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Covid-19: você corre pouco risco, mas ajude a proteger idosos, diabéticos e cardíacos

WASH HANDS
FotoHelin|Shutterstock
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Sim, a gravidade é baixa em mais de 80% dos casos, mas a pandemia satura o sistema de saúde – e é isto o que pode matar quem precisa de atendimento

A pandemia Covid-19 tem apresentado uma proporção relativamente baixa de mortos: alguma coisa entre 0,5% e 3,5% do total de infectados. Esta é uma boa notícia. E há outras boas notícias: a grande maioria dos casos (mais de 80%) tem gravidade reduzida. Mais boas notícias ainda: o risco para crianças é mínimo. E ainda mais boas notícias: o pico do surto já passou na China e, por lá, os novos casos estão em declínio.

Porém, há motivos suficientemente comprovados e sérios para mantermos grande atenção e firmes cuidados numa tarefa crucial: a de conter a expansão do vírus.

Apesar do relativo “baixo risco”, atenção total: por quê?

Porque, apesar da pouca gravidade da Covid-19 para a maioria das pessoas, ela acarreta riscos muito relevantes para grupos específicos, como idosos, diabéticos e doentes do coração. Se ocorrer um brusco aumento de casos de contágio, vai haver um grande afluxo de pessoas aos hospitais e postos de saúde: a maioria delas não vai precisar de maiores cuidados, mas o simples fato da sobrecarga do sistema de saúde pode acabar deixando sem atendimento quem realmente vai precisar – e isto já acontece com frequência no Brasil desde muito antes do surto deste novo vírus.

O seguinte gráfico é eloquente:

Carl Bergstrom e Esther Kim / CC BY 2.0

A “curva de contágio” e suas consequências no sistema de saúde

Trata-se de um gráfico publicado pela jornalista Rosamund Pearce na revista The Economist, ajustado posteriormente por Drew Harris, especialista em saúde pública, a partir de recomendações dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDCs) para a epidemia de gripe de 2017. A versão traduzida ao português foi publicada pelo G1.

O que este gráfico está mostrando é a diferença na curva de expansão da doença quando não se tomam medidas preventivas e quando elas são tomadas adequadamente. A imagem enfatiza que o grande problema da pandemia de Covid-19 realmente não é a gravidade da doença em si, mas sim a incapacidade dos sistemas de saúde de atenderem os infectados com risco alto na hora em que eles mais precisam.

Este é o problema principal que está ocorrendo na Itália: os hospitais estão lotados não só pacientes da Covid-19, mas também dos pacientes de qualquer outra doença, inclusive câncer, infarto, AVC e ferimentos graves, além de quadros prosaicos como a gripe comum. Neste momento, há italianos morrendo em decorrência de quadros pelos quais não morreriam numa situação normal. A causa deste cenário é a sobrecarga do sistema de saúde – e olhe que o sistema público de saúde na Itália é considerado muito bom, inclusive acima da média do continente europeu. Mas ele foi construído para atender bem a população no dia-a-dia, e não num cenário de pandemia.

O fato, como bem resumiu o colunista David von Drehle, do Washington Post, é simples:

“Uma doença não precisa ser a pior de todos os tempos para produzir o pior cenário de todos os tempos. Basta impor uma carga aos recursos de saúde que seja maior do que a capacidade dos recursos de saúde”.

Como ajudar quem corre mais risco do que você

Em resumo, a diretriz é: evite tudo aquilo que facilite a proliferação do vírus. Faça o simples e básico:

  • Lave bem as mãos, com alta frequência, sobretudo após tocar em superfícies nas quais muita gente também tocou, como balcões de atendimento, caixas eletrônicos, assentos e apoios do transporte público, etc.
  • Evite levar as mãos à boca, nariz e olhos;
  • Evite aglomerações, reduzindo as saídas de casa ao indispensável;
  • Se precisar estar em meio a grupos grandes de pessoas, procure manter uma distância de ao menos 1 metro e fique apenas durante o menor tempo possível;
  • Evite cumprimentos como apertos de mão, abraços e beijos;
  • Recorra a postos de saúde e hospitais somente em casos de objetiva e real necessidade, para não sobrecarregar inutilmente o sistema e até para evitar um risco ainda maior de contágio, dado que são ambientes em que se fica mais exposto a micro-organismos;
  • Mantenha uma rotina de alimentação saudável, exercício físico adequado às suas condições, boa ventilação e luz natural em casa ou no local de trabalho;
  • Não divulgue fake news: compartilhe informação objetiva, o que inclui algumas notícias tristes, mas também várias notícias boas e tranquilizadoras;
  • Mantenha a serenidade, sem se deixar levar pelos promotores de histeria;
  • Mantenha a fé, pedindo sempre forças a Deus para que todos façamos bem a nossa parte e Ele nos conceda a graça de enfrentar e vencer esta pandemia com inteligência, disciplina e solidariedade, em especial com os mais vulneráveis;
  • Obedeça responsavelmente às diretrizes das autoridades em caso de medidas excepcionais de controle.

Achatando a curva do contágio

Essas medidas simples ajudam a “achatar a curva do contágio”, como se vê no gráfico acima, reduzindo desta forma a sobrecarga dos sistemas de saúde.

Se houver um pico de acessos aos postos de saúde e hospitais, com milhares de pessoas precisando ser atendidas ao mesmo tempo, aqueles que tiverem mais necessidade não conseguirão ser atendidos com a devida rapidez e morrerão em maior número.

Quanto mais se evitar o contágio, ou seja, quanto mais se “achatar” a curva de contágio ao longo do tempo, evitando picos, menor será a sobrecarga do sistema de saúde e, portanto, menor o risco de faltarem leitos, respiradores e outros equipamentos cruciais para quem realmente precisa deles para sobreviver.

Não pense só em você. Dê graças a Deus pela sua boa saúde, pela sua juventude e pelo pouco risco que você corre. Mas pense nos idosos de mais de 80 anos, especialmente se eles já tiverem outras doenças; pense nos diabéticos; pense nos doentes do coração. Em suma: pense nos outros. E faça a sua parte, que é simples e barata. Seus irmãos agradecem.

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