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A mão invisível que destrói as famílias

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Padre Paulo Ricardo - publicado em 13/09/19

Por que as famílias não estão mais dando certo? De quem é essa mão invisível que destrói os nossos lares?

Temos falado muito sobre família aqui no site. O objetivo desta aula é juntar as peças do quebra-cabeça para apresentar aos nossos alunos “a mão invisível” que a está destruindo por meio de graves modificações nas suas estruturas. Não se trata de “teoria da conspiração”, de especular sobre a existência de um quartel general antifamília em algum lugar do mundo, mas sim de: (i) compreender como nos últimos quatro séculos a família está sendo destruída por uma causa eficiente e, (ii) uma vez descoberto o problema, encontrar os meios para resolvê-lo.

Desde o ano mil a.C. até o século XVII d.C., a renda per capita das pessoas mantinha-se em um padrão retilíneo e modesto. A partir de 1700, no entanto, os gráficos de economia apresentam um crescimento vertiginoso no poder aquisitivo dos povos, causado pela Revolução Financeira ou Industrial. Essas revoluções mudaram o estilo de vida das pessoas, levando-as a considerar o dinheiro a coisa mais valiosa do mundo. Daí se compreende o surgimento de correntes políticas de esquerda e de direita, que vivem brigando por causa da economia de mercado. A humanidade tornou-se escrava dos bancos.

Na antiguidade e na Idade Média, as pessoas tinham outras preocupações além das salariais. As pessoas queriam tempo para rezar, ir à igreja, para cuidar da salvação de suas almas, de modo que havia bem mais feriados religiosos que os de hoje. Apesar dos graves problemas que também existiam nessa época, as pessoas queriam ter família, queriam viver e preparar-se para a salvação eterna.

O sistema bancário introduziu um vírus nessa sociedade, tornando-a obsessiva por dinheiro. Hoje ninguém pode negar o quanto os bancos desejam nos emprestar dinheiro. Mas, naquela época, isso soou como uma novidade atraente, de modo que os pais começaram a ficar cada vez mais longe de seus filhos e esposas. Foi o início da destruição da família.

No século XX, os banqueiros identificaram uma saturação do mercado de trabalho, uma vez que praticamente todos os homens já estavam hipnotizados pela febre monetária. Era preciso encontrar uma nova mão de obra. É então que começa todo o discurso feminista de libertação das mulheres, para que elas também possam ter uma carreira profissional e um emprego digno. Como dizia Chesterton, “o feminismo trouxe a confusa ideia de que as mulheres são livres quando servem seus empregadores, mas são escravas quando servem seus maridos”.

O sistema financeiro enriquece a partir da dialética entre empresários e trabalhadores. Nesse sentido, a família atrapalha a perspectiva de mercado, porque a finalidade dela não é a construção de um patrimônio de riquezas infindáveis, mas a educação da prole para o Céu, o que, na visão dos banqueiros, diminui a produção e aquisição de bens de consumo. E é por isso que seria necessário modificar a estrutura familiar.

Para tanto, os revolucionários procuraram modificar a finalidade do sexo. Hoje as pessoas acreditam que o sexo é um parque de diversões, onde se pode fazer tudo o que se quer. Mas, assim como o sistema digestivo serve para a nutrição, apesar do gosto agradável das refeições, o sexo também tem uma finalidade específica, que é a reprodução, ainda que exista o gozo sexual. Quem se alimentar apenas pelo prazer terá problemas de saúde. O mesmo acontece com o sexo só pelo prazer.

A natureza humana exige que haja uma família formada por pai, mãe e filhos. Notem que, dentre todos os animais, o bebê humano é o mais frágil e dependente dos adultos. Ele necessita de uma estrutura adequada que o eduque e o ensine a ser humano. É a sua essência que exige uma união estável entre os pais, de sorte que cada um cumpra o seu papel para a formação da prole.

A finalidade da família não é o romance entre homem e mulher, mas a geração dos filhos. A família tem uma função educacional insubstituível, que não pode ser terceirizada ao Estado. Todas as tentativas neste sentido estão fadadas ao fracasso. Assim como a Igreja deve ser uma grande família de pessoas virtuosas, pai e mãe devem ser esses exemplos de virtudes para os próprios filhos.

No início do século XX, o sociólogo Émile Durkheim fez alguns estudos sobre as causas do suicídio e concluiu que, à medida que uma pessoa se separa de sua família, as chances de ela se suicidar aumentam, porque aumenta a sensação de vazio existencial.

A Revolução Industrial provocou essa sensação nas pessoas ao substituir a família pelo dinheiro. Notem que, na Idade Média, as associações de trabalho, as guildas, eram pensadas como família, assim como os países eram formados por um sentido de paternidade, de pátria. Com a hipnose do dinheiro, no entanto, formou-se o conceito de “empresa”, onde as pessoas são substituíveis. Conforme a análise de Kingsley Davis, as empresas são diferentes das famílias porque, enquanto estas são eternas, aquelas podem ser objeto de descarte.

Acontece que as famílias estão se tornando descartáveis, porque homens e mulheres estão preferindo o dinheiro aos próprios filhos. O gráfico econômico que vimos no começo desta aula indica uma doença espiritual da humanidade. As famílias alternativas, criadas pela indústria, não passam de famílias descartáveis.

A coisa mais importante neste momento, portanto, é recuperar a finalidade verdadeira das famílias, que é povoar este mundo para, um dia, povoar o Céu. Como disse Nosso Senhor: “Não podeis servir a Deus e ao dinheiro” (Lc 16, 13).

Clique aqui e assista à aula completa do Padre Paulo Ricardo

Notas

  1. From the Malthusian Trap to the Industrial Revolution, onde consta o gráfico apresentado pelo Padre Paulo Ricardo ao início da transmissão.
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