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Freira portuguesa assassinada por asfixia ao resistir a estupro poderá ser beatificada

Irmã Maria Antónia Pinho / Facebook (Reprodução)
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Três dias antes de ser assassinada covardemente, a religiosa havia dado uma entrevista falando do amor pela vocação e pela castidade

A congregação vaticana para a Causa dos Santos orientou as religiosas Servas de Maria Ministras dos Enfermos a começarem o processo de junta de informações, em conjunto com a diocese portuguesa do Porto, para o eventual processo de beatificação da irmã Maria Antónia Pinho, que foi assassinada no mês passado ao resistir a uma tentativa de estupro.

De acordo com o site CM TV, a madre Inês Flores Vasques, superiora da comunidade religiosa, afirmou que ainda é cedo para se pensar no processo, mas ressaltou que, de fato, a irmã Antónia foi morta em pleno cumprimento da sua missão.

Um crime covarde

Maria Antónia Pinho, de 61 anos, era carinhosamente chamada de irmã Tona. Ela foi encontrada morta no dia 8 de setembro, com sinais de violência sexual e asfixia, na casa do ex-presidiário Alfredo Santos. A freira lhe teria dado uma carona porque ele é filho de uma senhora a quem ela prestava acompanhamento, dado que trabalhava com doentes e idosos. Como suposto agradecimento, Alfredo ofereceu à irmã Tona um café e, em seguida, tentou violentá-la recorrendo ao golpe conhecido como “mata-leão”, em que a vítima sofre estrangulamento. Segundo a polícia, que deteve o criminoso no mesmo domingo, essa teria sido a causa da morte da freira, que resistiu à tentativa de estupro. Depois do golpe, o assassino ainda a deitou na cama e a violentou.

Dependente químico, Alfredo estava em liberdade condicional havia três meses: ele tinha cumprido parcialmente a pena de 16 anos de prisão a que fora condenado precisamente por dois crimes de estupro. No mês anterior ao assassinato da irmã Tona, ele já tinha tentado violentar uma jovem de 20 anos.

Uma freira fiel

A irmã Tona era enfermeira e estava na cidade de São João da Madeira para cuidar da mãe. Em entrevista concedida ao jornal O Regional três dias antes de ser assassinada, a freira havia falado da sua vocação e testemunhado que sempre soube que era aquele o seu chamado:

“Nunca duvidei. Conheço-me sempre com o desejo de ajudar pessoas doentes. Só sabia que queria ser freira e que seria para sempre”.

Ela também tinha falado da castidade, virtude que definia como um presente para Deus. O entrevistador havia sido o jornalista António Gomes Costa, que, em declarações ao site Contacto, afirmou sobre a religiosa:

“A irmã Tona estava sempre a sorrir. Sempre me lembrarei dela assim. O olhar dela não escondia a paixão e o amor por uma opção que tem cerca de 40 anos”.

A religiosa também era chamada de “Freira Radical” porque andava de moto, já que isso lhe facilitava muito as visitas aos doentes.

 

O Regional

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