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Religião

O Covid-19 e o fim do mundo

KOBIETA, PANDEMIA

engin akyurt/Unsplash | CC0

Vanderlei de Lima - publicado em 04/05/20

Em primeiro lugar, o verdadeiro católico não se importa com previsões alarmistas

A pandemia do Covid-19 despertou em alguns segmentos da sociedade previsões de que a segunda vinda de Cristo e o fim do mundo estão se aproximando. Que dizer?

Em primeiro lugar, que o verdadeiro católico não se importa com tais previsões alarmistas. E por que não? – Porque elas não têm fundamento algum. Com efeito, é de fé que o Senhor Jesus virá de novo, como professamos no Credo, para julgar os vivos e os mortos. Devemos, portanto, estar sempre preparados espiritualmente (cf. Mt 24,44; 25,13; Mc 13,33-37); mas, ninguém sabe qual será esse dia e essa hora (cf. Mc 13,32; At 1,7). Portanto, quem prevê o fim do mundo – por ignorância ou má-fé (só Deus poderá julgar!) – fala sem saber o que diz.

Aos pregadores católicos a Igreja exorta: “Mandamos a todos os que estão, ou futuramente estarão incumbidos da pregação, que, de modo nenhum, presumam afirmar ou apregoar determinada época para os males vindouros para a vinda do anticristo ou para o dia do juízo. Com efeito, a Verdade diz: ‘Não toca a vós ter conhecimento dos tempos e momentos que o Pai fixou por Sua própria autoridade’. Ninguém ouse predizer o futuro apelando para a Sagrada Escritura nem afirmar o que quer que seja, como se o tivesse recebido do Espírito Santo ou de revelação particular, nem ouse se apoiar sobre conjecturas vãs ou despropositadas. Cada qual deve, segundo o preceito divino, pregar o Evangelho a toda criatura, aprender a detestar o vício, recomendar e ensinar a prática das virtudes, a paz e a caridade mútuas, tão recomendadas por nosso Redentor” (Concílio Ecumênico de Latrão V, 1516, in Dom Estêvão Bettencourt, OSB. Curso de Escatologia. Rio de Janeiro: Mater Ecclesiae, 1993, p. 121-122).

Em segundo lugar, devemos lembrar que o ser humano, abatido com os problemas de seu tempo – e cada época os tem (doenças, guerras, fome etc.) –, psicologicamente apela para uma intervenção retumbante do além aqui na terra. Ora, tal apelo tem, quase sempre, o seu lado mórbido e pode, por conseguinte, levar as pessoas a desatinos, incluindo, é claro, o suicídio. Estejamos muito atentos!

No século V, por exemplo, dizia-se que o fim do mundo aconteceria no ano 500. Alguns bispos pouco críticos deram crédito à falsa profecia e foram acompanhados por parte dos fiéis. Na Síria, um grupo de famílias abandonou tudo para viver como nômade pelas montanhas; no Ponto, homens e mulheres venderam os bens à espera de Cristo e acabaram seus dias como mendigos, em completa miséria (cf. Santo Hipólito de Roma. In Danielem 3,18-19). Tais absurdos se repetem, com maior ou menor intensidade, até os nossos dias, especialmente por parte de correntes filosófico-religiosas mal orientadas ou mais dadas à fantasia do que ao senso crítico e à lógica. Embora supere a razão, a fé há de tê-la por base sob pena de tornar-se mera crendice supersticiosa. Daí ser o fiel católico, sempre, chamado a dar as razões da sua fé a quem as solicite (cf.1Pd 3,15).

Também no ano 1000 tivemos contradições: 1) Fazendo eco aos fantasiosos, escreve Augusto Fuschini sobre a passagem do ano 999 para o 1000: “Nesse dia, um pânico profundo envolveu todos os espíritos. As igrejas encheram-se de fiéis, que esperavam a catástrofe entre cantos e rezas; ora, por uma doce ironia da natureza, a aurora do primeiro dia do século XI raiou esplêndida”. 2) Sobre os que usaram da fé e da razão, escreve Gonçalves Cerejeira: “Os nossos velhos cronistas mencionam algumas datas referentes ao século X e anteriores; nada dizem, porém, sobre os terrores do ano mil… Numa carta de venda do ano de 999, estipula o vendedor que o comprador (que acaba de pagar em boa moeda uma propriedade… que não tiraria proveito, na hipótese de terrores) a possua firmemente por todos os séculos afora” (Pergunte e Responderemos n. 333, fevereiro de 1990, p. 62-64). Em suma, o tempo era o mesmo para todos, a forma de vivê-lo – com medo ou sem medo – é que mudava a cada um.

Apliquemos, portanto, essas lições do passado aos dias atuais, nos quais o Covid-19 causa pânico, e nos manteremos serenos e firmes na graça de Deus. Afinal, disse o Senhor Jesus: “No mundo tereis tribulações, mas tendes bom ânimo, eu venci o mundo” (Jo 16,33). Coragem! Avante!

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