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A fraternidade universal foi um fiasco nos primeiros 20 anos deste novo milênio

PRESS CONFERENCE
Antoine Mekary | ALETEIA | I.Media
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Presidente da Pontifícia Academia para a Vida: “A unidade é o sonho que deve nos ajudar a deixar para trás 20 anos tristes deste Terceiro Milênio”

Em entrevista ao Vatican News por ocasião do Encontro Inter-Religioso “Paz sem Fronteiras”, realizado entre os recentes dias 15 e 17 de setembro, em Madri, pela Comunidade de Santo Egídio e pela arquidiocese da capital espanhola, o presidente da Pontifícia Academia para a Vida, dom Vincenzo Paglia, fez as seguintes considerações:

“Este encontro de oração pela paz está diante de um mundo numa incrível metamorfose. A data simbólica, 30 anos após a queda do Muro de Berlim, nos torna ainda mais conscientes: o muro caiu, mas nesses 30 anos foram construídos mais de 20 muros de pedras e não foram abolidos também os muros simbólicos, mas talvez, houve mais divisões.

Pensemos, por exemplo, nesse enorme muro no centro do Mediterrâneo. Depois, os muros das soberanias: uma Europa que nasceu para se unir é hoje um lugar onde as pessoas lutam entre si, umas contra as outras. Neste sentido, a mensagem do Papa é uma mensagem de revolução cheia de esperança. Diz que é necessário mudar profundamente. Os ajustes não são suficientes. Não basta sequer fazer uma lei melhor: há necessidade de uma revolução cultural. Na verdade, eu diria ainda mais profunda, espiritual. Há necessidade de uma revolução espiritual que revitalize profundamente a fraternidade universal que se dilacerou gradualmente.

Nisso, o novo humanismo deve ver leigos e fiéis, fiéis de todas as religiões, se unirem. É uma questão de sermos todos tecelões daquela tela única que, num mundo global, pode dar a esperança de uma casa comum para uma família igualmente comum: a dos povos (…)

Estamos percebendo que falando, dialogando entre culturas e credos diferentes, somos impelidos a ir além de nossas culturas e credos, a obter energia nova, uma nova visão, aquela que o Papa Francisco expressa com muita clareza: o trabalho apaixonado de todos para redescobrir a fraternidade entre todos os povos. Nisso, a Igreja católica se faz promotora também do diálogo entre os fiéis, entre os cristãos primeiramente, pois a unidade dos cristãos é fermento de unidade entre os povos. Esse é o sonho que deve nos ajudar a deixar para trás 20 anos tristes deste Terceiro Milênio a fim de tecer novas décadas de fraternidade, solidariedade e amizade entre os povos. Devemos deixar para trás uma globalização somente do mercado, uma corrida por soberanias. Devemos deixar para trás a afirmação do individualismo, mesmo de grupos ou nações, para abraçar a fraternidade universal que o Papa afirmou, em Abu Dhabi, que o Papa quer que se expanda a todos os credos e todas as culturas. Acredito que a fraternidade seja a nova fronteira: uma promessa fracassada da modernidade”.

Leia também: Papa: “Estamos vivendo um momento difícil para o mundo; rezem pela paz”

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