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Chile celebra contenção da pandemia com cautela e muitos testes

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Alain Pitton / NurPhoto / NurPhoto via AFP

Agências de Notícias - publicado em 01/05/20

Iniciando a nona semana desde que o primeiro caso foi registrado, o Chile registra mais de 16.000 casos e 230 mortos

O Chile celebra com cautela ao atingir o “platô” de contágios por coronavírus no período que previa um pico da pandemia. O surto foi contido com quarentenas “seletivas” e um grande número de testes que colocou o país entre com taxas mais altas de detecção da América Latina.

Iniciando a nona semana desde que o primeiro caso foi registrado, o Chile registra mais de 16.000 casos e 230 mortos, abaixo das previsões que indicavam milhares de infectados na data que coincide com o início do outono.

“Estamos em um novo estágio. Houve um período crescente (de infecções), hoje estamos em um platô com altos e baixos e esperamos que na próxima fase o número de pacientes ativos comece a diminuir”, disse o presidente Sebastián Piñera nesta semana.

Os números são animadores, mas especialistas alertam que ainda é cedo para declarar vitória, especialmente porque o vírus está se disseminando nas regiões mais pobres e mais populosas de Santiago. O sistema de saúde local tende a entrar em colapso no inverno (principalmente junho e julho)por doenças respiratórias.

– Qual é a estratégia do Chile? –

O Chile foi um dos primeiros países da América Latina a decretar emergência sanitária pelo novo coronavírus em 7 de fevereiro. A medida possibilitou a compra de insumos como testes, respiradores e leitos de terapia intensiva, além de centralizar o sistema de saúde.

Em uma decisão inicialmente rejeitada pela população, foram decretadas quarentenas seletivas por municípios e ou províncias.

Entre as medidas tomadas na segunda quinzena de março, quando havia menos de 100 casos e nenhuma morte, estão: fechamento de fronteiras , toque de recolher noturno, suspensão das aulas, distanciamento social, shopping centers fechados e eventos públicos cancelados.

Quando as imagens e números da Itália e da Espanha chocaram o mundo em meados de março, o Chile aumentou sua capacidade de testes, que hoje o coloca como um dos países que mais realiza exames por milhão de habitantes na América Latina, com mais de 180.500 testes PCR no total até esta quinta-feira. O número, no entanto, ainda está longe da média da OCDE: 8,1 por 1.000 habitantes em 27 de abril.

Se em fevereiro somente um laboratório processava amostras, hoje são 65, entre públicos e privados. Laboratórios universitários foram convertidos em centros de diagnóstico para aumentar a capacidade.

No total, há 21 centros certificados em todo o país, com capacidade máxima para até 3.000 exames por dia.

Porém, para a retomada segura das atividades, o número de exames deve ser ainda maior, uma média de cerca de 5.000 exames por dia.

O ministro da Saúde, Jaime Máñalich, anunciou nesta quinta-feira uma mudança no protocolo de contagem de casos que passa a incluir pacientes assintomáticos, o que deve aumentar o número de amostras.

Até agora, apenas pacientes com sintomas foram testados pelo PCR.

“Qualquer pessoa que precise de testes será testada”, diz o ministro das Ciências, Andrés Couve, garantindo também o fornecimento de reagentes por vários meses após a chegada de uma remessa de 200.000 kits doados por particulares.

Com números controlados, autoridades começam a sinalizar uma retomada às atividades econômicas com a abertura de alguns shoppings e o retorno de funcionários públicos, mas não há previsão de volta às aulas.

“Uma estratégia de retorno seguro é inviável sem aumentar consistentemente o número de exames e até mesmo em pacientes com poucos ou nenhum sintoma, além de incorporar testes nos locais de trabalho ou de risco”, disse Juan Carlos Said, médico intensivista e Mestre em Saúde Pública pelo Imperial College London.

– Propagação entre as regiões mais pobres –

Nas últimas semanas, as infecções diminuíram nas comunidades ricas de Santiago, onde foram registrados os primeiros surtos – após o retorno das férias na Europa -, mas aumentaram em bairros pobres e mais populosos, com quase sete milhões de habitantes.

Para Said, não é o mesmo que administrar um surto em regiões onde vivem as classes mais altas, com acesso a clínicas particulares e uma menor incidência de doenças crônicas que agravam a COVID-19.

“O verdadeiro teste para o Executivo é como a letalidade vai evoluir à medida que a doença se dissemina em regiões de baixa renda e com densidade populacional muito maior”, disse o especialista.

(AFP)

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