Igreja pede justiça às autoridades após assassinato de mais um padre
Igreja pede justiça às autoridades após assassinato de mais um padreA Igreja Católica mexicana pede às autoridades para fazerem justiça no caso do padre José Martin Guzmán, esfaqueado até à morte na madrugada de sexta-feira, dia 23 de Agosto.
Afirmando-se em “profunda comunhão” com o bispo a que pertencia o padre Guzmán, a Conferência Episcopal mexicana pediu entretanto às autoridades para investigarem este caso para que os responsáveis sejam descobertos e respondam pelo crime.
Este é o primeiro caso de um padre assassinado no México no corrente ano, mas já houve outros incidentes violentos envolvendo figuras da Igreja. O Centro Católico Multimédia, que faz um registo das agressões e assassinatos contra sacerdotes no México, lembrou que o crime de que foi vítima o padre Martin Guzmán junta-se “à longa lista de religiosos assassinados nos últimos anos”.
“Com a morte de Padre José Martín, são 27 sacerdotes assassinados de 2012 a 2019. No entanto – explica o Centro Multimédia – este ano já foram registados vários incidentes contra sacerdotes e religiosos, como o caso de um sacerdote baleado em Cuernavaca Morelos e ameaças de morte a vários padres em diversas áreas de Veracruz”.
Exemplo disso, no passado mês de Abril, a Fundação AIS dava conta de que o padre Ambrosio Arellano Espinoza, de 78 anos de idade, tinha sido torturado em consequência de um assalto ficando com queimaduras de segundo grau nas mãos e nos pés.
Segundo a Agência Católica de Informações, que deu a notícia, o ataque contra o padre Espinoza era revelador de um quadro de grave violência contra a Igreja no México nos tempos mais recentes. Citando o padre Omar Sotelo, director do Centro Católico Multimédia do México, a agência de notícias dizia que “a violência continua imparável em diferentes regiões do país” e que “as taxas de criminalidade pioraram”.
De facto, só nos dois primeiros meses de 2019, houve 5.649 homicídios no México, o que significa um aumento de quase 14 por cento face ao mesmo período do ano passado. A violência no México transformou-se num padrão comum com 15 das suas cidades a integrarem o ‘ranking’ terrível das 50 cidades mais violentas do mundo no ano passado.
A Igreja não tem escapado a esta onda de violência, sendo que, diz o responsável do Centro Multimédia, são cada vez mais comuns os actos de tortura contra sacerdotes. “Qualquer acto violento é difícil de entender e é horrível, mas aqui agride-se um sacerdote, apenas por ser sacerdote. Quando sabem que é sacerdote, torturam”, acrescentou este responsável.
Para o director do Centro Católico Multimédia, a violência no México “quebrou todos os limites, todas as fronteiras, todos os status. A mensagem é clara, se um padre é assassinado ou torturado, então podemos assassinar e matar qualquer pessoa, a qualquer hora e não acontece nada, ninguém será preso ou investigado”.
De facto, o México é o país mais perigoso da América Latina para os sacerdotes. Segundo dados referentes ao período compreendido entre 1990 e 2017, foi assassinado neste país um cardeal – D. Juan Jesús Posadas Ocampo, arcebispo de Guadalajara – 47 sacerdotes, um diácono, quatro religiosos, nove leigos ao serviço da igreja e um jornalista católico.
(Departamento de Informação da Fundação AIS)



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