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Pe. Zezinho fala da utopia da igualdade absoluta – e do sangue que ela derrama

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“E todos os que estudam História sabem do ódio das novas classes e dos novos nobres e dos novos pobres revolucionários”

Em seu perfil no Facebook, o pe. Zezinho publicou o seguinte artigo sobre a sede de poder de grupos que, reiteradamente ao longo da História, se apresentaram e se apresentam como propositores da “verdadeira democracia”.

O SONHO DO TRIUNFO DA IGUALDADE ABSOLUTA

Quem estudou filosofia e sociologia sabe dos filósofos gregos Zenon (dialética) e Heráclito (“panta rei”: a guerra é o pai de todas as coisas…). Pregavam a dialética e a “pólemos” (“guerra”, em grego), de onde vem a palavra “polêmica”. Isto, há cerca de 25 séculos.

Também deve ter estudado a revolução francesa há mais de 3 séculos, anos 1700. Os filósofos lutavam por igualdade e fraternidade. Isto só poderia acontecer com uma revolução de sangue. E foi o que aconteceu: com muito sangue. A guilhotina decapitou muitos nobres e também muitos que discordaram deles.

O absolutismo dos nobres cedeu lugar a repúblicas e incipientes democracias. Tinham que aprender o que seria a “pólemos” sem batalhas sangrentas. Os parlamentos fariam isso! Elegia-se um grande número de parlamentares para debater verbalmente numa nova forma de “pólemos”, sem guerras e sem canhões. A ideia era a de que o voto e o veto substituiriam as armas letais.

Tudo muito bonito. Só que, no século 20, já desde o começo apareceram os partidos totalitários. E apareceram os ditadores com a mesma fúria dos imperadores e reis absolutistas do passado. Quem apoiava os reinos absolutistas agora apoiaria ditadores e partidos absolutistas. Eram os novos nobres e os novos privilegiados dos novos regimes.

E todos os que estudam História sabem do ódio das novas classes e dos novos nobres e dos novos pobres revolucionários. E todos sabem quem foram Lenin, Stálin, Hitler, Mussolini, Mao Tse Tung, Fidel Castro, Che Guevara, marechais e generais de esquerda ou de direita, inspirados pelos novos filósofos dos séculos 19 e 20. Se o voto não os elegesse, tomavam o poder.

Os filósofos implantavam ideias de igualdade pelas novas ditaduras do povo e pela revolução “dos mais pobres” – só que os mais pobres jamais governavam!

E a “pólemos“ deixou outra vez de ser guerra de palavras e de debates para explodir em duas grandes guerras com milhões de mortos. Com os sofrimentos dos expatriados, fala-se em 100 milhões de novos pobres criados pelos novos revolucionários de direita e de esquerda.

O importante era o pão na mesa dos pobres, mas, mais importante, era a caneta mão dos novos dirigentes e as armas nas mãos do exército fiel ao novos governos, com juízes fiéis ao novo projeto de nação!

Acabou? Claro que não! Assistimos, já no começo do século 21, a novas revoltas e revoluções com muito sangue, outra vez por motivação religiosa, ou por ateísmo, ou por implantação do confronto nas ruas para derrubar novos governos que não seguem a cartilha do absolutismo esquerdista ou direitista.

Outra vez assistimos ao Salmo 2 a perguntar: POR QUE SE REVOLTAM OS POVOS?

É a mesma luta pelo poder nas mãos de apenas uma corrente política. Voltamos aos fins dos anos 1700, dos anos 1800 e dos anos 1900. E no ano 2000 já começamos assistindo à mesma “pólemos” da esquerda, querendo reinar por muitos anos, talvez para sempre, como Lenin e Stálin implantaram, e da direita, lutando pelo reino de mil anos como Hitler prometia.

Os novos filósofos não portam armas. Mas jogam ideias de confronto sem diálogo e, se necessário, com enfrentamento nas ruas até chegarem ao poder que certamente será ditatorial. Seu conceito de “democracia” não lhes permite passar o poder de maneira fraterna, até porque não são fraternos. Para eles, o mundo só funcionará com apenas um partido no poder. Aceitam adesão, desde que o partido líder seja o deles.

Quem luta por diálogo acabará morto, como Mahatma Gandhi, Indira Gandhi, Luther King, ou baleado, como São João Paulo II em plena praça onde se ora. E foram milhares os mártires que, em todo o mundo, ousaram propor DIÁLOGO! Um por um foram assassinados por quererem DIÁLOGO político ou religioso!

É a mesma razão pela qual maridos matam suas mulheres e pregadores pró Cristo ou pró Maomé matam em nome da sua fé. Odeiam o diálogo e quem dialoga. Têm que vencer. E tem que ser do jeito deles. Quem não ceder, morre ou terá seu nome sujado e enlameado, porque eles também são craques em matar a honra alheia!

Ultimamente, quem exige diálogo está correndo maior risco do que o inimigo político! A isso chegamos! Dialogar? Nunca. Nunca e nunca! A vitoria será daquele partido e daquela igreja que se proclama vencedor(a), custe o que custar.

Heráclito continua em destaque depois de quase 2.600 anos.

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