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Durante a pandemia lembre-se: nós não somos iguais!

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Michael Rennier - publicado em 04/05/20

Sim, todos nós estamos juntos nessa. Mas cada um reage à situação de uma maneira diferente

Cada um dos meus seis filhos é totalmente diferente. Sim, todos têm o fardo de me terem como pai e de suportarem minhas brincadeiras e bobagens. Eles estão presos na mesma situação, tolerando minhas idiossincrasias, até que um dia eles perceberão com horror que se tornaram como eu.

É tão estranho o fato de as crianças crescerem em circunstâncias idênticas – mesmos pais, mesma escola, mesma vizinhança – e ainda assim suas personalidades serem completamente diferentes…

Como pai, me esforço para dar a cada um deles o que eles precisam. O mais velho precisa de um pouco de espaço, enquanto o mais novo exige atenção do nascer ao pôr do sol. Nossos meninos precisam de uma boa dose de brigas e lutas; as meninas nem tanto. Alguns deles gostam de ser desafiados, enquanto outros se beneficiam mais com um incentivo gentil. Esforço-me para honrar cada individualidade e me relacionar com eles da maneira que melhor se encaixa na personalidade de cada um.

De uma maneira que eu nunca esperava, a paternidade acabou sendo uma grande bagunça gloriosa. Todo pai em potencial sonha com uma família racional e sistemática, na qual os filhos são levados a um caminho previsível para o amadurecimento. Então o primeiro filho chega, se recusa a tirar um cochilo por qualquer motivo, joga aveia na sua cara e nunca quer calçar sapatos. Logo se torna evidente que o relacionamento com as crianças é reconhecer que cada um é único e tem necessidades particulares. Não pode ser uma abordagem de tamanho único.

Este é o caso não apenas das famílias, mas da sociedade como um todo. Todos nós podemos viver no mesmo planeta, mas isso não significa que somos iguais. De jeito nenhum. É por isso que você pode provocar um amigo, mas tem que ser gentil com outro. Somos todos filhos da mesma família de Deus, mas ainda somos completamente únicos.

Na minha casa, quando um vírus chega, nós batemos nas escotilhas. As crianças mais novas são sempre as primeiras a adoecer. Minha esposa costuma ser a próxima. Eu sou sempre a último, embora, juntamente com algumas crianças, possa nem ficar doente. Algumas crianças precisam de mais atenção quando estão doentes, outras só querem ficar sozinhas na cama até se sentirem melhores. Eu? Eu me torno um bebê gigante, indefeso e queixoso. Durante esses períodos de doença – que muitas vezes podem durar várias semanas -, minha esposa fica preocupada em higienizar a casa, fornecer remédios e nos alimentar durante todo o processo. Por outro lado, concentro-me em manter-me saudável para poder continuar cumprindo meus deveres no trabalho. Nós dois temos perspectivas diferentes – mesma situação, necessidades diferentes. Nenhum de nós está errado. Trabalhamos em equipe e nos complementamos.

Talvez você possa ver para onde esta analogia está indo. Uma doença grave entrou em nossa casa global. Isso afetou cada um de nós de maneira diferente. Alguns estão muito mais em risco por causa de problemas de saúde preexistentes, enquanto outros já pegaram o vírus e nem perceberam. As situações de emprego também são diferentes: alguns continuam a trabalhar em período integral, outros trabalhando em casa ou em horário reduzido e dezenas de milhões de outras pessoas desempregadas. Os pequenos empresários estão vendo os esforços de uma vida evaporar diante de seus olhos e podem perder tudo. Alguns precisam acordar de manhã preparados para esperar horas nas filas de comida para poderem comer mais um dia. Também há pessoas para quem esse período é, basicamente, como férias. Eles têm dinheiro suficiente para pagar as contas e desfrutam de manhãs longas e luxuosas tomando café em seus pátios sombreados.

Como continuamos a nos relacionar, a dialogar com empatia e a conviver com a bondade quando podemos estar experimentando esses dias de maneira tão diferente?

A chave é entender que somos uma família e não somos todos iguais. Temos diferentes necessidades e diferentes preocupações. Ninguém deve ser ridicularizado por ter medo de ficar doente ou desejar que mais empresas possam abrir. Ninguém deve se sentir envergonhado, rotulado ou visto apenas como um oponente a ser discutido. De qualquer forma, à medida que passamos algum tempo lendo notícias e nos comunicando on-line, temos a oportunidade de reavaliar as suposições que fazemos sobre os outros, a maneira como dialogamos (ou não) e a maneira como fortalecemos nossas posições e paramos de ouvir. Mesmo que eu não entenda como outra pessoa está reagindo, posso tentar entender e dar a ela o que ela precisa.

Quando fazemos isso, estamos buscando o bem comum, o mesmo objetivo, para que toda a família seja feliz. Por tudo o que estamos passando agora, conquistaremos juntos o que almejamos, mas respeitando as diferenças uns dos outros.


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