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O ‘Parque Triássico’ dos pampas do sul do Brasil

Agências de Notícias - publicado em 22/12/19

O atual 'pampa gaúcho', no centro do Rio Grande do Sul, na fronteira com o Uruguai e a Argentina, era uma selva de árvores, musgos e plantas sem flores

Milhões de anos antes do aparecimento do temido dinossauro ‘Tyrannosaurus rex’, o ‘Gnathovorax cabreirai’ rugia livremente pelos pampas do sul do Brasil.

Era o Triássico, entre 250 e 200 milhões de anos atrás, um período da era mesozoica anterior ao Jurássico.

No planeta havia apenas um continente, Pangea, e os dinossauros, menores do que aqueles que viriam no Jurássico e no Cretáceo, conviviam com outros répteis, como os rincossauros e os cinodontes, ancestrais dos mamíferos.

O atual ‘pampa gaúcho’, no centro do Rio Grande do Sul, na fronteira com o Uruguai e a Argentina, era uma selva de árvores, musgos e plantas sem flores.

Devido às inundações causadas por rios carregados de sedimentos, milhares de animais triássicos foram enterrados e fossilizados na região.

E hoje, em sua esplêndida paisagem de verdes vales e vastas planícies, existem cem sítios paleontológicos, visíveis ao longo de sua terra avermelhada, que contêm as chaves para a compreensão desse período.

Em um deles, no município de São João do Polesine, um grupo de paleontólogos da Universidade Federal de Santa Maria (USFM) encontrou em 2014 o ‘Gnathovorax cabreirai’, um dos mais antigos esqueleto de dinossauro predador (230 milhões anos) e o melhor preservado do mundo.

O estudo de apresentação desta nova espécie foi publicado no início de novembro na revista científica PeerJ.

– Leão do Triássico –

Exibido em uma vitrine no CAPPA, centro de pesquisa paleontológica da UFSM em São João do Polesine, o fóssil é composto de vários ossos e uma cabeça surpreendentemente bem preservada, com uma mandíbula poderosa (‘Gnathovorax’ significa mandíbulas vorazes).

“Esse animal tinha cerca de três metros de cumprimento, dentes grandes para comer carne, era bípede, caminhava com os patas posteriores e tinha as mãos livres, provavelmente para segurar presas, com garras bastante pontiagudas”, explicou à AFP o paleontologista Rodrigo Temp Muller.

O ‘Gnathovorax cabreirai’ pertence à linhagem dos herrerassauros e é parente de outros dinossauros de idade semelhante descobertos no Brasil e na Argentina.

É muito mais antigo que o ‘Tyrannosaurus rex’ da América do Norte, o mais famoso e um dos últimos a existir antes da extinção desse grupo de vertebrados, cerca de 65 milhões de anos atrás.

Mas parece com ele em dois aspectos: era o maior dinossauro de seu tempo e ocupava o topo da cadeia alimentar.

“No ecossistema do Triássico, o cabreiria ocuparia uma posição semelhante à dos leões”, enfatiza Muller. “Estar tão bem preservado, trouxe muita informação anatômica. Conseguimos reproduzir partes do cérebro através de tomografias”, acrescenta.

– “Futuro promissor” –

Temp Muller nasceu nessa região há 26 anos. Quando era pequeno, sua mãe comprou para ele um dinossauro de borracha, azul e de pescoço comprido.

Imediatamente, se tornou seu brinquedo favorito, seu companheiro inseparável, e de tanto andar com ele ficou curioso sobre aquelas enormes criaturas que dominaram o mundo até que desapareceram por causa do impacto ambiental causado pela queda de um grande meteorito na Terra.

Acabou fazendo doutorado em Sistemática e Evolução.

No CAPPA, trabalha com uma equipe de paleontólogos e estudantes que extraem, limpam e analisam fósseis de rochas trazidas de sítios, usando bisturis, pincéis, espátulas e microscópios.

Um trabalho que, dependendo do fóssil, pode levar anos.

No centro também está exposto o esqueleto de outra espécie descoberta pela USFM, o ‘Macrocollum itaquii’, considerado o mais antigo dinossauro de pescoço longo do mundo, com 225 milhões de anos.

“O macrocollum também era um animal bípede, caminhava só com as patas de trás, mas tinha uma dentição mais específica para se alimentar de plantas. O pescoço longo o ajudava a se alimentar de uma vegetação mais alta (…) chegava a quatro metros de comprimento”, detalhou.

“Foi o primeiro dinossauro completo que a gente encontrou no Brasil. Além disso, estava associado a mais três esqueletos da mesma espécie”, explicou Temp Muller.

O ‘Macrocollum itaquii’, da linhagem dos sauropodomorfos, foi descoberto em 2012 em um terreno baldio à beira de uma estrada em Agudo, a 20 quilômetros de São João de Polesine, e o estudo que anunciou sua existência foi publicado em 2018 na revista científica Biology Letters.

Temp Muller e seus colegas visitam periodicamente o local em busca de novos tesouros.

“Descobrimos vários fósseis na região, e provavelmente vamos achar mais. Esse sedimento que a gente tem aqui é um arenito fino, que preserva muito bem os fósseis, por isso temos tantos vertebrados”, sustenta Temp Muller.

(AFP)

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