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Pai que perdeu filho alerta sobre a importância de dedicar mais tempo à família

Reprodução / Linkedin

Beatriz Camargo - publicado em 13/10/19

“Abrace seus filhos. Não trabalhe até tarde demais. Quando não tiver mais tempo, você vai se arrepender”, alertou ele

Em uma sociedade regida por palavras como “pressa”, “urgência” e “prazo”, parece ser normal viver sob a pressão do imediatismo, na confiança de que toda a dedicação ao trabalho será retribuída e que, em algum momento, haverá mais tempo para estar perto da esposa ou marido, e dos filhos.

Era exatamente assim que o norte-americano J. R. Storment se sentia quando escreveu um comovente relato que viralizou na internet.

Executivo da área de tecnologia, ele cumpria uma agenda repleta de reuniões e compromissos e nunca conseguiu tirar mais de uma semana de férias com a família. Porém, sua atribulada rotina um dia foi interrompida com a notícia de que um de seus filhos gêmeos, Willey, de 8 anos, havia falecido de forma repentina, enquanto dormia.

O garoto havia sido diagnosticado com uma forma leve de um tipo de epilepsia chamado Epilepsia Rolandic Benigna, que pode aparecer em garotos entre oito e 13 anos – e que costuma desaparecer na adolescência. Embora todos os especialistas que avaliaram o Willey tenham dito que sua epilepsia não era motivo de preocupação, a causa da morte foi “Morte Súbita Inexplicável de Epilepsia”, algo extremamente raro e que atinge 1 em 4.500 crianças.

Em meio ao mais doloroso dos lutos, Storment catalisou sua história e dor em um longo relato divulgado em uma rede social, alertando outros pais sobre a importância de se dedicar mais tempo ao convívio familiar:

“Muitos perguntaram o que podem fazer para ajudar. Abrace seus filhos. Não trabalhe até tarde demais. Quando não tiver mais tempo, você vai se arrepender de muitas das coisas para as quais você provavelmente está se dedicando. Você tem agendado regularmente um tempo com seus filhos? Se há alguma lição a tirar disso, é para lembrar aos outros (e a mim) a não perder as coisas que importam.”

No início do texto ele descreve como passou a ficar ainda mais ocupado após ter vendido a empresa que criou e, após detalhar todos os traumatizantes momentos que viveu após saber da morte de Willey, desabafa que tudo perdeu o sentido.

“A grande questão é como voltar ao trabalho de uma maneira que não me deixe novamente com os arrependimentos que tenho agora. Para ser sincero, considerei não voltar. Mas acredito nas palavras de Kahlil Gibran, que disse: ‘Trabalho é amor tornado visível’. Para mim, essa linha é uma prova de quanto ganhamos, crescemos e oferecemos com o trabalho que fazemos. Mas esse trabalho precisa ter um equilíbrio que raramente vivi. É um equilíbrio que nos permite oferecer nossos presentes ao mundo, mas não à custa de nós mesmos e da nossa família.”

Em outro momento, ele relata como agora busca estar mais perto de seu outro filho, que também sente falta de Willey.

“Enquanto eu escrevia este post, meu filho vivo, Oliver, veio pedir tempo na tela. Em vez de dizer o habitual ‘não’, parei de escrever e perguntei se poderia brincar com ele. Ele ficou surpreso com a minha resposta e nos conectamos de uma maneira que antes eu teria perdido. Pequenas coisas importam. Um aspecto importante dessa tragédia é o melhor relacionamento que tenho com ele. Nossa família deixou de ter duas unidades de dois (os pais e os gêmeos) e passou a ser um triângulo de três. Esse é um grande ajuste para uma família que sempre teve quatro cantos.”

Ele encerra a longa carta com um pedido sincero para que as pessoas – principalmente outros workaholics como ele, se atentem sobre a importância que devemos dar as coisas realmente essenciais na vida:

“Espero que a partir desta tragédia você considere como prioriza seu próprio tempo.”
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