Receba o boletim diário da Aleteia gratuitamente no seu email.
Cadastre-se e receba Aleteia diretamente em seu email. É de graça.
Receber

Sem condições de apoiar?

Veja 5 formas de você ajudar a Aleteia

  1. Reze por nossa equipe e pelo êxito de nossa missão
  2. Fale sobre a Aleteia em sua paróquia
  3. Compartilhe os artigos da Aleteia com seus amigos e familiares
  4. Desative o bloqueio de publicidade quando nos visitar
  5. Inscreva-se para receber nosso boletim gratuito e leia-nos diariamente

Obrigado!
Redação da Aleteia

Enviar

Aleteia

Como lidar com as birras dos filhos

Crying Child
Jelena Jojic Tomic | Stocksy United
Compartilhar

Conheça algumas dicas de Disciplina Positiva que ajudam a enfrentar as temíveis crises de raiva e choro das crianças

Durante as últimas férias, percebi alguns avanços no desenvolvimento do meu filho. Com as mudanças de ambiente ocasionadas por viagens e passeios e a convivência mais intensa com os parentes – principalmente primos –, seu vocabulário evoluiu bastante, assim como seu desejo por autonomia. Ele também demonstra estar mais desenvolto quando encontra outras crianças, e sempre busca por interação e brincadeiras.

Por outro lado, o fato de estar sempre rodeado por situações novas, estimulantes e que, em muitas vezes, envolvia gratificações como um novo brinquedo, livros ou até seu sorvete favorito, aparentemente o deixou mal-acostumado. Em resumo, a sensação que meu marido e eu temos é que quanto mais o agradamos, mais coisas ele quer e, quando seus desejos não são satisfeitos, o que recebemos em troca são grandes explosões de birra.

Essa constatação ficou evidente nas inúmeras crises de choro que se seguiram após não termos comprado algo que ele queria, ou em ocasiões em que ele queria ficar um pouco mais no parque ou na casa dos avós. E o pior é que não era um choro tranquilo, não: em todas as vezes ele iniciou uma birra horrorosa, com muitos gritos, recusa em entrar no carro e resistência em ser colocado em sua cadeirinha… Enfim, uma situação que acredito que muitos pais reconhecem como um verdadeiro teste de resistência psicológica.

Sei que muitos aconselham que, mediante tais comportamentos, o mais adequado é evitar expor as crianças a tais situações em que elas se sintam no controle. Porém, como mãe que reconhece a importância dos momentos de lazer e diversão para o filho, está totalmente fora de cogitação privá-lo de brincar algumas horas no playground da pracinha, mesmo sabendo que na volta ele vai querer parar na sorveteria, e aí terei de decidir se o que vai prevalecer será sua vontade ou a birra.

Sim, é um eterno impasse! Mas como contornar tais situações quando seu filho tem quase três anos? Desde que seus primeiros caprichos surgiram, tentei adotar aquilo que chamam de Disciplina Positiva, uma abordagem educacional amplamente adotada por pais e professores e que preconiza uma criação baseada em respeito mútuo e cooperação com palavras e gestos de gentileza e firmeza ao invés de castigos, punições e recompensas. Porém confesso que durante as birras mais difíceis eu, muitas vezes, chego a me perguntar: é realmente possível educar uma criança sem rigidez e autoridade?

Embora eu tenha certeza de que não sou uma mãe permissiva demais, percebo que qualquer tentativa de ter o controle da situação não funciona quando a birra se estabelece. Ciente de todo o contexto e da intensidade da ira que meu filho é capaz de atingir, resolvi compartilhar minhas aflições com um grupo de mães que estudam com afinco a Disciplina Positiva e compartilharei aqui algumas dicas que recebi.

O primeiro conselho que recebi é que devo ter paciência. Segundo essas mães mais experientes, esse tipo de birras costuma acontecer até os 4 anos e, caso elas piorem depois dessa idade e a criança apresente mudanças de comportamento – como demonstrações de violência – a recomendação é consultar o pediatra.

Outro ponto importante sobre o qual fui avisada é estar atenta às necessidades básicas da criança, e esse alerta é muito coerente pois a probabilidade de uma criança iniciar uma birra quando está com fome, sede, cansada ou com sono é muito maior, pois tais coisas funcionam como um gatilho.

Aliás, tentar antever os cenários é a principal medida “antibirras” que os pais podem adotar. Isso funciona mais ou menos assim: depois de enfrentar uma considerável quantidade de birras, nós, pais, somos capazes de identificar – com antecedência – coisas, lugares e situações que despertarão o que podemos chamar de “vontades” na criança e, munidos desse conhecimento prévio, podemos agir no cerne do problema.

Uma das maneiras é oferecendo alternativas ou distrações antes que a atenção da criança recaia sobre aquilo que gerará a birra. Tudo funciona como uma espécie de negociação antes que a emoções intensas tomem conta do pequeno e isso não só nos poupa do desgaste de lidar com o momento de explosão da criança como também evita que tenhamos que ceder ao desejo do pequeno.

E eis aqui outro ponto importante pois ceder é um gesto que costuma acarretar outras consequências, uma vez que reforça na criança, da pior maneira possível, a sensação de que a birra é uma maneira de conseguir as coisas no choro e no grito.

Recentemente pude comprovar que tal dica funciona. Quando estou com meu filho, o passeio no shopping raramente termina numa boa pois ele sempre quer ficar mais, explorar tudo, procurar novas distrações e, nessas horas, quando pede algo, receber uma resposta negativa é o motivo que ele procurava para dar início à birra.

Pois bem, dias desses estávamos saindo do shopping quando avistei o quiosque onde vendem esculturas de algodão doce e balões coloridos e, já prevendo que Tomás poderia pedir algo dali, tratei de pegá-lo no colo e apontar coisas que via nas vitrines pelo qual passávamos. Ele se distraiu durante o percurso até a saída e a volta para a casa foi tranquila. Ponto pra mim!

Outra coisa que as mamães do grupo de Disciplina Positiva também me orientaram é sempre tentar o que elas chamam de “espelhamento de emoções” e isso funciona mais ou menos assim: ao invés de ignorar os desejos da criança, demostrar que está ciente de suas vontades a partir de uma conversa, verbalizar que reconhece o que ele quer e justificar tranquilamente o porquê de sua vontade não ser atendida naquele momento.

Aliás esse conselho é ótimo na hora de negociar em momentos críticos como, por exemplo, quando a criança pede sorvete de chocolate perto jantar. Aqui em casa, quando isso acontece, eu argumento que ele terá sim seu sorvete, mas será na hora da sobremesa.

Obviamente não é sempre que consigo resolver tudo na conversa, mas percebo que as birras estão mais brandas e contornáveis, Tomás ainda não cede 100% mas sinto que ele já está mais flexível.

Enfim, criar um filho não é tarefa fácil mas a Disciplina Positiva tem me ajudado a ver as diferenças entre a educação que tive e a que meu filho terá, ela me dá a confiança, o  conhecimento e a calma que acredito serem essenciais para lidar com uma criança nos dias de hoje.

 

Boletim
Receba Aleteia todo dia