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Luvas e água benta: a última bênção aos mortos por coronavírus

ZMARLI NA KORONAWIRUSA
PIERO CRUCIATTI/AFP/East News
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Padre conta como têm sido os funerais no cemitério de Pesaro. “Nem na guerra vi coisas assim”

Ele tem 85 anos. Nas mãos, o aspersor; no coração, a fé. Padre Giovanni Paolini, ex-pároco de Cristo Rei em Pesaro (Itália), é um daqueles padres silenciosos que, em frente ao cemitério da capital da região de Marche, e sem violar as regras, oferece o último abraço espiritual para aqueles que morreram na pandemia do coronavírus.

«Eu ainda não era adulto, mas vi os bombardeios. Então, pelo menos vocês podiam se abraçar quando estavam com medo. Já este é um cenário pior que a guerra”, diz padre Giovanni, sacerdote em uma terra devastada pelo coronavírus, com centenas de mortes e milhares de doentes. Somente na pequena cidade de Pesaro são 1500 contaminados.

Na paróquia, morrem 10 por semana. “Eu nunca vi uma coisa dessas” (Il Resto del Carlino, 26 de março).

A bênção final

“Mas como o senhor abençoa o defunto em um situação como esta?”

“Vamos ao cemitério com luvas, máscara e tomamos todas as precauções necessárias. Abençoamos com água benta, mas o incenso não é usado. E, é claro, devemos permanecer a uma distância segura dos caixões”.

“O vírus – ele continua – também nega o último abraço. Um funeral é comunhão e consolo. Esta situação também tirou isso de nós”.

A cerimônia dura “o tempo da bênção e da oração. Obviamente em frente ao portão. Porque ir além é proibido”.

A unção dos enfermos

O padre Paolini é daqueles que encaram sua missão com naturalidade e simplicidade.

“Agora temos de tentar ajudar e consolar as famílias. É tudo que podemos fazer”.

Ele continua a dar a unção dos enfermos, mas sempre tomando todo tipo de precaução.

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