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Governo comunista da China decreta demolição de igrejas católicas “rebeldes”

V.T. Polywoda-cc
Uma igreja da província de Henan, na China
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Pequim insiste em forçar a adesão dos católicos chineses à Associação Católica Patriótica Chinesa, uma entidade criada e gerida pelo regime

O regime comunista chinês decretou a demolição de uma igreja católica da diocese de Handan, Hebei, apesar da situação perfeitamente legal e regular do templo, que foi aprovado pelas autoridades locais.

Um grupo de sacerdotes e fiéis reagiu entrincheirando-se na igreja para impedir a demolição. De acordo com o documento que ordenou a medida extrema, a igreja não possuiria todas as licenças obrigatórias para o seu funcionamento.

Em decorrência de rígidas leis relativas à religião promulgadas nos últimos dois anos pelo governo comunista, igrejas estão sendo minuciosamente monitoradas para cumprirem à risca todos os requisitos legais. As que são consideradas fora de regra acabam destruídas.

O catolicismo na China sofreu durante décadas uma divisão imposta pelo regime, que criou a Associação Católica Patriótica Chinesa, entidade estatal controlada pelo Partido Comunista Chinês. Os católicos deveriam filiar-se a essa associação, que, no entanto, não é a genuína Igreja católica. A verdadeira Igreja, em plena comunhão com a Santa Sé, permaneceu clandestina. Em 2018, Pequim e o Vaticano finalmente firmaram um acordo para que a Igreja tenha reconhecimento legal no país. Com esse acordo, o Vaticano espera unificar gradualmente as duas comunidades. Apesar do avanço representado pela medida, continuam surgindo relatos de perseguição contra sacerdotes e leigos que se recusam a participar das igrejas administradas pelo governo comunista.

Em províncias como Jiangxi e Fujian, no leste da China, o regime fechou igrejas e expulsou de casa os sacerdotes que não quiseram assinar acordos que os vinculariam aos regulamentos governamentais. Na diocese de Yujiang, pelo menos cinco igrejas católicas foram fechadas à força pelo governo em julho e agosto deste ano por se negarem a entrar na Associação Católica Patriótica Chinesa. Ainda em agosto, o regime chinês ameaçou revogar ajudas básicas do governo a todos os católicos da cidade de Yingtan, que também haviam rejeitado a incorporação da sua paróquia às estruturas “católicas” geridas diretamente pelo Estado.

Um padre de Yujiang relatou à revista Bitter Winter que o governo monitora em detalhes a vida de todos os sacerdotes da Associação Católica Patriótica Chinesa:

“O governo coloca espiões nas igrejas da Associação Católica Patriótica Chinesa para controlar especialmente o que os sacerdotes dizem nos sermões e nas atividades que realizam. O Estado sabe tudo sobre os sacerdotes”.

Leia também: Lançado nos EUA um banco de dados de vítimas de perseguição religiosa no mundo

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