Aleteia
Terça-feira 27 Outubro |
São Fulco
Atualidade

Manifestação histórica no Chile exige uma nova transição política

CHILE

Twitter-@Ejercito_Chile

Agências de Notícias - publicado em 27/10/19

"Todos nós ouvimos a mensagem", disse o presidente Sebastián Piñera, através de uma mensagem breve, mas conciliatória, em sua conta no Twitter

O Chile fez história com mobilizações pacíficas que excederam um milhão de pessoas, eclipsando as comemorações do dia em que o povo disse “não” à ditadura há três décadas, em uma demonstração de força e convicção para exigir uma sociedade mais justa.

Uma maré de pessoas tomou as principais avenidas de Santiago e, no centro da Plaza Italia, gerou um cartão postal único que deverá marcar várias gerações, mostrando que os chilenos caminham constantemente em busca de mudanças no modelo econômico neoliberal instaurado por Augusto Pinochet e que se consolidou na democracia.

“Todos nós ouvimos a mensagem”, disse o presidente Sebastián Piñera, através de uma mensagem breve, mas conciliatória, em sua conta no Twitter.

O magnata – que governa o Chile pela segunda vez desde março de 2018 – reconheceu a dimensão das marchas em Santiago e em outras cidades do país. “A marcha massiva, alegre e pacífica de hoje, onde os chilenos pedem um Chile mais justo e solidário, abre grandes caminhos para o futuro e a esperança”, afirmou.

Piñera reagiu aos protestos, iniciados nove dias atrás em rejeição ao aumento das passagens do metrô, decretando “estado de emergência”, o que levou militares às ruas e o decreto de sete toques de recolher consecutivos na capital.

Nem os militares, nem o discurso do presidente de direita diminuíram a ebulição dos cidadãos, cansados de viver no país mais estável da região, mas também um dos mais desiguais.

Com as ruas cheias de protestos e mais de 70 estações de metrô danificadas, algumas inutilizáveis, Piñera adotou um tom conciliatório e lançou uma bateria de medidas que incluem mudanças no criticado sistema de previdência privada, lançado durante a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990), prometendo um aumento de 20% para as pensões mais baixas.

Mas as manifestações continuaram.

– “Segunda transição”

“Unidos pela mesma causa”, resumiu à AFP Betzabé Segovia, trabalhadora de 28 anos que participou em Santiago na colossal manifestação.

Sem um líder, ou guias políticos, os chilenos – organizados em redes sociais – pedem uma mudança para combater as iniquidades de um país que se destaca por sua estabilidade e uma renda per capita superior a US$ 20.000, a maior da região.

A mobilização “desafia os líderes políticos a promover profundas mudanças no modelo de desenvolvimento capitalista. Uma espécie de segunda transição”, comentou à AFP Marcelo Mella, analista político da Universidade de Santiago.

Mella se referiu à transição que deixou para trás a ditadura, que matou cerca de 3.200 pessoas e torturou cerca de 38.000, e iniciou o caminho democrático em 1990, graças a um plebiscito de 1988 em que o povo chileno disse “não” para prolongar o regime militar.

Mas 29 anos de governos democráticos não foram suficientes para mudar um sistema econômico que gerou grande desigualdade.

Esse descontentamento social após décadas de estabilidade “constitui a irrupção de um sujeito político sem filiação partidária que exige que a democracia seja expressa não apenas em procedimentos, mas também em resultados. Ou seja, uma sociedade menos desigual e com direitos mais fortes”, disse o analista.

Neste sábado, a tarefa em Santiago será limpar os destroços de incidentes isolados.

Em Genebra, a alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, a ex-presidente chilena Michelle Bachelet, anunciou o envio de “uma missão de verificação para examinar” a situação, depois de denúncias sobre a ação de militares e policiais.

No mesmo sentido, a Anistia Internacional disse que “o mundo tem os olhos no Chile” e anunciou o envio de uma missão ao país.

(AFP)

Apoiar a Aleteia

Se você está lendo este artigo, é exatamente graças a sua generosidade e a de muitas outras pessoas como você, que tornam possível o projeto de evangelização da Aleteia. Aqui estão alguns números:

  • 20 milhões de usuários no mundo leem a Aleteia.org todos os meses.
  • A Aleteia é publicada em 8 idiomas: Português, Francês, Inglês, Árabe, Italiano, Espanhol, Polonês e Esloveno.
  • Todo mês, nossos leitores acessam mais de 50 milhões de páginas na Aleteia.
  • 4 milhões de pessoas seguem a Aleteia nas redes sociais.
  • A cada mês, nós publicamos 2.450 artigos e cerca de 40 vídeos.
  • Todo esse trabalho é realizado por 60 pessoas que trabalham em tempo integral, além de aproximadamente 400 outros colaboradores (articulistas, jornalistas, tradutores, fotógrafos…).

Como você pode imaginar, por trás desses números há um grande esforço. Precisamos do seu apoio para que possamos continuar oferecendo este serviço de evangelização a todos, independentemente de onde eles moram ou do quanto possam pagar.

Apoie Aleteia a partir de apenas $ 1 - leva apenas um minuto. Obrigado!

Oração do dia
Festividade do dia





Top 10
Philip Kosloski
3 poderosos sacramentais para ter na sua casa
TRIGEMELAS
Esteban Pittaro
A imagem de Nossa Senhora que acompanhou uma ...
Aleteia Brasil
Quer dormir tranquilo? Reze esta oração da no...
Aleteia Brasil
O milagre que levou a casa da Virgem Maria de...
No colo de Maria
Como rezar o terço? Um guia ilustrado
SAINT MICHAEL
Philip Kosloski
Oração a São Miguel por proteção contra inimi...
Pe. Zezinho
Francisco Vêneto
Duas emissoras brasileiras deturpam fatos em ...
Ver mais
Boletim
Receba Aleteia todo dia