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Santa Missa não é hora de “socializar”

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O sentido da liturgia é nos voltar a Deus, não a nós mesmos

São diversas e frequentes as dúvidas apresentadas por leitores católicos, em diversos sites e grupos ligados à Igreja, sobre os momentos assim chamados “de socialização” entre os fiéis que participam da Santa Missa: cumprimentos, abraço da paz, conversas, risos, aplausos e uma relevante lista de atos e gestos perfeitamente normais, mas não necessariamente adequados ao que é uma Santa Missa.

O site do Pe. Paulo Ricardo, por exemplo, ofereceu aos leitores, em abril, o artigo “‘Socializar’ sim, mas não na Missa“, que é tradução de um texto de Peter Kwasniewski ressaltando a finalidade principal da liturgia da Igreja: a honra e a glória de Deus e, com isso, a santificação da nossa alma, levando-nos a uma intimidade sempre mais profunda com Jesus Cristo. Essa finalidade já favorece a fraternidade entre os homens, até porque ela própria cria essa fraternidade: é na adoração em comum do Pai, através do Filho, em união com o Espírito Santo, que os homens são de fato irmãos.

Falsa “fraternidade”

A própria noção contemporânea de “fraternidade” é incoerente, pois foi descontextualizada e separada da sua fonte, que é precisamente o fato de sermos irmãos porque filhos do único Deus. O laicismo tenta negar o Pai, mas, ao mesmo tempo, manter laços artificiais de uma fraternidade que não tem base: é fictícia, meramente formal, rasa de conteúdo.

Essa falsa fraternidade é a mesma que leva certas correntes ditas “progressistas” a questionarem a ênfase na transcendência da liturgia, dizendo que ela “negligencia” o seu caráter comunitário e “social”. Acontece que a liturgia da Santa Missa não foca nas pessoas ali presentes, que certamente têm grande importância e altíssima dignidade, mas sim na ação de Cristo, Sumo Sacerdote e Cabeça do Seu Corpo Místico, por meio do sacerdote ordenado. Aliás, mais precisamente, o sacerdote é, durante a celebração da Santíssima Eucaristia, o próprio Cristo, que Se entrega por nós.

A liturgia nos volta a Deus, não a nós mesmos

É evidente que a liturgia é realizada normalmente ao lado de outros fiéis, irmãos nossos, mas esse grupo de irmãos não está ali reunido para se voltarem uns aos outros, mas para se elevarem à presença de Deus a fim de adorá-Lo, agradecer-Lhe, apresentar-Lhe as suas ofertas e pedir-Lhe a Sua graça. O culto a Deus, pelo próprio fato de que Ele é Deus, nos convida naturalmente a maravilhar-nos, a nos enchermos de senso de sublimidade e mistério, de adoração, reconhecimento e gratidão, de purificação e experiência de misericórdia.

Só esta consciência já deveria bastar para esclarecer que a liturgia não é “uma reunião para acenar aos circundantes, compartilhar notícias, apertar-lhes as mãos, ‘dialogar’ de improviso com um padre“, como enumera o artigo acima mencionado. Esses momentos têm o seu lugar e momento, certamente, mas o momento é antes ou depois da Missa, não durante ela, e o lugar não é o local de culto, que deve não apenas preservar o ambiente de recolhimento, mas fomentá-lo.

Em suma, a experiência de comunidade que é própria da liturgia é uma experiência de adoração em comum, com todos voltados ao sacrário, atentos às verdades divinas que estão sendo anunciadas e ao sacrifício divino que está sendo renovado.

O artigo de Peter Kwasniewski prossegue com observações semelhantes sobre o papel da palavra e da música:

“É inquestionável que nossas almas se elevam e a nossa consciência de unidade se fortalece na igreja quando, por exemplo, o povo responde dignamente e em uníssono na Missa, ou quando cantamos juntos músicas piedosas e ricas em doutrina, como são os cantos gregorianos, sempre recomendados pela Igreja. Tudo isso são formas apropriadas de nutrir e expressar a fé (…) Isso nos sugere também como não devem ser a palavra e a música na liturgia: a abordagem não pode ser do tipo ‘eu tenho de dizer ou cantar alguma coisa o tempo todo’, pois isso acaba se tornando uma espécie de agitação, que distrai e impede a espiritualidade”.

Um convite simples a resgatar o sentido da liturgia

É por isso que os sacerdotes e demais encarregados do ministério da liturgia devem privilegiar o silêncio, a meditação, a reflexão sobre os veneráveis textos legados a nós pela nossa fé e a escuta de cantos litúrgicos, especialmente gregorianos, que tenham mais doçura nos lábios e mais duradoura influência na mente. O ideal, reforça o autor, é “ter uma igreja em silêncio antes da Missa, uma santa quietude durante a Oração Eucarística e uma atmosfera de paz após a Missa para os que desejarem estender a sua ação de graças, com o celebrante dando primeiro o exemplo“. E arremata: “Ficar sentado e recolher-se durante cinco minutos com a mente em Deus é algo que exige e promove mais maturidade espiritual do que cantar durante uma hora“.

“‘Parai e sabei, conhecei que eu sou Deus, que domino as nações, que domino a terra!’. Conosco está o Senhor do universo! O nosso refúgio é o Deus de Jacó!” (Sl 45, 11-12)

Leia também: “Deus é silêncio. O demônio é barulho”

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