Aleteia
Quinta-feira 22 Outubro |
São Moderano
Atualidade

Enterros em massa no maior cemitério da América Latina por causa do coronavírus

Reprodução Redes Sociais

Agências de Notícias - publicado em 05/04/20

"Aqui enterramos cerca de 45 pessoas por dia, mas na última semana foram 12 e 15 a mais"

A curva de casos do coronavírus ainda está a semanas do seu pico no Brasil, mas sua letalidade e a demora dos diagnósticos já colocam sob pressão o maior cemitério de São Paulo e da América Latina, com enterros em massa e velórios sem abraços.

“Aqui enterramos cerca de 45 pessoas por dia, mas na última semana foram 12 e 15 a mais. É muito pior do que vemos nas notícias”, disse à AFP um coveiro que, em um lote do Vila Formosa I, cavava covas em fileiras para serem utilizadas no dia seguinte.

Prevendo o aumento da demanda, a prefeitura contratou uma empresa para reforçar com 220 funcionários temporários os 22 cemitérios da rede municipal, que foram obrigados a cortar 60% do seu quadro de 257 coveiros por pertencer a grupos de risco.

O Vila Formosa I, na periferia de São Paulo, cresce de forma interminável à vista. Estima-se que em seus 750.000 m2 existam 1,5 milhão de pessoas enterradas.

Uma parte está coberta de erva daninha, outra dividida em lotes de barro. De um extremo a outro, há um muro repleto de ossários com inúmeros nomes e datas.

Na tarde do último 31 de março, os caixões chegavam com tanta rapidez que os sepultadores tiveram que pedir alguns minutos para terminar com um dos enterros que já ocorria, antes de começar o seguinte.

Sob um sol forte e um céu limpo, quatro enterros ocorrem em um intervalo de meia hora em um único lote do cemitério: três casos suspeitos de COVID-19 e um confirmado.

“Minha avó estava com os sintomas e fez o exame, mas o resultado demorará mais duas semanas (para sair)”, disse Ricardo Santos, que velou de forma rápida e com poucos familiares Regina Almeida, de 92 anos, em um dos três toldos de cor verde dispostos fora da capela do cemitério, como mandam as recomendações sanitárias.

São Paulo, epicentro da pandemia no país, registrou mais de 150 dos 241 mortos por coronavírus no país desde que o primeiro contágio foi informado em fevereiro. Porém, a demora do diagnóstico dificulta o balanço. A Secretaria de Saúde contabiliza 201 exames de pessoas já mortas que esperam o resultado para a doença.

– Esclarecimento sobre morte –

O diagnóstico de José de Santana, de 77 anos, é um dos que figura nessa lista. Seu filho, Genilton Santana, enterrou o pai acompanhado apenas por um amigo. Com uma máscara branca e os olhos cheios de lágrimas, portando apenas a Certidão de Óbito.

“Causa da morte a ser informada, aguarda exames”, aparece na explicação sobre o falecimento.

“Mostrem isso para ver se as pessoas começam a entender o quão sério isso é”, disse Genilton à AFP.

São Paulo e outros estados brasileiros adotaram medidas de quarentena parcial, ainda que o presidente Jair Bolsonaro tenha considerado até recentemente a COVID-19 como uma “gripezinha”, antes de admitir na última terça que se tratava do “maior desafio” do país.

E o país começou a se preparar para a emergência, que deve chegar ao seu auge entre abril e junho.

Um decreto federal autorizou na última quarta-feira o enterro de pessoas sem uma Certidão de Óbito em casos excepcionais.

O coronavírus também modificou a preparação dos corpos que, por precaução, agora deixam os hospitais dentro de uma bolsa de material plástico especial.

A prefeitura de São Paulo, que compra semestralmente 6.000 caixões para sua rede de serviços funerários, solicitou em março outros 8.000 unidades.

Os coveiros devem vestir trajes de proteção brancos, máscaras e luvas.

Desde que se abre a porta do carro funerário até a colocação da coroa de flores sobre o túmulo já coberto de terra, todo esse momento dura apenas seis minutos.

As Certidões de Óbito de todos os casos confirmados ou sob suspeita da COVID-19 são etiquetados como “D3”, o que obriga a manter o caixão fechado, gerando uma despedida sem ver os rostos e velórios sem abraços, com menos de 10 pessoas.

Muitos levam máscaras, álcool e luvas.

O fluxo de familiares entrando e saindo não para. Alguns se despedem tocando nos cotovelos. Outros não conseguem acatar as regras de distanciamento social em meio à perda, e diante da incerteza de um diagnóstico se abraçam, dizendo: “Vamos, isso é muito triste”.

(AFP)

Apoiar a Aleteia

Se você está lendo este artigo, é exatamente graças a sua generosidade e a de muitas outras pessoas como você, que tornam possível o projeto de evangelização da Aleteia. Aqui estão alguns números:

  • 20 milhões de usuários no mundo leem a Aleteia.org todos os meses.
  • A Aleteia é publicada em 8 idiomas: Português, Francês, Inglês, Árabe, Italiano, Espanhol, Polonês e Esloveno.
  • Todo mês, nossos leitores acessam mais de 50 milhões de páginas na Aleteia.
  • 4 milhões de pessoas seguem a Aleteia nas redes sociais.
  • A cada mês, nós publicamos 2.450 artigos e cerca de 40 vídeos.
  • Todo esse trabalho é realizado por 60 pessoas que trabalham em tempo integral, além de aproximadamente 400 outros colaboradores (articulistas, jornalistas, tradutores, fotógrafos…).

Como você pode imaginar, por trás desses números há um grande esforço. Precisamos do seu apoio para que possamos continuar oferecendo este serviço de evangelização a todos, independentemente de onde eles moram ou do quanto possam pagar.

Apoie Aleteia a partir de apenas $ 1 - leva apenas um minuto. Obrigado!

Tags:
Coronavírus
Oração do dia
Festividade do dia





Top 10
Aleteia Brasil
Quer dormir tranquilo? Reze esta oração da no...
CARLO ACUTIS
John Burger
Como foram os últimos dias de vida de Carlo A...
TRIGEMELAS
Esteban Pittaro
A imagem de Nossa Senhora que acompanhou uma ...
nuvens sinais
Reportagem local
Estão sendo fotografados "sinais do céu"?
Aleteia Brasil
O milagre que levou a casa da Virgem Maria de...
st charbel
Reportagem local
Por acaso não está acontecendo o que São Char...
Philip Kosloski
3 poderosos sacramentais para ter na sua casa
Ver mais
Boletim
Receba Aleteia todo dia