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O Papa não esquece Iman Laila, a menina síria que morreu de frio nos braços do pai

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Gelsomino Del Guercio - publicado em 24/02/20

"Quando conseguimos separá-lo da filha, vimos o rosto angelical da menina sorrindo. Mas ainda. Tentamos sentir as batidas do coração, mas ela estava morta"

No Ângelus de 16 de fevereiro, o Papa Francisco recordou ao mundo a trágica história da pequena Iman Laila, uma menina refugiada de 1 ano e meio de idade, que sobrevivia num alojamento improvisado perto da vila de Màrata, na província síria de Aleppo, com sua família. Iman Laila morreu nos braços do pai enquanto ele tentava levá-la até o hospital mais próximo, em Afrin, a duas horas de caminhada. Ela morreu de frio.

O caso absurdo, ocorrido em 13 de fevereiro, foi relatado pelo Dr. Housam Adnan e divulgado pela Syrian Network of Human Rights (Rede Síria de Direitos Humanos).

Segundo o médico, o pai havia “vestido a filha com tudo o que ela possuía para mantê-la aquecida. Ele caminhou durante duas horas na neve e no vento. Seus membros estavam congelados, mas seu coração continuava a abraçá-la. Ele caminhou durante duas horas antes de chegar ao nosso hospital. Quando conseguimos separá-lo da filha, vimos o rosto angelical da menina sorrindo. Mas ainda. Tentamos sentir as batidas do coração, mas ela estava morta“.

Sete graus abaixo de zero

Dom Jean-Clément Jeanbart, arcebispo de Aleppo dos gregos-melquitas e visitador apostólico para os melquitas na Europa, se declara grato ao Papa Francisco pela sua constante atenção ao sofrimento do povo da Síria e “por ter falado sobre essa criança”.

“Está fazendo muito frio na Síria, em particular em Aleppo, nestes meses de janeiro e fevereiro. A temperatura chegou a sete graus abaixo de zero durante a madrugada. De dia fica em cerca de zero ou pouco mais. O clima está difícil. Dois dias atrás, saí de Aleppo com neve”.

Ele tem esperança no impacto das palavras do Papa Francisco:

“Talvez isso possa mover algumas organizações para que elas continuem nos ajudando, um pouco, a aquecer as casas, um pouco a ajudar as pessoas a suportarem esse frio. Eu vendi o meu carro para ajudar 500 famílias a terem o necessário para sobreviver neste período”.

Para o arcebispo grego-melquita de Aleppo, o Papa “está mostrando ao mundo que existe uma grande tragédia, um grande sofrimento na Síria, envolvendo crianças e idosos que também precisam se aquecer“.




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CriançasPapa FranciscoRefugiados
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