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Comunidade chinesa na Itália vive situação ‘muito difícil’

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Antoine Mekary | ALETEIA

Agências de Notícias - publicado em 28/02/20 - atualizado em 29/02/20

Com o anúncio das primeiras mortes na Itália, todos procuravam o paciente zero, que havia infectado os outros, e todos apontavam para um chinês

Os chineses na Itália tornaram-se bodes expiatórios fáceis e vivem “uma situação muito difícil” por causa do surto de coronavírus, reconhece uma das figuras mais respeitadas dessa comunidade, Francesco Wu.

P: Você é membro da Associação de Empresários da China/Itália e responsável pela confederação dos comerciantes Confcommercio de Milão. Qual é o ambiente na comunidade ítalo-chinesa?

R: Houve dezenas de casos de ataques contra ítalo-chineses em todo o país nas últimas semanas. A comunidade da península, composta por cerca de 300.000 pessoas, sem contar os 30.000 estudantes e turistas, está passando por uma situação muito difícil, tanto do ponto de vista econômico quanto pela discriminação.

O problema já existia antes, mas hoje vivemos uma exacerbação. Esse tipo de crise traz à tona o pior do ser humano. Os italianos hoje estão sendo discriminados no exterior. E na Itália, pessoas que não se incomodavam com os chineses antes, de repente os veem como propagadores do vírus.

P: Os laços entre Itália e China ainda são muito fortes?

R: Gostaria de falar apresentando fatos. Empresas e cidadãos ítalo-chineses, particularmente no norte da península, fazem parte do tecido econômico italiano. O comércio entre os dois países ultrapassa 40 bilhões de euros. E os cidadãos chineses que vivem aqui, com ou sem nacionalidade italiana, gastam seu dinheiro aqui, pagam seus impostos aqui e investem aqui. Eu moro aqui há trinta anos e me sinto como um cidadão deste país.

P: Em Milão, a maioria dos comerciantes da “Chinatown” fechou suas portas alguns dias atrás, quando a crise do coronavírus eclodiu.

R: Sim, as pessoas quiseram fechar. Estamos muito confusos, somos tão chineses quanto italianos. Estávamos divididos entre as medidas extremamente duras adotadas na China e as medidas mais flexíveis adotadas na Itália.

De qualquer forma, a situação não era economicamente sustentável, as lojas estavam desertas e o faturamento entrou em colapso.

Com o anúncio das primeiras mortes na Itália, todos procuravam o paciente zero, que havia infectado os outros, e todos apontavam para um chinês.

No entanto, nenhum ítalo-chinês foi infectado. A comunidade tomou suas precauções e evita ser instrumentalizada.

Muitos decidiram fechar suas lojas por um senso de responsabilidade e de solidariedade pelo momento difícil que Milão está passando. Mas tudo ainda é muito confuso. Não sabemos quando abriremos novamente, será quando a situação melhorar.

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