfurecer com facilidade, e um terceiro aprende o que precisa com mais facilidade.

Essas diferenças na maneira como os pais tratam os irmãos, segundo os estudos, têm base nos genes das crianças. Os pais tratam gêmeos idênticos, que compartilham 100% de seu DNA, mais similarmente do que os gêmeos não idênticos, que compartilham cerca de 50% de seus genes.

Quanto mais as personalidades dos irmãos diferem, mais os pais os tratam de maneira diferente. Outro fator determinante para esse comportamento dos pais é, obviamente, a idade das crianças. Os pais interagem e disciplinam seus filhosde acordo com a idade deles.

Mas, embora a idade e a personalidade desempenhem um papel importante no motivo pelo qual uma criança recebe mais atenção dos pais do que outra, acima disso ainda estão os problemas de estresse dos pais. Quando os pais sofrem tensão financeira, problemas de saúde mental ou conflitos entre parceiros, o favoritismo entre irmãos fica mais acentuado, de acordo com os estudos.

Impactos no bem-estar físico e mental

Infelizmente, o favoritismo, quando percebido por um dos filhos, pode criar divisão entre os irmãos e está associado à ideia de eles se sentirem menos próximos um do outro, tanto na infância quanto na idade adulta.

A sabedoria popular revela que a criança favorita é mais beneficiada em relação à outra. Porém, a pesquisa sugere que nenhum dos irmãos se beneficia quando esse comportamento é mais acentuado. Ou seja, quando o favoritismo é real, o bem-estar físico e mental de todas os filhos é prejudicado. As razões para isso, segundo os pesquisadores, ainda não estão claras.

5 dicas para uma relação pais e filhos mais justa

1. Tenha consciência do que faz. O primeiro passo é estar ciente de que isso acontece e procurar ajuda ou apoio de parceiros, familiares, amigos ou profissionais de saúde – para tentar entender por que isso acontece. Lembre-se de que escolher um filho favorito é mais provável quando os níveis de estresse estão altos;

2. Ouça. Quando seu filho reclamar ou você vir brigas entre irmãos, nos quais eles mencionam que um está sendo mais beneficiado pelos pais do que o outro, tente não ignorar esse fato sugerido pela criança. Seja receptivo aos sentimentos dela e pense o que, em seu comportamento como pai, você tem feito para que ela tenha essa sensação;

3. Dê uma explicação. Às vezes, as crianças precisam ser tratadas de maneira diferente, como quando uma está doente, ferida ou tem necessidades especiais. Quando isso acontecer, explique ao outro a situação para evitar qualquer mal-entendido;

4. Evite comparações. Embora possa ser uma tendência natural dizer coisas como “por que você não pode se parecer mais com sua irmã?”, isso estabelece uma comparação injusta. Tente se concentrar no que cada criança faz bem, sem colocá-las uma contra a outra;

5. Estabeleça um tempo individual com cada filho. Na medida do possível, tente encontrar 10 minutos por dia para passar sozinho com cada criança, para que elas tenham sua atenção exclusiva por um tempo. Aproveite para fazer com alguma atividade preferida dele.

* Professora Assistente, Presidente de Pesquisa do Canadá em Determinantes do Desenvolvimento Infantil, Owerko Centre, do Instituto de Pesquisa do Hospital Infantil de Alberta, Universidade de Calgary

**Presidente do Desenvolvimento e Educação da Primeira Infância e Diretor do Atkinson Centre, Universidade de Toronto

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