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Quando seus filhos estiverem brigando, tente esta estratégia da doutrina católica

FIGHTING SIBLINGS
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As crianças são surpreendentemente boa em resolver seus próprios problemas, com um pouco de orientação

Há um truque simples e brilhante para acabar com as brigas entre irmãos. E, surpreendentemente, esse truque vem do ensinamento social católico.

Há um princípio do pensamento social católico chamado “princípio da subsidiariedade”, que sustenta que os assuntos humanos são mais bem tratados no nível hierárquico mais inferior possível, ou seja, no nível mais próximo dos afetados.

Este princípio sustenta que nada deve ser feito por uma organização maior e mais complexa, quando pode ser feito por uma organização menor e mais simples. Em outras palavras, qualquer atividade que possa ser realizada por uma entidade mais descentralizada, deve ser realizada por tal ente.

Os pais podem encontrar alívio na arbitragem das brigas entre irmãos, aplicando esse princípio à vida em casa e abrindo a oportunidade para as crianças resolverem suas próprias divergências.

Parece loucura, certo? Sejamos claros: a aplicação desse princípio não significa permitir tudo e simplesmente abrir mão de regras e disciplina. Não é nada disso. Significa que os pais devem priorizar sua intervenção nos casos de maior importância e gravidade.

Se você está se perguntando como isso se desenrola na prática, há uma explicação detalhada no livro  Siblings Without Rivalry, de Adele Faber e Elaine Mazlish.

O Capítulo 6 mostra exatamente como ajudar as crianças a lidar com sus divergências no nível hierárquico mais inferior possível – entre elas mesmas -, de forma a cultivar laços saudáveis ​​e amorosos entre irmãos.

1
RECONHECIMENTO DO SENTIMENTO DA CRIANÇA

Nomear e reconhecer os desejos e sentimentos de uma criança é uma estratégia eficaz em praticamente todas as situações do dia-a-dia. Você pode pensar nisso como a chave do coração do seu filho.

Reconhecer e nomear os sentimentos do seu filho(a) não é o mesmo que ser indulgente ou concordar com tudo que ele/ela quer. Tem mais a ver com o mero reconhecimento do que está em jogo. Por exemplo, quando dois filhos estão brigando, você intervém dizendo “Meninos, vocês estão com raiva um do outro”. Ou “Vocês dois parecem realmente chateados”.

2
OUÇA O LADO DE CADA CRIANÇA COM RESPEITO

Ouça cada uma delas e descreva o ponto de vista de cada criança. Você pode dizer algo como: “Você queria brincar com esse brinquedo sozinho… mas, ao mesmo tempo, você queria brincar também com seu irmão/irmã”.

3
MOSTRE APRECIAÇÃO PELA DIFICULDADE DO PROBLEMA

Reserve um minuto para reconhecer a opinião das crianças de que esse é um grande problema para elas, mesmo que pareça bobagem para você. Você pode dizer algo como: “Este é um problema difícil! Duas crianças que querem usar o mesmo brinquedo ao mesmo tempo.”

4
EXPRESSE SUA CONFIANÇA NA CAPACIDADE DAS CRIANÇAS TRABALHAREM NUMA SOLUÇÃO

Tente dizer algo como: “Sei que vocês dois são bons em pensar em soluções para problemas, e tenho confiança em que, se vocês pensarem bem, encontrarão uma solução que seja justa para cada um de vocês”.

5
SAIR DO AMBIENTE

Esta é a parte mais louca – a parte que exige mais subsidiariedade, a parte que parece um grande salto de fé. Mas deixá-los resolver o problema sem você é a chave do sucesso. Diga algo como: “Enquanto vocês estiverem trabalhando para resolver isso, eu estarei na outra sala”. E siga em frente!

As crianças podem surpreendê-lo ao encontrar uma solução melhor do que qualquer coisa que você poderia impor e, mesmo que a solução delas não pareça muito inspirada, pelo menos elas encontraram uma e pararam de brigar! É uma vitória.

Obviamente, existem algumas situações em que os pais não devem permitir que os filhos resolvam seus próprios desacordos.

As crianças devem ter liberdade para resolver suas próprias diferenças, mas também têm direito à intervenção de adultos quando necessário. Se uma criança está sendo abusada pela outra, física ou verbalmente, temos que intervir. Se houver um problema que atrapalhe toda a família, precisamos intervir. Intervimos não com o objetivo de resolver brigas ou fazer um julgamento, mas para abrir os canais de comunicação bloqueados para que eles possam voltar a lidar um com o outro.

Exceto nas circunstâncias mais importantes e graves, as crianças devem poder resolver seus próprios conflitos sob seu monitoramento. Basta adicionar um pouco de subsidiariedade e observar como seus filhos crescem em confiança e em comportamento pacífico e cooperativo entre si.

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