Aleteia logoAleteia logo
Aleteia
Quarta-feira 27 Outubro |
Beato Bartolomeu de Vicenza
Aleteia logo
home iconReligião
line break icon

O anúncio do Evangelho no mundo secularizado

Ditadura em nome da covid-19 na Irlanda

ilovebutter - CC BY-NC 2.0

Vatican News - publicado em 24/12/19

No recente discurso à Cúria Romana, o Papa Francisco recordou que não vivemos mais na cristandade e falou da necessidade da conversão pastoral e da necessidade de sermos autênticos missionários

Andrea Tornielli

No discurso do Papa Francisco à Cúria Romana no sábado 21 de dezembro, algumas palavras suas foram muito marcantes e também o modo como as pronunciou. Reconhecendo a evidência já prevista por alguns importantes homens da Igreja muitos anos antes do Concílio Vaticano II, o Papa destacou: “Já não estamos na cristandade! – disse cadenciado – Hoje, já não somos os únicos que produzem cultura, nem os primeiros nem os mais ouvidos”. “Já não estamos num regime de cristandade, porque a fé”, em grande parte do Ocidente, “já não constitui um pressuposto óbvio da vida habitual”; na verdade, muitas vezes é negada e ridicularizada. Por isso precisamos, acrescentou o Papa, “de uma mudança de mentalidade pastoral, o que não significa passar para uma pastoral relativista”. Uma mudança de mentalidade que parte da constatação de que “a vida cristã, na realidade, é um caminho, uma peregrinação”. E o caminho, obviamente, “não é puramente geográfico, mas sobretudo simbólico: é um convite a descobrir o movimento do coração que, paradoxalmente, tem necessidade de partir para poder permanecer, de mudar para poder ser fiel”.

Antigamente a fé era transmitida nas famílias através do leite materno e o exemplo dos pais, e a sociedade também se inspirava nos princípios cristãos. Hoje esta transmissão não existe mais e o contexto social ou mostra-se anticristão, ou pelo menos impermeável à fé cristã. A partir dessa realidade parte a pergunta que deu vida ao Concílio e atravessou os últimos pontificados: como anunciar o Evangelho onde não é mais conhecido ou reconhecido? Não é um caso que desde então os Papas das últimas décadas tenham indicado justamente a misericórdia como o remédio necessário para curar as feridas da nossa humanidade contemporânea. A misericórdia de um Deus que te procura, aproxima-se e te abraça antes de te julgar. É experimentando aquele abraço que nos reconhecemos pobres pecadores necessitados continuamente de ajuda.

No final do encontro, Francisco presenteou seus colaboradores com o livro-entrevista “Sem Ele não podemos fazer nada”, escrito pelo jornalista Gianni Valente. E definiu a obra como “o documento” que desejou fazer para o mês missionário extraordinário. No texto do livro publicado recentemente, o Papa explicava que “a missão é obra Sua”, isto é, de Jesus. “É inútil se agitar. Não precisamos organizar, não precisamos gritar. Não precisamos encontrar truques e estratégias”, porque “é Cristo que faz a Igreja sair de si mesma. Na missão de anunciar o Evangelho, movemo-nos porque o Espírito nos empurra e nos leva. E quando chega-se, damo-nos conta que Ele chegou antes de nós, e está nos esperando”. Anunciar o Evangelho, acrescentava o Papa no livro-entrevista, “não consiste em assediar os outros com discursos apologéticos, em gritar na cara dos outros” a “verdade da Revelação”. Muito menos “jogar nos outros verdades e fórmulas doutrinais como se fossem pedras”, porque “a repetição literal do anúncio por si mesmo não tem eficácia, e pode não dar em nada, se as pessoas às quais é direcionado não têm ocasião de encontrar ou pregustar de algum modo a ternura própria de Deus para com eles mesmos, e a sua misericórdia que cura”.

Um aspecto distintivo da missão cristã, sugere o Papa, “é o de ser facilitadores, e não controladores da fé”. Facilitar, isto é, “tornar fácil, não pôr obstáculos ao desejo de Jesus de abraçar todos, de curar todos, de salvar todos”. Sempre conscientes de que “Sem Ele não podemos fazer nada”.

(Vatican News)

Tags:
evangelizacao
Apoiar a Aleteia

Se você está lendo este artigo, é exatamente graças a sua generosidade e a de muitas outras pessoas como você, que tornam possível o projeto de evangelização da Aleteia. Aqui estão alguns números:

  • 20 milhões de usuários no mundo leem a Aleteia.org todos os meses.
  • Aleteia é publicada diariamente em sete idiomas: inglês, francês,  italiano, espanhol, português, polonês e esloveno
  • Todo mês, nossos leitores acessam mais de 50 milhões de páginas na Aleteia.
  • 4 milhões de pessoas seguem a Aleteia nas redes sociais.
  • A cada mês, nós publicamos 2.450 artigos e cerca de 40 vídeos.
  • Todo esse trabalho é realizado por 60 pessoas que trabalham em tempo integral, além de aproximadamente 400 outros colaboradores (articulistas, jornalistas, tradutores, fotógrafos…).

Como você pode imaginar, por trás desses números há um grande esforço. Precisamos do seu apoio para que possamos continuar oferecendo este serviço de evangelização a todos, independentemente de onde eles moram ou do quanto possam pagar.

Apoie Aleteia a partir de apenas $ 1 - leva apenas um minuto. Obrigado!

Oração do dia
Festividade do dia





Top 10
1
SANDRA SABATTINI
Francisco Vêneto
Primeira noiva em processo de canonização na história foi beatifi...
2
EUCHARIST
Reportagem local
O que fazer se a hóstia cair no chão durante a Missa?
3
Papa Francisco
Francisco Vêneto
Papa Francisco: “Tenho medo dos diabos educados”
4
Pe. Jonas Magno de Oliveira e sua mãe
Francisco Vêneto
Mãe de padre brasileiro se torna freira na mesma família religios...
5
Transplante de rins
Francisco Vêneto
Transplante de rim de porco em humanos: a Igreja tem alguma objeç...
6
As irmãs biológicas que se tornaram freiras no instituto Iesu Communio
Francisco Vêneto
As cinco irmãs biológicas que se tornaram freiras em apenas 2 ano...
7
BENEDICT XVI
Marzena Wilkanowicz-Devoud
A arte de morrer bem, segundo Bento XVI
Ver mais
Boletim
Receba Aleteia todo dia