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Realmente vivo como alguém que acredita que Cristo ressuscitou e está comigo?

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Caitlin Bootsma - Reportagem local - publicado em 15/04/20

"A Quaresma é um período muito visível, mas a época da Páscoa pode facilmente ser deixada de lado"

O Venerável Dom Fulton Sheen parece ter um talento especial não só para falar abertamente sobre assuntos profundos, mas também para enxergar o coração da condição humana. Sobre a Páscoa, ele escreve:

“O que é mais peculiar na Páscoa é que, embora os seguidores de Jesus o tinham visto dizer que Ele destruiria os grilhões da morte, quando Ele realmente o fez, ninguém acreditou. (…) Os seguidores não estavam esperando uma Ressurreição e, portanto, não imaginavam que veriam algo que eles estavam tão ardentemente desejando” (em “Caminho para a Paz Interior”).

Sheen reflete sobre o relato do Evangelho em que Maria Madalena foi ao túmulo para ungir o corpo de Cristo, não acreditando que a Ressurreição poderia ocorrer, como prometido. E eu me pergunto: apesar de eu ter me preparado ao longo de toda a Quaresma para a vinda da Páscoa, e inclusive comemorado com alegria quando ela chegou, realmente vivo como alguém que acredita que Cristo ressuscitou e está aqui comigo hoje?

O Papa Francisco nos recordou, no Domingo de Ramos de 2014:

“A nossa alegria não nasce do fato de possuirmos muitas coisas, mas de termos encontrado uma Pessoa: Jesus,que está no meio de nós; nasce do fato de sabermos que, com Ele, nunca estamos sozinhos, mesmo nos momentos difíceis, mesmo quando o caminho da vida é confrontado com problemas e obstáculos que parecem insuperáveis”.

E, nestes últimos dias, à medida que eu meditava sobre o sofrimento e morte de Cristo, ia me lembrando de todas as muitas coisas que Ele fez por mim.

Mas agora que nos encontramos nesta Oitava da Páscoa, em meio à comemoração, ficou claro para mim o quanto é fácil esquecer qual foi verdadeiramente a finalidade da Quaresma. Na Quaresma, nós recordamos que Cristo morreu como vítima de expiação pelos nossos pecados. Nós fazemos penitência, recebemos o sacramento da Reconciliação, decidimos ser melhores. No entanto, assim que termina a celebração dominical da Páscoa, eu rapidamente me esqueço daquelas penitências, deixando de me alegrar verdadeiramente na Ressurreição. Com cinzas e sacrifícios, a Quaresma é um período muito visível; como resultado, a época da Páscoa pode facilmente ser deixada de lado.

De fato, quando eu rapidamente me esqueço de que ainda é a Páscoa durante oito dias, tenho de me questionar se eu, como Maria Madalena, não estou acreditando no que Cristo nos prometeu – que Ele está aqui conosco, comigo, a cada dia. Vivendo profundamente a Oitava de Páscoa, a Igreja está nos dizendo que este tempo de riqueza espiritual não acabou! Ao contrário: acabou de começar! A Oitava da Páscoa é enriquecedora porque, nestes dias, reafirmamos a nossa fé em que o Cristo ressuscitado está verdadeiramente nos acompanhando em nossa caminhada terrena.

O Santo Padre fala com tanta clareza sobre a pessoa de Jesus, que realmente toca meu coração. O Papa Francisco não fala sobre Deus como se Ele fosse uma teoria ou conceito teológico, mas nos lembra por que nos alegramos com a Ressurreição.

Naquela mesma homilia do Domingo de Ramos de 2014, o Papa exclamou:

“Sigamos Jesus! Nós acompanhamos, seguimos Jesus, mas sobretudo sabemos que Ele nos acompanha e nos carrega em seus ombros: aqui está a nossa alegria, a esperança que devemos levar a este nosso mundo. E, por favor, não deixem que a esperança de vocês seja roubada! Não deixem que roubem de vocês a esperança, aquela que Jesus nos dá!”

Minha oração nesta Páscoa é para que eu possa encontrar mais plenamente Jesus Cristo a cada dia. Quando eu me sentir desanimada com a falta de compreensão do verdadeiro significado do casamento em nossa nação, tentarei reconhecer que Deus está cuidando de nosso país e revelará a sua verdade àqueles que honestamente a procuram. Quando eu sentir que não consigo fazer tudo que eu preciso fazer, vou orar para que Deus me dê forças para me concentrar naquilo que é importante. Quando eu sentir tristeza, tentarei dirigir meu olhar a Jesus, lembrando que somente Ele pode satisfazer o meu coração inquieto.

Uma das minhas passagens favoritas do Evangelho é quando, depois da Ressurreição, alguns dos apóstolos vão pescar. Apesar de terem estado no mar por muitas horas, eles não foram capazes de pescar nada sozinhos. Pouco tempo depois, Jesus apareceu e lhes pediu que lançassem as redes novamente. Eles ouviram Cristo e pescaram abundantemente.

Durante esta Oitava da Páscoa, isto é o que eu comemoro: que o Senhor está aqui, comigo, ajudando-me no meu trabalho cotidiano e na minha busca diária pela virtude. Se eu O ouvir, como os apóstolos, também serei capaz de encontrar abundância em minha vida. Independentemente das lutas que cada um de nós tem, quando realmente colocamos a nossa fé em Cristo ressuscitado, podemos ser os discípulos que o Papa Francisco nos convida a ser: um povo de esperança e um povo de alegria!




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