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Papa: como proteger o coração da doença da inveja e do ciúme

POPE FRANCIS
Antoine Mekary | Aleteia
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“O verme da inveja e do ciúme nos leva a julgar mal as pessoas, a competir na família, no bairro e no trabalho”

O Papa Francisco pediu que não deixemos que uma pessoa invejosa e ciumenta venha falar mal de outra para nós.

Em sua homilia hoje na Missa na capela Santa Marta, o Papa pediu para ficarmos “atentos ao verme da inveja e do ciúme, que nos leva a julgar mal as pessoas, a competir na família, no bairro e no trabalho”.

O verme da inveja e do ciúme é “a semente de uma guerra”. Trata-se de uma “tagarelice” conosco mesmos que mata o outro, mas que, se pensarmos bem, veremos que “não tem consistência” e acaba em “uma bolha de sabão”.

O contexto da homilia do Papa era a passagem bíblica que descreve o ciúme do rei Saul em relação a Davi.

O Papa explicou que o ciúme do rei, descrito no primeiro livro de Samuel, nasceu do canto de vitória das jovens, por Saul ter matado mil inimigos, enquanto Davi dez mil.

Tem início assim a inquietação do ciúme, como um verme que te corrói por dentro.  Então Saul sai com o exército para matar Davi.

“Os ciúmes são criminosos, procuram sempre matar”. E para aqueles que dizem “sim, tenho inveja disso, mas não sou um assassino”, o Papa Francisco chama a atenção: isso agora, “mas se você continuar, pode acabar mal. Porque se pode matar facilmente com a língua, com a calúnia”.

Como cresce o ciúme

Segundo o Papa Francisco, o ciúme cresce “falando consigo mesmo”, numa teia de murmurações.

Na “murmuração consigo mesmo”, o ciumento “é incapaz de ver a realidade”, e somente “um fato muito forte” pode abrir seus olhos.

Foi assim na fantasia de Saul, o ciúme o levou a acreditar que Davi era um assassino, um inimigo.

Nós também, quando temos inveja, ciúmes, fazemos isto, eh! Cada um de nós pense: “Por que é que esta pessoa é insuportável para mim? Por que aquela outra nem sequer quero vê-la? Por que aquela outra…” Cada um de nós pense porquê. Muitas vezes procuramos o porquê e descobrimos que são fantasias nossas. Fantasias, que porém crescem naquela murmuração conosco mesmo.

De acordo com o Papa, no final é uma graça de Deus quando o ciumento encontra uma realidade como ocorreu com Saul: o ciúme irrompe como uma bolha de sabão, porque o ciúme e a inveja não têm consistência.

A salvação de Saul está no amor de Deus, que “lhe tinha dito que se não obedecesse, lhe tiraria o seu reino, mas Ele o amava”. E assim ele “deu-lhe a graça de estourar aquela bolha de sabão que não tinha substância”.

Davi se recusa a matar Saul, e diz: “nunca colocarei minhas mãos sobre o ungido do Senhor”. Vê-se, comenta o Papa, “a nobreza de Davi em comparação com o ciúme assassino de Saul”.

Isto”arrebenta a bolha de sabão do ciúme de Saul”, que reconhece Davi “como se fosse um filho e volta à realidade”, dizendo: “Tu és mais justo do que eu, porque me fizeste o bem, enquanto eu te fiz mal”.

Como estourar a bolha da inveja e do ciúme

Segundo o Papa Francisco, é uma graça quando o invejoso, o ciumento, se depara com uma realidade que estoura aquela bolha de sabão que é o seu vício de ciúme ou inveja.

Francisco nos convida a olhar para nós mesmos, quando “não gostamos de uma pessoa, não a queremos bem”. Perguntemo-nos: “O que há dentro de mim? Há o verme do ciúme que cresce, porque ele tem algo que eu não tenho ou há uma raiva escondida?”

Devemos “proteger nosso coração desta doença, desta murumuração comigo mesmo, que faz crescer esta bolha de sabão, que depois, não tem consistência, mas faz tanto mal”.

E também quando alguém vem até nós “para falar do outro”, devemos fazê-lo compreender que, muitas vezes, ele não fala com serenidade, mas “com paixão”, e nessa paixão “há o mal da inveja e o mal do ciúme”.

Tenhamos cuidado, pois este é um verme que entra no coração de todos nós – de todos nós! – e leva-nos a julgar mal as pessoas, porque no interior há uma concorrência: ele tem algo que eu não tenho. E assim começa a competição. Leva-nos a descartar pessoas, leva-nos a uma guerra; uma guerra doméstica, uma guerra de bairro, uma guerra de postos de trabalho. Mas é precisamente na origem, é a semente de uma guerra: inveja e ciúme.

Tenhamos cuidado, conclui o Papa Francisco, “quando sentimos essa antipatia por alguém e nos perguntemos: ‘Por que eu sinto isso?’ E não vamos permitir que esta “murmuração” conosco mesmo nos faça pensar mal, “porque isto faz crescer a bolha de sabão”.

Peçamos ao Senhor a graça de ter um coração transparente como o de Davi. Um coração transparente que procura apenas a justiça, procura a paz. Um coração amigo, um coração que não quer matar ninguém, porque o ciúme e a inveja matam.

(Com Vatican News)

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