Aleteia

Como Santa Teresinha lidava com a solidão na infância

SAINT THERESE
Compartilhar

Ela tinha dificuldade em fazer amigos, mas havia um com o qual ela podia sempre contar

Os pais, naturalmente, querem que seus filhos tenham uma infância agradável, repleta de fortes amizades que ajudem a fazer com que eles se sintam amados e apreciados. No entanto, nem toda criança faz amigos com facilidade – e isso pode ser angustiante.

Santa Teresinha do Menino Jesus era uma criança tímida, que crescia na França do século XIX e, embora desfrutasse do tempo que passava com suas irmãs e primos, não sentia muita alegria com outras crianças.

Teresa não era como a maioria das crianças, e muitas vezes gostava mais de pensar do que brincar. Ela explica em sua História de uma Alma: “Durante a recreação, muitas vezes me dedicava a pensamentos sérios, enquanto, à distância, observava meus companheiros brincando. Esta erai minha ocupação favorita.”

Mesmo assim, ela tentou fazer amigos, mas nem sempre foi como o planejado:

“Naquele momento, escolhi como amigas duas garotinhas da minha idade; mas quão rasos são os corações das criaturas! Uma delas teve que ficar em casa por alguns meses; enquanto ela estava fora, pensei nela com muita frequência e, ao voltar, mostrei como estava satisfeita. No entanto, tudo o que consegui foi um olhar de indiferença – minha amizade não foi apreciada. Senti isso muito profundamente e não encontrei mais uma afeição que se mostrara tão inconstante.”

Às vezes, isso levava Santa Teresinha a sentimentos de solidão, mas, em sua solidão, ela sabia que havia um amigo com quem sempre podia contar:

“Eu era tão tímida … eu não tinha nenhuma amiga especial … com quem eu pudesse ter passado muitas horas como outras alunas. Por isso, trabalhava em silêncio até o final da lição e, como ninguém me notava, ia à tribuna da capela até que papai viesse me buscar. Aqui, durante essa visita silenciosa, encontrava meu único consolo – pois Jesus não era meu único amigo? Somente a Ele eu poderia abrir meu coração; toda conversa com criaturas, mesmo sobre assuntos sagrados, me cansava. É verdade que, nesses períodos de solidão, às vezes me sentia triste, e costumava me consolar, repetindo essa frase de um belo poema que papai me ensinara: ‘O tempo é a tua barca, e não a tua morada’. Essas palavras restauraram minha coragem e, mesmo agora, apesar de ter superado muitas impressões piedosas de infância, o símbolo de um navio sempre me encanta e me ajuda a suportar o exílio desta vida.”

Esta pequena história da vida de Santa Teresinha nos lembra que nunca estamos verdadeiramente sozinhos. Podemos sentir essa dor aguda da solidão, mas a boa notícia é que a amizade de Jesus está sempre aberta para nós. Ele pode brincar conosco, mas pode falar com nossas almas e nos dar uma paz que nunca terá fim.

Se você se sentir sozinho ou se seu filho estiver decepcionado com a falta de amigos, procure Jesus, que nunca nos decepcionará. Quanto mais desenvolvemos essa amizade, mais confiantes nos tornaremos. Não dependeremos dos outros para nossa felicidade suprema e perceberemos que amigos, mesmo os bons, nunca podem satisfazer plenamente nosso desejo de amor. Os amigos podem nos ajudar a suportar o exílio da vida, mas, no final, nossa confiança precisa estar em Deus, nosso melhor e mais confiável amigo.

Boletim
Receba Aleteia todo dia