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Desafios e encantamentos que chegam quando o filho completa dois anos

ANGRY MOTHER

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Beatriz Camargo - publicado em 22/09/19

Mudanças surpreendentes começam quando a criança se percebe mais autônoma e capaz de impor suas vontades

Sempre ouvi falar sobre o tal do “terrible two”, e confesso que o termo nunca me amedrontou, aliás, sempre achei que esses termos modernos que se encontram à revelia em blogs sobre maternidade sempre são exagerados demais – parecem até que são usados para assustar os pais, pois raramente enaltecem coisas positivas relacionadas ao crescimento da criança.

A fase atual do meu filho, por exemplo, é definida como “a crise dos dois anos”, pois, segundo toda “sabedoria” que predomina na internet, é um período marcado por mudanças bruscas de comportamento que se assemelham à “adolescência”, pois nela a criança costuma se tornar rebelde, malcriada e desobediente.

Pois bem, se vivêssemos na época da minha avó, todas essas atitudes seriam definidas com uma única palavra: birra. E é com esse pensamento que decidi encarar os momentos mais intempestivos do meu pequeno. Ele tem, sim, seus momentos de choros e caprichos, querendo que tudo aconteça de acordo com as suas vontades, mas não me atreveria a falar que isso é decorrente da tal síndrome dos “terríveis dois anos”.

Meu filho não é a criança mais doce do mundo, pelo contrário, quando cisma com algo chora de forma persistente até conseguir – ou achar que conseguiu. Ninguém gosta de choro, então nós sempre buscamos uma alternativa. Se ele chora porque quer cortar um pedaço de pão sozinho com uma faca perigosa, negociamos até que ele se satisfaça com um talher sem pontas ou serras.

Nem sempre nosso “truque” dá certo e, às vezes, ele volta a chora. Mas aqui em casa buscamos sempre sair pela tangente, distrair o menino com outros objetos e nunca ceder. Essas são as regras, sou fiel a elas, e meu marido, que costuma ser sempre um pouco mais flexível, sabe melhor do que eu o quanto é importante não deixar a criança no comando da situação.

E, apesar de todos os desafios dessa fase, enxergo que vivo um novo momento com meu filho, cheio de descobertas e encantamento. A cada dia me surpreendo com a evolução de seu vocabulário, de como consegue expressar aquilo que gosta e o que não lhe agrada.

A maneira como presta atenção nas conversas, nas histórias que lhe contamos e a maneira como interage com comentários é algo que muitas vezes me emociona, pois nesses momentos me dou conta de que não tenho mais um bebê em casa.

Quando estamos sozinhos, ele a todo momento me chama mostrando algo e perguntando o que é aquilo, para que serve. Sua curiosidade é algo que me enche o coração de alegria.

Embora seja muito difícil lidar com sua teimosia quando ele resolve que sozinho abrirá o carro e colocará a chave no contato quando estamos atrasados para leva-lo à escolinha, embora me sinta num verdadeiro teste de paciência, me encho de orgulho por notar sua busca por autonomia.

O grande segredo dessa fase é manter a calma, respirar fundo e antever situações. Como mãe de uma criança de dois anos, posso dar os seguintes conselhos:

Estabeleça contato visual sempre que for conversar com seu filho, principalmente em momentos críticos. Abaixe-se e fale olhando em seus olhos e com tom de voz calmo, explicando a situação, pedindo que ele colabore e, ao mesmo tempo, demonstrando carinho. Com o tempo ele irá assimilar que essa abordagem faz parte de um contexto em que ele terá de ser obediente;

– Se puder, evite ao máximo levar a criança a shoppings, supermercados ou lojas de brinquedos. Enquanto você não conseguir manter a criança sob controle, esses locais poderão oferecer problemas caso ela resolva explorar o local por conta própria – ou seja, correndo – ou escolher determinado brinquedo pra levar pra casa. Caso não seja possível, passeie com ele no carrinho ou em seu colo, e converse calmamente com seu pequeno de forma que ele possa entender que você é quem está no controle;

– Nessa idade a cadeirinha do carro pode se tornar um problema, pois eles muitas vezes fazem birra e se recusam a se sentar e serem mantidos presos com os cintos de segurança. Nessas ocasiões, não há muito o que fazer além de demonstrar firmeza. Antes de cada passeio, fale sobre o local que vocês irão visitar, quem ele encontrará, o que vai ver. Assim ele criará expectativa e lidar com a cadeirinha poderá ser mais fácil. Outra opção é dar ele a opção de levar o brinquedo favorito no passeio, o que também ajudará a mantê-lo distraído;

– E nunca se esqueça de um importante ensinamento deixado pelo profeta Isaías: “Todos os seus filhos serão ensinados pelo Senhor, e grande será a paz de suas crianças” (Isaías 54:13).




Leia também:
Birras: seu filho está sendo mau ou se sente inseguro?

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