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Além da visita do Papa: vem aumentando no Japão o interesse pela cultura cristã

JAPANESE MARTYRS
Public domain
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Inclusive pela sangrenta história de perseguições sofridas pelos cristãos locais entre os séculos XVI e XIX

Monsenhor Cesare Pasini, prefeito da Biblioteca Apostólica Vaticana, testemunhou após recente viagem ao Japão a expectativa que se vive no país pela visita do Papa Francisco, agendada para 23 a 26 deste mês de novembro. E mais: aumenta no Japão o interesse pela história das sangrentas perseguições contra os cristãos locais, perpetradas entre o final do século XVI e a metade do XIX.

O responsável pela Biblioteca Apostólica Vaticana esteve na ilha de Kyūshū para dar duas conferências a propósito da parceria com instituições japonesas visando conservar e estudar as Cartas Marega, um vasto conjunto de cerca de 10.000 documentos, em papel de arroz, assim chamados em homenagem ao padre missionário salesiano Mario Marega, que os compilou no sul do país durante as décadas de 1930 e 1940. Trata-se de ampla informação sobre a perseguição sofrida pelos cristãos na época Edo (1603-1867). Em 2014, a Biblioteca Vaticana havia anunciado um trabalho conjunto com instituições ligadas ao Instituto Nacional de Humanidades, do Japão, para inventariar, conservar, digitalizar, estudar e catalogar o acervo. Este projeto entra agora em sua fase final.

Mons. Pasini relatou à Rádio Vaticano:

“A acolhida que recebi foi extraordinária, como sempre, porque as instituições japonesas fazem da hospitalidade um sinal de atenção e de cordialidade para com seus convidados. Nesse caso, havia um aspecto adicional de formalidade, precisamente por causa da prevista e agora já próxima visita do Papa Francisco. Pude anunciar que agora estamos em um bom estágio da nossa colaboração para o cuidado deste fundo. A nossa biblioteca já restaurou, organizou e digitalizou todos os documentos. Agora falta concluir a última parte do trabalho, que já está em estágio avançado, a do estudo e da organização de documentos em um banco de dados que será então tornado público”.

As instituições japonesas têm colaborado ativamente no cuidado desses documentos, que atestam as violências e atropelos à liberdade religiosa impostos aos cristãos do país. É um interesse que vai além do cultural:

“Esses documentos nos fornecem dados avançados sobre a história das perseguições sofridas pelos cristãos no Japão durante cerca de dois séculos e meio. Trata-se, sobretudo, de documentos referentes ao censo de pessoas, comparáveis ​​aos registros de nossas paróquias. Neste caso, eram registros de pagodes budistas, que atestam que os cidadãos eram registrados e ‘controlados’ para verificar se tinham abandonado o cristianismo.

São circunstâncias que demonstram o desejo de diálogo e de respeito pela Igreja. Da parte deles, há também um interesse histórico e sociológico, porque essas cartas traçam um panorama muito claro da sociedade da época, das famílias japonesas naqueles séculos, do papel do chefe da família, do trabalho, do modo de vida. Para eles, portanto, é muito interessante e eles querem ampliar esta pesquisa. Também pude constatar que há uma atenção muito forte pela realidade cristã daqueles séculos. Talvez com uma abordagem do tipo cultural, mas eu diria também de caráter religioso.

Em Ōita visitei duas exposições que diziam respeito à vida desses cristãos perseguidos, onde estão expostas algumas cruzes e as imagens de metal que os cristãos eram forçados a pisar no ritual chamado ‘e-fumi’, para provar que não eram mais crentes. Em Usuki, pude visitar a área do antigo cemitério cristão. Não há mais sepulturas em evidência, mas, desde então, mesmo nos séculos mais sombrios, ele não foi nem vandalizado, nem destruído, mas preservado com respeito. Havia equipes de TV que me entrevistaram e achei que havia um grande interesse naquele lugar, pelos achados antigos deles e por mim como representante do Vaticano”.

Mons. Pasini falou também da expectativa pela viagem apostólica:

“A expectativa pela visita do Papa é grande. A conferência de Ōita foi organizada em homenagem a ele. Mas, além de ter registrado o desejo de participação na Missa que o Papa vai celebrar em Nagasaki, assim como nos outros eventos, verifiquei um interesse mais amplo pelo cristianismo e pelo que ele representou para o Japão. Em Ōita fui recebido com muita solenidade, que considero ligada à chegada do Papa, já próxima; tanto que, num dos dois mastros do prédio da prefeitura, ao lado da bandeira japonesa, estava a bandeira do Vaticano”.

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Com informações do Vatican News

Leia também: As últimas palavras de um mártir antes de ser crucificado no Japão

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