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O bem e o mal que os celulares podem causar ao tempo em família

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Dmytro Zinkevych - Shutterstock
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Aumentou o tempo que pais e filhos passam “sozinhos acompanhados” – mas nem tudo é má notícia

O site norte-americano The Conversation publicou um relevante artigo de Stella Chatzitheochari, professora de Sociologia da Universidade de Warwick, e Killian Mullan, docente de Sociologia e Política da Universidade de Aston, sobre o tempo que pais e filhos passam diante de uma tela de celular e os impactos desse tempo no seu comportamento relacional.

Um dos impactos mais notáveis na forma de interação é descrito por um termo que foi criado pela professora de Estudos Sociais Sherry Turkle: “sozinho acompanhado”. A expressão retrata a situação de uma pessoa que fica tão absorta com o seu celular a ponto de ignorar quase completamente quem está ao seu lado, como se estivesse de fato sozinha, mesmo estando acompanhada. E este cenário tem se verificado cada vez mais na convivência das famílias.

A pesquisa de Stella Chatzitheochari e Killian Mullan analisou precisamente o tempo diário de convivência entre pais e filhos de 8 a 16 anos, comparando os cenários no ano 2000 e no ano 2015.

Uma descoberta significativa foi que as crianças passaram mais tempo diário com os pais em 2015 do que em 2000: 347 minutos por dia em 2000 contra 379 minutos em 2015, um aumento de meia hora, todo ele passado em casa. No entanto, o que pareceria uma boa notícia tem o seu porém: os adolescentes afirmaram que passaram esse tempo adicional “sozinhos”, embora estivessem em casa com seus pais.

O estudo observou ainda que as famílias reduziram o tempo de televisão em 2015 e passaram mais tempo em refeições ou atividades de lazer. Mas os momentos de convivência, em boa medida, passaram a ser permeados pelo uso intenso do celular – não só pelas crianças e adolescentes, mas pelos pais também. Os dados pesquisados indicaram que tanto adultos quanto adolescentes dedicam praticamente o mesmo tempo a usar dispositivos tecnológicos enquanto estão juntos: 90 minutos, em média. Este padrão se verifica principalmente na faixa de 14 a 16 anos. Em 2015, os adolescentes dessa faixa etária passaram cerca de uma hora a mais em casa “sozinhos acompanhados” do que passavam no ano 2000.

Há muitos pontos benéficos no uso da tecnologia como auxílio para a convivência entre as famílias. Hoje é muito mais fácil, rápido e barato intercambiar mensagens, acompanhar-se mutuamente quando alguém está fora e até mesmo tornar a relação mais afetiva, com a troca de mensagens carinhosas e gestos de preocupação e cuidado ao longo do dia.

Entretanto, também há evidências de que a simples presença de um celular tem o potencial de afetar negativamente as interações pessoais – tanto é que, apesar do aumento do tempo que os filhos e pais passaram em casa em 2015 na comparação com o ano 2000, os pais afirmaram que a qualidade do tempo em família diminuiu em vez de aumentar. A pesquisa identificou, por exemplo, que adultos e crianças usam o celular até durante as refeições, um momento que já é relativamente curto e no qual se perdem ainda mais minutos de interação.

Percebe-se uma tendência das pessoas a concluir que o impacto dessa transformação relacional é predominantemente negativo, mas não necessariamente é assim. Considerando-se que há pontos negativos e positivos na proliferação dos celulares no dia-a-dia das famílias, mais pesquisas são necessárias para se entender mais objetivamente o real impacto deste fenômeno na qualidade do tempo que as famílias passam juntas.

Como quer que seja, ficou bem claro que o tempo “sozinho acompanhado” aumentou, o que já é suficiente para que se preste mais atenção a esse perigo e se tomem medidas simples para melhorar a qualidade do tempo de convivência. Basta, para começar, deixar o celular de lado mais frequentemente.

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