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Venezuela: Bispo denuncia tipo de pobreza que afeta milhões de pessoas no seu país

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Fundação AIS - publicado em 30/01/20

Calcula-se que aproximadamente 15% da população tenha já abandonado a Venezuela

A Venezuela é um país a atravessar uma profunda crise humanitária. A Igreja tem denunciado com frequência a situação dramática em que se encontram milhões de venezuelanos por causa da crise económica no país governado por Nicolás Maduro.

Recentemente, o Bispo de San Felipe e administrador apostólico da arquidiocese de Barquisimeto, aproveitou uma das peregrinações mais populares na Venezuela para também denunciar o “estado de pobreza mais abjecta” em que se encontram “milhões de seres humanos no seu país”.

No dia da Divina Pastora, celebrado a 14 de Janeiro, D. Victor Hugo Basabe ergueu a sua voz para lembrar ao mundo que a Venezuela vive “um povo sitiado”, a quem se nega o “básico da vida”.  A crise no país reflecte-se em várias áreas cruciais para o dia-a-dia das famílias. A saúde é uma dessas áreas e tem sido objecto de crítica frequente por parte da hierarquia da Igreja.

Também o Bispo de San Felipe se referiu à degradação na prestação dos cuidados básicos de saúde. Referindo-se aos médicos e enfermeiros, o prelado afirmou que estes profissionais realizam verdadeiros “actos de magia” perante a falta crónica de medicamentos e de meios de diagnóstico.

Criticando a classe dirigente, o Bispo Hugo Basabe sublinhou a necessidade de o país ter políticos com “princípios éticos” e não “interesses egocêntricos e partidários”, e lembrou que o povo venezuelano, “ansioso por mudanças”, foi traído, segundo ele, pelos “comerciantes da política” nas últimas eleições no final de 2015.

Em Dezembro, o Bispo de Acarigua-Araure apelava, numa iniciativa do secretariado espanhol da Fundação AIS, à mobilização dos fiéis em todo o mundo em favor da Venezuela, dado o agravamento da crise no país de Nicolás Maduro.

Dizia D. Juan Carlos Bravo que o país já não consegue sobreviver sem ajuda externa e que “as igrejas tornaram-se num ponto de encontro” dos mais desfavorecidos. “São hospitais de campanha”, disse o prelado, “onde milhares de pessoas são alimentadas e crianças e pessoas doentes são atendidas”.

Sublinhando a importância da ajuda que algumas organizações como a Fundação AIS têm dado ao seu país, o Bispo de Araure lembrou que a Igreja tem como missão estar junto dos mais desamparados. “O nosso destino é o destino dos pobres”, afirmou adiantando que é, por causa disso, que “a Igreja é muito respeitada”. “Chegamos onde os outros não chegam.”

A crise económica e política em que está mergulhada a Venezuela tem expressão também no fluxo cada vez mais assinalável de pessoas que emigram em condições por vezes dramáticas.

Calcula-se que aproximadamente 15% da população tenha já abandonado a Venezuela, o que significa cerca de 4,5 milhões de pessoas. Nesta estatística da crise sobressai ainda o facto de 30 por cento das crianças sofrerem de desnutrição e de cerca de 60% das famílias já terem de procurar comida na rua.

Estes são indicadores da pobreza e fome que fazem parte do quotidiano de grande parte do povo da Venezuela. À falta de alimentos e medicamentos acresce ainda, muitas vezes, fortes carências ao nível energético e da distribuição de água potável. Esta situação de crise tem mobilizado a nível internacional a Fundação AIS com vários secretariados, nomeadamente o português, a lançaram campanhas de solidariedade para com a Igreja e o povo venezuelano.

(Departamento de Informação da Fundação AIS)

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