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Pe. José Eduardo: um truque da retórica de gênero

GENDER BRAINS
Shutterstock
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“Ninguém é mais coisa alguma, tudo não passa de um fluir completamente indeterminado”

Firme defensor da vida humana desde a concepção até a morte natural, o pe. José Eduardo de Oliveira se tornou especialmente conhecido no Brasil pela sua participação nas audiências públicas do Supremo Tribunal Federal a respeito da descriminalização do aborto no país, quando contestou falácias abortistas com fatos reais e dados concretos.

Leia também: Audiência: pe. José Eduardo detona STF e denuncia “teatro armado” pró-aborto

Apóstolo também nas redes sociais, o padre também contesta outros sofismas e manipulações ideológicas, como fez nesta semana mediante o seguinte comentário compartilhado em seu perfil no Facebook:

Um truque da retórica de gênero

(compartilho um insight que tive numa aula de hoje, o qual deixo aqui escrito meio apressadamente, para não se perder)

Um dos truques usualmente utilizados pela retórica de gênero é o ataque ao “essencialismo”. Segundo os ideólogos, o poder regulador utiliza como arma para individuar inimigos a estratégia da “essencialização”: todo o feminismo clássico, por exemplo, teria sucumbido na própria origem, pois concentrou seus esforços na defesa da “mulher”, categoria que teria sido machistamente concebida.

Neste sentido, os propugnadores do “gênero”, na tentativa de escaparem do controle semântico do poder regulador, criaram uma teoria que imunizaria os indivíduos contra essencializações: ninguém é mais coisa alguma, tudo não passa de um fluir completamente indeterminado.

O problema é que o ataque não passa de um truque filosófico bastante mequetrefe. De fato, Aristóteles já tinha provado que formas ideais (essências) não engendram coisas… É necessário que haja uma causa eficiente que eduza uma forma substancial da potencialidade da própria matéria. Por isso, o cerne da sua reflexão filosófica não eram as essências dos entes, mas as substâncias, o “ser que é em si mesmo”, como sintetizava São Tomás.

Em “Problemas de gênero”, Judith Butler tem a sinceridade de reconhecer que não há como propor verdadeiramente uma identidade fluida sem decair no velho antissubstancialismo, do qual ela se confessa seguidora.

Portanto, os defensores do gênero, que se dizem anti-essencialistas, são, na verdade, propriamente antissubstancialistas. Como historicamente o antissubstancialismo, além de indefensável, é inútil – afinal de contas, se não existem pessoas, como é que elas podem ter direitos? –, então, precisam disfarçar-se retoricamente de anti-essencialistas e, assim, passar o trote adiante.

Mas, como é que alguém decai em convicção tão flagrantemente insustentável?

É impossível compreender a ideologia de gênero sem entender que os seus defensores levaram muito à sério a linguística de Ferdinand Saussurre, para o qual a língua é um sistema fechado, sem referência à realidade.

No mundo dos discursos, salvar retoricamente alguém da possibilidade de ser citado num contexto faz um certo sentido. Contudo, a realidade é muito diferente. A própria ideologia de gênero, ao invés de ser uma salvação do poder regulador, é, antes, um instrumento desregulador do qual o mesmo se serve, ou seja, apenas uma tática verbal de dissolução das individualidades.

No mundo real, como dizia Aristóteles, o homem é um animal político, não lhe sendo possível furtar-se de ser significado por alguém, justo porque ele deveria desenvolver de tal modo suas virtudes e sua intelectualidade a ponto de que seria capaz de ressignificar toda a realidade – isto é aquilo que a tradição cristã justamente chama de contemplação e é a única via realmente libertadora do homem.

Contudo, de onde será que os ideólogos de gênero tiraram a ideia de um ser não determinado por nenhuma essência senão da velha filosofia greco-cristã que eles tanto dizem combater?

De fato, no Velho Testamento, Deus se apresenta como “Eu sou Aquele que é”, ou seja, o Ser por excelência, aquele que não é significado por nada e que significa todas as coisas; como dizia Santo Anselmo, “Aquele além do qual nada pode ser pensado”.

Ora, na verdade, o alegado anti-essencialismo da ideologia de gênero é uma inconsciente inversão da ordem do cosmos: ela reputa aos entes um atributo que é exclusivamente próprio do Ser absoluto, mas, como fazê-lo nestes termos implicaria num imobilismo absoluto e isto é patentemente repugnante para a inteligência, fazem esta impassibilidade de qualquer significação realizar-se através do mobilismo absoluto: tudo se move e, por isto, nada é.

O quanto estas ideias sejam apenas rearranjos muito infantis de teorias antigas, como as de Parmênides e Heráclito, por exemplo, dispenso-me de comentar. Fato é que já estavam muito bem resolvidas na admirável síntese da teoria da substância de Aristóteles.

São de ideias toscas como estas que se formam as ideologias modernas. Apesar de pomposa na aparência, a ideologia de gênero não passa de um mero “flatus vocis”, um produto infernal de charlatães filosóficos.

Leia também: Menino de 2 anos obrigado a se transformar em menina: uma tortura documentada

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