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Ordem de Malta: a equipe de emergência da Igreja

Giorgio Minguzzi

William Van Ornum - publicado em 29/04/20

Seus membros vão a qualquer lugar, a qualquer momento, colocando-se a serviço dos doentes e dos pobres

Eles estão por toda parte: Síria, Jerusalém, Damasco, Turquia, Líbano, Haiti, África e até na cidade de Nova York.

A cruz maltesa de oito pontos (representando as oito bem-aventuranças do Sermão da Montanha), no peito ou nos ombros, identifica cada um dos 13.500 Cavaleiros e Damas da Ordem de Malta, ou os 82.000 membros da Malteser International.

Sua prioridade são os doentes e os pobres, que agora incluem os marginalizados, vítimas de perseguição e refugiados de diferentes fés e etnias.

No Camboja, a Ordem administra hospitais especializados para pacientes com hanseníase. A hanseníase não foi erradicada e em muitos lugares ainda é uma ameaça incapacitante à saúde.

“As pessoas não gostam de leprosos. Nossa estranha doença as assusta”, explica Yim Heang, do Camboja. “Algumas pessoas mostram bondade e compaixão pelos leprosos, mas a maioria está preocupada com a infecção e não quer nenhum contato conosco.”

Durante o outono de 2013, bombas caíram sobre Aleppo, na Síria, uma das cidades mais antigas do mundo. As explosões demoliram estruturas que estavam em pé há centenas, talvez até milhares, de anos.

Sobrevoando Aleppo, via-se a multidão de refugiados desesperados e feridos que inundou o campo de refugiados sírios em Kilis, logo após a fronteira com a Turquia. No primeiro dia, 4.000 pessoas fugiram de seu país. Não havia comida, abrigo, remédio. A Malteser International trouxe os suprimentos necessários e construiu um hospital de campanha e um centro de triagem.

A Ordem de Malta apoia o Hospital da Sagrada Família em Belém, localizado em uma área que é um turbilhão de facções em guerra e grupos em oposição. É a maior maternidade da Palestina.

A Ordem de Malta não toma partido, mesmo nos conflitos mais violentos. Eles estão presentes para servir os doentes e os pobres.

Um filme sobre a Malteser International mostra os voluntários trabalhando em Mianmar, em uma área atingida por ciclones e inundações. Juntamente com os moradores, os voluntários plantaram 18.000 árvores – para servir de quebra-vento e barreiras de proteção da vila no futuro.

Mais de 25.000 médicos e enfermeiros já participaram dos trabalhos da Ordem. Os centros médicos são a marca registrada da Ordem de Malta. A maioria dos hospitais fica na Alemanha, França e Itália. Alguns possuem unidades especiais para doentes terminais, onde se oferecem cuidados paliativos. Durante a Primeira Guerra Mundial, a Ordem administrava hospitais em trens que viajavam para onde fosse necessário.

Paul Wright, cardiologista norte-americano, viaja para Calcutá todos os anos para oferecer exames e tratamento gratuito para os necessitados.

Ele ingressou neste ministério depois de visitar Madre Teresa, que o levou à Casa dos Moribundos. Madre Teresa o levou a uma sala onde as pessoas estavam prestes a morrer e disse: “Não podemos curá-las. Aliviamos a dor delas, oferecemos compaixão e muito amor.”

O serviço e o desapego às coisas materiais o levaram a se sentir sereno. “Também descobri que preciso de poucas coisas para ser feliz”, disse Wright.

Em 2013, a Ordem de Malta comemorou seu 900º aniversário. Os 4.000 membros que puderam viajar para Roma receberam uma bênção papal.

A Rádio Vaticano disse que, embora a Ordem não seja um país, é uma entidade soberana. Tem um observador nas Nações Unidas, além de embaixadas em quase cem países.

“Onde quer que atuemos, somos construtores da paz”, disse Jean-Pierre Mazery, ministro de Relações Exteriores. “Não dependemos de ninguém, não defendemos territórios, não participamos de conflitos, agimos apenas para ajudar as pessoas, independentemente de sua nacionalidade, etnia ou religião”.

A Ordem foi fundada no século XII para ajudar os peregrinos pobres enquanto viajam para a Terra Santa.

A Ordem tem atualmente menos de 100 religiosos professos que fazem votos permanentes de pobreza, castidade e obediência, embora não exijam vida comunitária. Os membros leigos compõem dois outros níveis de comprometimento. É dado um interesse especial à promoção da santidade de cada membro.

Nos Estados Unidos, a Ordem de Malta tem cerca de 1.300 membros. Seu trabalho pode não ser tão dramático quanto nos lugares mais distantes, mas eles patrocinam centenas de iniciativas de caridade. Entre esses iniciativas estão asilos, escolas católicas, voluntariado, serviço assistenciais.

Todos os anos, associações de diferentes áreas geográficas patrocinam peregrinações a Lourdes. Isso não apenas resume o carisma original da Ordem, mas também oferece a oportunidade de oferecer às pessoas doentes ou deficientes, juntamente com seus cuidadores, a participação no poder de cura do santuário mariano.

“Pratique firmemente a religião católica apostólica romana e defenda diligentemente a caridade para com o próximo e, principalmente, para com os pobres e doentes.” Esse dizer faz parte da oração individual que os membros fazem todos os dias. “Conceda-me as virtudes necessárias para poder cumprir de acordo com o Espírito do Evangelho, com um espírito desinteressado e inteiramente cristão”.

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