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O que São Vicente de Paulo me ensinou sobre a verdadeira compaixão

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Cathopic-Dimitri Conejo Sanz

Michael Rennier - publicado em 23/09/19

Todo mundo ganha quando fazemos mais do que seguir o caminho mais fácil para amar o próximo

Uma vez eu vi um acidente de carro bem à minha frente. Havia uma nevasca, estávamos na estrada, e o vento jogou o carro contra um banco de neve ao lado da estrada.

Em choque, dirigi um pouco pela estrada, saí no acostamento e chamei a ambulância. Depois segui em frente, satisfeito por ter cumprido meu dever.

Mas enquanto eu continuava minha viagem, uma reação atrasada ocorreu como uma lâmpada finalmente sendo acesa – por que eu não parei e ajudei pessoalmente? Quem sabe a que distância a ambulância estava? Minha obrigação com esse motorista não deveria ter terminado com um simples telefonema. Eu tinha pegado o caminho mais fácil e optado por colocar o acidente de carro no espelho retrovisor.

Até hoje, penso em momentos como esse, momentos em que eu poderia ter ajudado, mas assumi que alguém cuidaria disso. Alguém alimentará os pobres, alguém será voluntário na igreja, alguém fará a ligação para aquele amigo que precisa desesperadamente conversar.

Certamente, para as pessoas necessitadas, existem organizações e programas governamentais que são eficazes e têm recursos que uma pessoa comum não possui. Apoio a existência dessas organizações valiosas e não estou argumentando que posso assumir o lugar delas, mas o que devemos ter em mente é que simplesmente assinar um cheque para uma instituição de caridade ou pagar nossos impostos não significa que demonstramos verdadeira compaixão. Saber que há uma ambulância na estrada em algum lugar não significa que não temos uma obrigação pessoal com nossos semelhantes.

Há cerca de um ano, tornei-me capelão de uma associação de São Vicente de Paulo, com sede em várias paróquias próximas à minha.

São Vicente não era muito familiar para mim. E a espiritualidade vicentina não fazia parte da minha formação teológica. Por isso, mergulhei profundamente nos escritos e princípios subjacentes à santidade desse homem notável.

São Vicente viveu no século XVII na França. Ele foi ordenado sacerdote em 1600, teria sido capturado e escravizado por um curto período de tempo por piratas, e finalmente se estabeleceu em Paris, onde trabalhou com católicos ricos para criar sociedades de caridade informais que se concentravam em fazer visitas pessoais aos pobres.

Ele sabia que fazer visitas pessoais levando alimento era muito mais difícil do que doar dinheiro para uma nova cozinha de sopas, mas insistiu nas visitas, dizendo: você descobrirá que a caridade é um fardo pesado de carregar, mais pesado que a panela de sopa. Mas você manterá sua gentileza e seu sorriso. Não basta dar sopa e pão.

Em outras palavras, aqueles que são pobres merecem não apenas o pão, mas também o nosso amor. Se não podemos lhes oferecer compaixão junto com o sustento, então estamos falhando com eles.

A compaixão não pode ser delegada. São Vicente diz: a caridade é certamente maior do que qualquer regra. Além disso, todas as regras devem levar à caridade.

Se eu quero ser uma pessoa verdadeiramente compassiva, não posso simplesmente ligar para a ambulância, encaminhar alguém para a cozinha de sopa ou para um programa do governo. Essas redes de segurança organizacional são uma peça do quebra-cabeça, mas, no final, o que cada pessoa merece é a compaixão pessoal de outro ser humano.

É por isso que os grupos vicentinos paroquiais insistem no contato pessoal dentro do bairro local. Embora se ajude com alimento e outras necessidades materiais, as visitas domiciliares são importantes. É importante rezar com as pessoas, e também ter uma conversa e um contato pessoal.

Assim, o que é compaixão, realmente? É a vontade de parar e conversar por um minuto, dar um telefonema, perguntar sobre o membro da família doente, orar por um amigo, deixar um recado para um vizinho idoso.

A compaixão é profundamente pessoal e humana. Ela exige algo de cada um de nós. No final, esse esforço pessoal, esse pequeno sacrifício, acaba não sendo um presente que eu dou a outras pessoas, mas uma oportunidade para elas me darem um presente.

Compaixão é acima de tudo um ato de amizade e fraternidade. Constrói pontes e cria comunidade. É por isso que digo que a compaixão é uma via de mão dupla. Se estou disposto a fazer um esforço, a recompensa é uma conexão humana genuína e gratificante.

O que São Vicente entendeu tão bem é que compaixão é uma oportunidade para as pessoas desacelerarem e se dedicarem umas às outras. Essas conexões humanas são a essência da vida.

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