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Chile completa 40 dias de convulsão social sem chegar à paz

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Agências de Notícias - publicado em 26/11/19 - atualizado em 27/11/19

No domingo, presidente anunciou que vai encaminhar ao Congresso uma lei autorizando o uso de força militar para proteger infraestrutura pública militar

As respostas políticas para as profundas demandas sociais apresentadas pelos manifestantes que foram às ruas no Chile estão se movendo lentamente, 40 dias após o início dos protestos, que se multiplicam com focos de violência e greves.

Nesta terça-feira, dezenas de organizações sociais convocaram uma greve para diversas áreas. O dia começou, contudo, quase normal com movimentação nas ruas, que seguem sem semáforos e com barricadas em alguns pontos.

Nas ruas do centro da capital foram registrados confrontos entre manifestantes mascarados e policiais. Ao anoitecer, surgiram focos de incêndio e saques atribuídos a grupos de vândalos organizados.

Quase todos os dias acabam em confrontos entre homens encapuzados e policiais e bombeiros e saques atribuídos a grupos de vandalismo organizados.

Desde o início dos protestos em 18 de outubro, os shopping centers, locais muito frequentados pelos chilenos, fecham mais cedo devido a problemas de transporte público. Em Santiago, onde vivem cerca de 7 milhões de habitantes, o metrô não voltou a operar plenamente ainda.

As mobilizações, que nesta terça voltaram a ocupar a avenida principal da cidade, pressionam o governo de Sebastián Piñera a tomar medidas rápidas, começando com um aumento substancial do salário mínimo, atualmente em cerca de 400 dólares. Os sindicatos exigem que seja reajustado para cerca de 660 dólares.

Toda saída política para a encruzilhada chilena parece impossível no clima de desordem pública que continua a prevalecer mais de um mês após o início da crise, que deixou 23 mortos e mais de mil feridos, incluindo mais de 200 com ferimentos nos olhos por projéteis lançados pelas forças de segurança.

– Acordo ofuscado –

O histórico acordo para substituir a Constituição herdada da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990) lançou um pouco de otimismo sobre o conturbado cenário social há pouco mais de uma semana, mas as imagens de barricadas noturnas nas vias públicas, bloqueios nas rodovias e saques em áreas comerciais de diferentes cidades do país, ofuscam esse marco político e despertam o desespero em boa parte da população.

“Há demandas de longo prazo, como a nova Constituição via Assembleia Constituinte; há demandas sobre direito à saúde, educação, moradia, direito à negociação coletiva, entre outras, mas também há demandas muito precisas: um salário líquido mínimo de 500 mil pesos para o setor público e privado, uma aposentadoria mínima equivalente a esse salário “, afirmou a presidente da Central Unitária de Trabalhadores (CUT), Bárbara Figueroa.

“Se a autoridade quiser dar sinais claros, o que esperamos é que exista uma agenda social ambiciosa e muito mais poderosa do que a que foi colocada sobre a mesa”, acrescentou.

Piñera, hoje o presidente mais impopular do Chile desde o retorno à democracia em 1990, com apenas 12% de aprovação, garante em cada discurso que “ouve humildemente as demandas da rua”, mas nenhuma de suas propostas encerra os protestos.

– Nova polêmica –

No domingo, presidente anunciou que vai encaminhar ao Congresso uma lei autorizando o uso de força militar para proteger infraestrutura pública militar, sem a necessidade de decretar estado de emergência.

O anúncio causou polêmica devido às críticas pelas ações das forças armadas durante o estado de emergência em vigor nos primeiros nove dias da crise, quando ocorreu o maior número de 23 mortes até agora, das quais cinco eram de responsabilidade agentes do Estado.

A Procuradoria abriu 2.670 investigações por violações de direitos humanos, cujas vítimas incluem 525 mulheres e 422 crianças ou adolescentes.

Nesse período, os militares foram para as ruas de Santiago pela primeira vez desde o retorno à democracia no Chile, em 1990.

“Não temos institucionalidade suficiente para gerar as condições de segurança da vida do país em termos eficientes”, disse à AFP Guillermo Holzmann, analista político e especialista em Defesa da Universidade de Valparaíso.

Em um país marcado pela ditadura, pesou o fato de que, desde o retorno à democracia, não foi garantido o controle civil necessário para supervisionar as forças armadas e a polícia em questões de ordem pública, disse Holzmann.

A organização Human Rights Watch (HRW) constatou violações “sérias” dos direitos humanos por parte das forças policiais durante a repressão aos protestos sociais no Chile, por isso recomendou uma reforma dessa instituição.

“Membros da polícia nacional chilena cometeram graves violações dos direitos humanos, que incluem uso excessivo da força nas ruas e abusos na detenção”, aponto ao relatória da HRW.

A organização coletou “centenas de denúncias sobre o uso excessivo da força nas ruas e abusos contra detidos, como espancamentos brutais e abuso sexual que não podem ficar impunes e devem ser rápida e rigorosamente investigados e sancionados”, disse à imprensa José Miguel Vivanco, diretor para as Américas da HRW.

O governo de Sebastián Piñera, que rejeitou na semana passada o relatório da Anistia Internacional que também denunciou violações dos direitos humanos, avaliou as recomendações da HRW nesta terça.

(AFP)

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